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sábado, 17 de junho de 2017

QUINTETO DE OURO - DÉCADA DE 80

Conhecida como a década dos exageros, os anos 80 foram marcantes em várias áreas, da moda à tecnologia, passando pelo esporte e, naturalmente, pelo cinema, o foco deste blog. E lá no finalzinho, em 13 de novembro de 1989, eu cheguei a este mundo. Mais uma vez, escolhi uma década para extrair meus cinco filmes preferidos, assim como já havia feito com as décadas de 50 e 70. A tarefa é sempre hercúlea e o resultado acaba se tornado insatisfatório rapidamente, mas a tentativa é válida. O critério que norteou minhas escolhas foi simplesmente ser um longa-metragem realizado entre 1980 e 1989, com o cuidado de não repetir diretores, mesmo porque é uma lista com apenas cinco títulos. Como de hábito, não me preocupei em dispor os eleitos em ordem de preferência, valendo a ordem cronológica para apresentá-los. Se fosse para expressar de modo hierárquico o nível de amor por eles, aí sim a missão se tornaria mais complexa.

Os anos 80 trouxeram produções que me marcaram e, ainda assim, ficaram de fora da lista. Para não limá-las totalmente (ou todas elas) deste especial, optei por mencionar algumas brevemente. É  o caso, por exemplo, de A rosa púpura do Cairo (The purple rose of Cairo, 1985) e Crimes e pecados (Crimes and misdemeanors, 1989), gemas saídas da mente fértil de Woody Allen, e dois marcos da carreira de Wim Wenders, a saber: Paris, Texas (idem, 1984) e Asas do desejo (Das Himmel über Berlin, 1987). Porém, o primeiro comparece na lista com outra obra sua, um pouco mais querida do que essas por uma questão de centímetros, digamos assim. Uma das minhas trilogias prediletas também vem dessa década, e eu não poderia deixar de incluir um de seus capítulos na seleção: são os longas De volta para o futuro que, aliás, começo a rever a partir deste mês. Falando em filmes com sequência, tivemos dois episódios da saga de George Lucas - outra de que sou fã ardoroso - nessa mesma década: Star wars episódio V - O Império contra-ataca (Star wars episode V - The Empire strikes back, 1980) e Star wars episódio VI - O retorno de jedi (Star wars episode VI - Return of the jedi, 1983).

Outros títulos que não ganharam vaga neste especial, mas têm espaço confirmado na minha galeria de preferidos: Gosto de sangue (Blood simple, 1984), de quando os irmãos Ethan e Joel Coen ainda eram debutantes; Um lobisomem americano em Londres (An American werewolf in London, 1981), um dos ápices criativos de John Landis; O homem elefante (The elephant man, 1980), das produções mais sensíveis assinadas por David Lynch; A mulher do aviador (La femme du aviateur, 1980), um típico Eric Rohmer com seus desencontros e inquietações amorosas; Um tiro na noite (Blow out, 1981), que é Brian De Palma abraçando a metalinguagem numa década que foi o auge de sua carreira. Lynch, infelizmente, não coube na lista com nenhum outro filme, mas Rohmer e De Palma foram "finalistas" com outros trabalhos.

Uma ideia que voltei a colocar em prática nesta edição do Quinteto de Ouro foi convidar alguns amigos para também listar seus filmes favoritos do tema. Foi o mesmo que aconteceu com a lista de melhores filmes de 2007. Como já era de se esperar, a maioria deles ficaram horrorizados com a necessidade de se restringir a somente cinco títulos, mas acabaram encarando o desafio e forneceram seus preferidos, os quais também dispus em ordem cronológica. E devo dizer que vieram listas muito boas, com as quais concordo quase totalmente: um e outro exagero ou injustiça aqui e ali, no final das contas, tem a função de fomentar o debate. É tudo uma questão de subjetividade mesmo... Seguem abaixo minha lista com trechos das críticas que já escrevi sobre os filmes, e as listas dos meus amigos.

