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sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

BALANÇO MENSAL - DEZEMBRO

O atraso no balanço de dezembro ocorreu por motivos de força maior. A falta de energia em casa interrompeu minha rotina de filmes e postagens no blog à minha revelia. Finalmente, o problema está resolvido e posso compartilhar com os leitores e visitantes o que andei vendo ao longo do último mês do ano. Sendo assim, eis os filmes com suas respectivas notas e comentários:

LONGAS:

1. Rosetta (1999) - No cinema dos Dardenne, pulsa a força da alma inquieta, que não sabe corresponder quando encontra algum calor em um mundo tão gélido. Mesmo assim, os silêncios e os gestos contidos denunciam: há uma fagulha de esperança. 9.0

2. A noviça rebelde (1965) - Boa parte dos clichês mais adoráveis comparecem ao longo da narrativa e despertam o encanto pelos personagens, afiados na fala e no canto. Mas a extensa duração é desnecessária: uns 40 minutos a menos teriam bastado. 8.0  
A vida em preto e branco (1998)

3. A vida em preto e branco (1998) - A brincadeira com as cores é sensacional! Uma eficiente e simpática metáfora sobre a importância de se estar aberto a mudanças e sobre como pequenas atitudes fazem a diferença no cotidiano. 8.0

4. Um final de semana em Hyde Park (2012) - Não há uma trama efetivamente desenvolvida: o roteiro patina em cenas disfuncionais, por assim dizer, e a motivação para continuar assistindo à história vem de Murray, que parece se divertir em cena. 5.5

5. Ondine (2009) - A certa altura, a realidade supera a fantasia e cobra alguns do seus ônus, como tantas vezes acontece às pessoas. Belo exemplar da versatilidade de Jordan e do carisma de Farrell. 7.0

6. Vício frenético (2009) - Herzog põe Cage nas garras do vício e sintetiza o espírito de uma época em cenas intensas e cortantes. De certa forma, o mundo atual está chapado e com o olhar cheio de ilusões. 8.0

7. A primeira noite de tranquilidade (1972) - Junto a Garrel pai e Antonioni, Zurlini é o poeta da melancolia e dos corações combalidos, à ingrata procura de calmaria. Estar preso a este corpo mortal é o maior de todos os desconfortos. 9.0

8. O raio verde (1985) - "Ah, que chegue o momento dos corações em contentamento!" (Arhur Rimbaud). 9.0

9. Amor é tudo o que você precisa (2012) - A abordagem novelesca enfraquece o andamento da narrativa, que navega por águas superficiais enquanto as subtramas seguem pouco aproveitadas. Em todo caso, Dyrholm é uma gracinha com ou sem peruca. 6.5

10. Muito barulho por nada (2012) - A proposta de atualizar somente os cenários e figurinos e manter o rebuscamento vocabular de Shakespeare causa estranheza (por mais suspeito que eu seja pra comentar isso). No mais, é o atestado da inconstância humana. 7.5  
A busca (2012)

11. A busca (2012) - Carrega uma curiosa ambiguidade: as ações dos personagens são críveis, mas surgem quase sempre de modo abrupto, o que não chega a comprometer a empatia com o drama do pai perdido. Um filme escrito para Moura reiterar o quanto é ótimo ator. 7.0

12. São Paulo S.A. (1965) - Aquela melancolia que corrói por dentro e destrói tudo à sua volta. 9.0

13. Azul é a cor mais quente (2013) - Uma experiência intensa e passional, como qualquer relacionamento a dois. Na condição de espectadores das várias fases vividas por essas protagonistas, testemunhamos cada nuance capturada pelas lentes de Kechiche. 8.0

14. Lua de papel (1973) - Quem pode resistir a essa improvável dupla de trambiqueiros? Caprichando na incorreção política - aos olhos de hoje -, o roteiro nos dá uma volta e nos faz torcer por eles, como vítimas de um exímio mão leve. 9.0

15. A infância de Ivan (1962) - Uma reflexão delicada e poética sobre o salto de etapas que uma guerra traz a qualquer um. Belíssimas imagens esculpidas com paciência e emoção pesada. 8.0

16. Prelúdio para matar (1975) -  Esgarça os nervos da plateia com um suspense macabramente musicado. 8.5

17. Sangue ruim (1986) - Há belos momentos e frases desoladoras, especialmente o monólogo final de Alex. Mas a opção por uma narrativa truncada faz oscilar a sensação de se estar diante de um belo filme. 7.0

Um lugar ao sol (1951)
18. Um lugar ao sol (1951) - Para onde a ambição leva? A resposta de Stevens é desoladora e o seu julgamento, implacável. 9.5 

19. Infância nua (1968) - Uma espécie de antepassado dos Dardenne e de contemporâneo de Truffaut, que aborda as dificuldades de crescimento e desconcerta pela crueza. Optando por ser sucinto, Pialat oferece uma reflexão sobre os afetos e o peso da vida. 8.0