MEUS ESCOLHIDOS

Dublê de corpo (Brian De Palma, 1984)


De Palma faz de seu protagonista um arquétipo do herói destemido que fura bloqueios e rompe sistemas com a disposição de quem deseja entender o que está acontecendo ao seu redor. Enquanto investiga, ele é obrigado a lidar com seu maior medo, em uma sequência atordoante passada dentro de um passagem fechada que contribui para dimensionar o espectador na ótica sufocada através da qual Jake enxerga o mundo. Os ambientes restritivos lhe são uma praga, e um simples elevador, para ele, é uma fonte de angústia profunda. Em decorrência da claustrofobia do personagem, o filme é atravessado por espasmos visuais clicados por Stephen H. Burum, que voltaria a colaborar com o cineasta nos anos seguintes, em títulos como Os intocáveis (The untouchables, 1987) e O pagamento final (Carlito’s way, 1993). A paleta de cores saturadas também é notória na construção da fotografia do longa, que também oferece tons obscuros, sobretudo pela abundância de sequências noturnas.

O raio verde (Eric Rohmer, 1985)


Quase nada acontece de fato em O raio verde. A exemplo dos demais filmes do realizador francês, morto aos 91 anos, os diálogos preenchem a projeção em sua quase totalidade, estendendo ao máximo a psicologia em torno dos personagens, sobretudo Delphine, tão complexa quanto qualquer outro ser humano. A cada novo encontro com um amigo, conhecido ou alguém a quem acabou de ser apresentada, a jovem exterioriza sua insatisfação com as pessoas e os lugares. É como aquele sujeito em cuja companhia vamos a uma festa e, menos de 10 minutos depois de ter chegado, já quer ir embora, sem saber explicar exatamente o motivo do seu desconforto naquele ambiente. [...] Na verdade, o raio verde é um fenômeno imediatamente anterior ao anoitecer, que surge quando o Sol está se pondo e mostra o seu último facho de luz no céu. Não é possível observá-lo todos os dias - se o tempo estiver nublado, por exemplo, a espera por vê-lo é inútil - nem em todos os lugares - é praticamente uma exclusividade da costa francesa - e exige uma certa dose de paciência e olhar fixo, pois dura um brevíssimo instante. 

Conta comigo (Rob Reiner, 1986)


Algumas amizades podem não ser para a vida toda - pelo menos, não presencialmente -, mas o sentimento fica, e relembrar momentos passados junto com grandes companheiros produz um bem danado à alma. Por meio de uma narrativa em flashback, somos transportados pelo discurso do Gordie adulto ao início de sua adolescência, que passou, em boa parte, com Chris (River Phoenix), Teddy (Corey Feldman) e Vern (Jerry O'Connell), garotos como tantos outros, com seus 12 anos, hormônios em início de ebulição e uma boa dose de intrepidez. São os personagens centrais de uma obra que toma por base um conto de Stephen King, que tem na amizade uma de suas especialidades e recorrências temáticas. Conta comigo é uma ilustração caprichada do quanto é importante ter com quem contar, exatamente o que os títulos original e nacional indicam. Poucas frases podem ter um efeito tão tranquilizador e emocionante quanto essa, ainda mais quando dita por alguém que já se tornou querido. Caminhar sozinho é sempre mais difícil. A seu favor, a história também traz o fato de que nenhum dos meninos é unidimensional. Em seus olhares e falas, está sintetizada boa parte de uma fase da vida em que tudo é imenso, para o bem e para o mal. Gordie, Chris, Teddy e Vern se amam, embora nem sempre saibam dizer isso. 


Hannah e suas irmãs (Woody Allen, 1986)


Ah, os laços de família... São eles a matéria-prima desta comédia agridoce, com o padrão Woody Allen de qualidade, o mesmo que também usam seus detratores ou pouco entusiastas para diminuir sua obra. Hannah (Mia Farrow) é a irmã mais estável emocional e financeiramente, e as outras duas estão sempre a rondando com necessidades sobretudo econômicas. Mas até onde vai essa estabilidade que parece inabalável? Refletindo sobre essa questão, Allen capricha nos diálogos em que o cômico e o sério se revezam, e mostram que ninguém tem escapatória quanto aos processos de intemperismo e erosão da vida. O rumo traçado por alguém está sempre sujeito a uns trancos aqui e ali, é um dos ônus de ser humano. Seus personagens demasiadamente humanos são fotografados por Carlo Di Palma, habitual colaborador nascido em Roma que trabalhou com Allen até Desconstruindo Harry (Deconstructing Harry, 1997). Aqui, capta a névoa novaiorquina de inverno e ajuda a compor o cenário de idas a vindas de cada coração, o órgão mais traiçoeiro que existe.

De volta para o futuro 2 (Robert Zemeckis, 1989)


Após um intervalo de quatro anos, Zemeckis trouxe de volta os carismáticos Marty McFly (Michael J. Fox) e Emmett Brown (Christopher Lloyd) para dar continuidade a uma grande aventura que se desdobra através dos tempos. Se no filme anterior o rapaz retornava para casa são e salvo, nessa continuação ele se vê novamente obrigado a avançar algumas décadas para resolver um problema no qual seu filho Junior (o próprio J. Fox) se meteu e o levou para a cadeia. A correria para mudar a situação é tanta que, dessa vez, até sua namorada Jennifer (Elizabeth Shue) entra de gaiata no DeLorean e o acompanha no percurso, feito nos ares. [...] O grande mérito da produção, sem dúvida, está no carisma que a dupla principal exala. Assim como no primeiro filme, Marty e Emmett são amigos inseparáveis que embarcam nas ideias um do outro sem pestanejar e se viram muito bem para dar conta de encarar os desafios do tempo. [...] Zemeckis nos toma pelo braço e nos coloca dentro de uma aventura que deixa um delicioso sabor de nostalgia na boca, fazendo valer cada minuto investido diante da tela e, para quem foi assistir ao filme no cinema, valorizando cada centavo gasto com o ingresso.

OS AMIGOS

Anderson Barbosa 

O homem elefante
O iluminado
Blade runner - O caçador de androides
Paris, Texas
Conta comigo




Anderson de Souza (Profissão: Cinéfilo

Terror nas trevas
Amadeus
O clube dos cinco
Cinema Paradiso
De volta para o futuro 2



Cleber Eldridge (Um Certo Cinéfilo

Amadeus
A testemunha
Curtindo a vida adoidado
Hannah e suas irmãs
Mississipi em chamas






Douglas Braga 

O iluminado
O enigma de outro mundo
Scarface
Amadeus
Era uma vez na América




Elton Telles 

Cão branco
Cabra marcado para morrer
Vá e veja
Um peixe chamado Wanda
Faça a coisa certa




Gustavo Santorini 

Um tiro na noite
Paris, Texas
Era uma vez na América
Curtindo a vida adoidado
Nascido em 4 de julho





Lucas D'Peder 

O portal do paraíso
Um tiro na noite
Fitzcarraldo
Era uma vez na América
Faça a coisa certa



Paulo Matheus (Sala Escura

Touro indomável
O enigma de outro mundo
Paris, Texas
A rosa púrpura do Cairo
Hannah e suas irmãs





Renan Fechio 

O homem elefante
Fitzcarraldo
Paris, Texas
Depois de horas
Era uma vez na América