20. A vida secreta de Walter Mitty (2013) - Abra o coração e deixe-se levar por lugares e pessoas que fazem a vida valer a pena. Os pensamentos bizarros que todos temos ganharam o Cinema. 9.0

21. Segredos de sangue (2013) - Transborda identidade visual e se apega a detalhes dos ambientes para contar uma história trôpega, em que exercitar o estilo parece mais importante do que se aprofundar um pouco mais nos personagens. 6.0

22. A embriaguez do sucesso (1957) - Um olhar sobre a amoralidade cínica de uma Nova York mergulhada em escândalos (forjados ou não), temperado com um roteiro esperto e uma dobradinha formidável entre Lancaster e Curtis. Não é de hoje que a imprensa marrom faz das suas. 9.0

23. Ninfomaníaca: volume 1 (2013) - Espalhando deboche e provocando o espectador, Von Trier torna a enxergar o corpo humano como um campo de provas. 8.0

24. Círculo de fogo (2013) - Mais do mesmo hollywoodiano com uma pitada de acidez crítica em seu prólogo. Consegue prender a atenção nas várias sequências de confronto, bem mais interessantes que alguns diálogos e desdobramentos óbvios. 7.0   
Adeus, Dragon Inn (2003)

25. Adeus, Dragon Inn (2003) - Espectadores da nostalgia, do silêncio e da impossibilidade do toque. Cinema em seu aspecto mais contemplativo. 8.0 

26. Elegia de Osaka (1936) - Espião do cotidiano, Mizoguchi confere a complexidade das relações humanas e das escolhas errôneas do coração. 7.5

27. O verão do Skylab (2011) - Com sua vocação para a escrita de diálogos coloquiais e verossímeis, Delpy oferece uma agradável crônica familiar repleta de acontecimentos prosaicos e um certo frescor. 7.0

28. Um dia de cão (1975) - Começa em seu clímax. Consequentemente, vai decaindo até seu desfecho, em que parte da adrenalina se recupera, mas já é um pouco tarde. Ainda bem que temos Pacino. 6.5

29. Sete psicopatas e um shih tzu (2012) - Descontadas algumas confusões do roteiro, é uma trama espirituosa em que a metalinguagem e os diálogos afiados valem mais do que o conjunto da obra. O shih tzu é irresistível! 7.0

30. Álbum de família (2013) - Verborragia corrosiva entre consanguíneos, tem sua força nos constantes duelos entre Roberts e Streep, que, finalmente, encontraram-se na tela grande. 7.0 
A aventura de Kon-Tiki (2012)

31. A aventura de Kon-Tiki (2012) - O espírito explorador, a fidelidade a uma crença, os longos períodos de tédio, a coragem desafiada: os elementos e fatores que marcam uma grande expedição filmados com afinco e vigor por uma câmera que nos descortina imagens estonteantes. 8.0

32. Weekend (2011) - Envoltos em uma atmosfera cinérea, os protagonistas meditam sobre o amor e fazem suas confissões em tom grave. Um pulsar melancólico invade toda a narrativa. 8.5

33. Possessão (1981) - Risadas sucessivas em uma trama que, supostamente, seria de terror, mas perde a credibilidade com seus diálogos, atuações e cenas de péssimo gosto. Um trash involuntário e histérico pra fechar um ano com os amigos sem compromisso. 8.0

34. A montanha dos sete abutres (1951) - A obstinação pelo grande furo de reportagem corrompendo os princípios básicos de humanidade e produzindo espetáculo sobre a tragédia. Parece que foi rodado ontem. 10.0

35. Plata quemada (2000) - Ação e explosão, o velho binômio da cartilha policial, repassado com hispanofalantes e subvertido com protagonistas que não estão atrás da mocinha. Tudo por um punhado de pratas. 7.0

36. O dia em que ele chegar (2011) - Idas e vindas, repetições, coincidências e sutis variações sob uma Seul fria e de neve eventual. Houve quem dissesse que todas as histórias são a mesma. Esse alguém tem razão. 8.5

MÉDIA:

O balão vermelho (1956) - De uma belezura indescritível.

CURTAS: 

Outros mundos (1997) - Amor: o eterno dilema. 8.0

Destino (2003) - O tempo que sempre escapa e talha a percepção do real. Seria a memória uma boa trapaceira? 9.0

MELHOR FILME: A montanha dos sete abutres
MELHOR DIRETOR: Eric Rohmer, por O raio verde
MELHOR ATRIZ: Émilie Dequenne, por Rosetta
MELHOR ATOR: Kirk Douglas, por A montanha dos sete abutres
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Julia Roberts, por Álbum de família
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Sam Rockwell, por Sete psicopatas e um shih tzu
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Eric Rohmer, por O raio verde
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Abdelatiff Kechiche e Ghalia Lacroix, por Azul é a cor mais quente
MELHOR TRILHA SONORA: Mark Isham, por Vício frenético
MELHOR FOTOGRAFIA: Urszula Pontikos, por Weekend
MELHOR CENA: O plano de abertura de A primeira noite de tranquilidade
MELHOR FINAL: Lua de papel
PIOR FILME: Possessão

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