Sandro Alves de França (Janela 7

Fanny e Alexander
Aos nossos amores
Broadway Danny Rose
O beijo da Mulher Aranha
A rosa púrpura do Cairo

sexta-feira, 2 de junho de 2017

BALANÇO MENSAL - MAIO

Maio teve um saldo cinematográfico bastante positivo, com apenas duas notas realmente baixas, destinadas a filmes em que o roteiro foi o principal problema, a saber, The void (idem, 2016), no qual o terror é empurrado goela abaixo por meio de uns simbolismos obscuros e pretensiosos, e Jonas (idem, 2015), um dos representantes brasileiros que deixa a desejar na construção dos personagens e diálogos. Fora eles, houve muitas boas descobertas e uma decepção com Martin Scorsese e o caos dramático de Vivendo no limite, outra parceria com Paul Schrader na escrita 23 anos depois do excelente Taxi driver (idem, 1976). Abri espaço inclusive para Ingmar Bergman, com quem andava em dívida de filmes inéditos este ano. Um detalhe curioso foi a presença de muitos títulos recentes em preto e branco, entre eles Heleno, Os viciosos e Astrágalo, que foram sendo escolhidos um tanto aleatoriamente, ou seja, essa característica não foi decisiva para que cada um fosse incluído na seleção do mês que passou, que é integralmente apresentada abaixo, como de costume.

PÓDIO

MEDALHA DE OURO

Terra de minas (Martin Zandvliet, 2015)


Mais um filme tendo uma guerra como pano de fundo conquistou espaço no meu pódio. Na verdade, sobre as consequências de uma guerra, dessa vez. Narrado com sobriedade, Terra de minas (Under sandet, 2015) foi um dos cinco finalistas indicados ao Oscar de melhor filme estrangeiro e acompanha um grupo de jovens soldados alemães confinados em território dinamarquês até que desarmem todas as minas deixadas nas areias das praias durante a Segunda Guerra Mundial. A nação alemã saiu completamente humilhada do conflito, e os garotos sofrem pelos erros de seus conterrâneos. O grupo é comandado com extrema rigidez pelo sargento Rasmussen (Roland Møller), cujo coração está cheio de ressentimento pelos cinco anos de invasão daquele país. Realizador e roteirista do longa, Zandvliet faz um recorte de um momento histórico pouco visitado pelo cinema, que normalmente conta histórias da Guerra ainda em curso. Sua condução mistura drama e suspense, este último nas passagens de incerteza sobre a existência ou não de alguma mina ainda não desarmada. Guerras sempre são uma aberração e nunca existem vencedores de fato, e tal certeza é reforçada aqui, sobretudo quando uma tragédia desperta finalmente um sentimento de empatia.

MEDALHA DE PRATA

Corra! (Jordan Peele, 2016)


A recomendação do título deveria ter sido seguida logo de cara por Chris (Daniel Kaluuya), protagonista de Corra! (Get out, 2016), mas os motivos para tal só vão ficando mais evidentes com o avançar da narrativa. Ele é um rapaz negro; sua namorada, uma garota branca. Quando chega o dia de ela apresentá-lo à família, o receio se instala em sua mente, mas ela diz que os pais não são nada racistas. "Meu pai votou no Obama e votaria de novo se pudesse", diz ela ao rapaz, como se qualquer vestígio de preconceito pudesse ser extinto nessa simples colocação. Uma vez na casa dos futuros sogros, fatos estranhos vão acontecendo, deixando a sensação de um segredo sinistro no ar, como os empregados subservientes demais e os convidados cheios de tiradas questionáveis, como "negro está na moda". Cria do humor, Peele faz uso dele como arma para atirar contra o racismo, sobretudo o que se esconde em discursos aparentemente simpáticos. E adiciona toques de suspense no ambiente da casa, cujos donos escondem propósitos realmente assustadores. Mas não se engane: não é um filme feito para assustar nem é do tipo de recorre a clichês para estruturar sua trama, mas um belo exemplar de cinema inteligente com sequências inspiradas. Houve quem se queixasse da presença do amigo como um desnecessário alívio cômico, mas ele é mais do que isso: é a voz do espectador que deseja alertar o protagonista de que algo não vai bem por ali.

MEDALHA DE BRONZE

Vidas separadas (Delbert Mann, 1958)


Desde a abertura ao som de Separate tables, canção homônima do título original, Vidas separadas se mostra um filme sobre pessoas em desalento, cada qual por suas razões. O cenário é um hotel antigo, no qual seus hóspedes têm longas estadias. Ali se encontram um major (David Niven) com um segredo escandaloso de seu passado, uma jovem (Deborah Kerr) que vive à sombra da mãe castradora e hipócrita, um escritor (Burt Lancaster) se afogando em mágoas e uma mulher (Rita Hayworth) cujo grande medo é envelhecer sozinha. Suas trajetórias se encontram e suas personalidades vão desabrochando aos poucos, num enredo de base teatral, o que fica nítido especialmente pela restrição de espaço - são raras as cenas externas. Os interpretes estão afiados, e seus dramas são quase palpáveis, alguns típicos dos anos 50, a década que precedeu uma revolução comportamental logo depois. Estamos diante de um parente próximo de Douglas Sirk, um melodrama que coloca à mesa discussões importantes, como o lugar da mulher na sociedade. As falas da Sra. Matheson (Cathleen Nesbitt), por exemplo, são reflexo de uma concepção datada, mas ainda vigente na cabeça de algumas pessoas que culpam a mulher por situações de assédio. Após tanta desilusão, porém, o desfecho acena possibilidades agradáveis ao som da mesma canção com que fomos apresentados àquelas vidas.

INÉDITOS

LONGAS


152. Spartacus (Stanley Kubrick, 1960) -> 8.0
153. A guerra está declarada (Valérie Donzelli, 2011) -> 7.0
154. Terra de minas (Martin Zandvliet, 2015) -> 8.0
155. Instinto secreto (Bruce A. Evans, 2007) -> 5.0
156. Partisan (Ariel Kleiman, 2015) -> 4.0
157. Quatro irmãos (John Singleton, 2005) -> 7.0


158. Quando as mulheres esperam (Ingmar Bergman, 1952) -> 7.0
159. Aliados (Robert Zemeckis, 2016) -> 7.5
160. Duro de matar 4.0 (Len Wiseman, 2007) -> 8.0
161. O rio (Tsai Ming-liang, 1997) -> 7.5
162. Corra! (Jordan Peele, 2016) -> 8.0
163. The void (Jeremy Gillespie e Steven Kostanski, 2016) -> 4.0
164. A morte do Sr. Lazarescu (Cristi Puiu, 2005) -> 7.0
165. Vivendo no limite (Martin Scorsese, 1999) -> 6.0


166. Heleno (José Henrique Fonseca, 2011) -> 8.0
167. Minha querida dama (Israel Horovitz, 2014) -> 6.0
168. Pequenos espiões 3D (Robert Rodriguez, 2003) -> 4.5
169. Voo united 93 (Paul Greengrass, 2006) -> 6.0
170. Papillon (Franklin J. Schaffner, 1973) -> 6.5
171. Conto de cinema (Hong Sang-soo, 2005) -> 7.0
172. Shampoo (Hal Ashby, 1975) -> 6.0
173. Uma canção para Carla (Ken Loach, 1996) -> 7.0


174. Missão impossível 3 (J. J. Abrams, 2006) -> 7.0
175. A mentira (Will Gluck, 2010) -> 6.0
176. Fantasia (James Algar, Samuel Armstrong, Ford Beebe, Norman Ferguson e outros, 1940) -> 7.5
177. Astrágalo (Brigitte Sy, 2015) -> 7.0
178. Nise - O coração da loucura (Roberto Berliner, 2015) -> 8.0
179. Vidas separadas (Delbert Mann, 1958) -> 8.0
180. Os viciosos (Abel Ferrara, 1995) -> 7.0
181. Rios vermelhos (Mathieu Kassovitz, 2000) -> 7.0


182. Diamante de sangue (Edward Zwick, 2006) -> 7.0
183. John Wick - Um novo dia para matar (Chad Stahelski, 2017) -> 8.0
184. Comer, rezar, amar (Ryan Murphy, 2010) -> 5.0
185. Jonas (Lô Politi, 2015) -> 4.0
186. Happy times (Zhang Yimou, 2000) -> 7.0
187. Suntan (Argyris Papadimitropoulos, 2016) -> 7.5
188. Solaris (Andrei Tarkovsky, 1972) -> 8.0

CURTAS

O balão do Billy (Don Hertzfeldt, 1998) -> 3.0
Lost in the mountains (Hong Sang-soo, 2009) -> 7.0
Father and daughter (Michael Dudok de Wit, 1998) -> 6.0

REVISTOS

A leste de Bucareste (Corneliu Porumboiu, 2006) -> 8.0
A outra (Woody Allen, 1988) -> 8.0
Retratos de uma obsessão (Mark Romanek, 2002) -> 7.5
Sobre café e cigarros (Jim Jarmusch, 2003) -> 9.0
Pecados íntimos (Todd Field, 2006) -> 8.0

MELHOR FILME: Terra de minas
PIOR FILME: The void/Jonas
MELHOR DIRETOR: Jordan Peele, por Corra!
MELHOR ATRIZ: Maggie Smith, por Minha querida dama
MELHOR ATOR: Rodrigo Santoro, por Heleno
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Cathleen Nesbitt, por Vidas separadas
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Djimon Hounsou, por Diamante de sangue
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Martin Zandvliet, por Terra de minas
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: John Michael Hayes, por Vidas separadas
MELHOR FOTOGRAFIA: Camilla Hjelm, por Terra de minas
MELHOR TRILHA SONORA: Michael Abels, por Corra!
MELHOR CENA: O tiroteio nos espelhos em John Wick - Um novo dia para matar
MELHOR FINAL: Terra de minas

sábado, 27 de maio de 2017

QUINTETO DE OURO - PEDRO ALMODÓVAR

É fácil encontrar informações sobre a vida e a carreira de Pedro Almodóvar com uma rápida pesquisa no mar cibernético. Por isso, os comentários trazidos nesses parágrafos introdutórios não são mais que o resultado de algumas visitas a páginas que já se encarregaram muito bem dessa função. Faz tempo, aliás, que seu nome se tornou uma reconhecida grife, sobretudo entre os amantes do cinema. O próprio Almodóvar já vem assinando seus trabalhos para as telas apenas com o sobrenome, uma forte demonstração de consciência de sua fama. O público de seu país, curiosamente, não lhe dedica o mesmo entusiasmo que o estrangeiro. No Brasil, é referência de criatividade e irreverência com vários títulos em que não economiza críticas sarcásticas a pessoas, comportamentos e instituições. Sem falar nas suas cores, normalmente berrantes e, por isso mesmo, um espetáculo à parte na composição de cenários.

Sua cidade natal é a minúscula Calzada de Calatrava, que, até 2016, tinha pouco mais de 4 mil habitantes. A carreira de realizador se iniciou com curtas-metragens na década de 70, não lançados comercialmente nem no Brasil nem em Portugal. O primeiro longa foi Pepi, Luci, Bom e outras garotas da turma (Pepi, Luci, Bom y otras chicas del montón, 1980), um olhar sobre os personagens do título desprovido de uma trama central. Ao longo da carreira, colecionou alguns musos: Antonio Banderas, Carmen Maura, Marisa Paredes, Cecilia Roth, Rossy de Palma e Penélope Cruz. De Labirinto de paixões (Laberinto de pasiones, 1982) a Julieta (idem, 2016), quase todos os seus filmes contam com a presença de um ou mais desses parceiros. Almodóvar também é responsável pelo roteiro de todos os seus trabalhos, a maioria deles original. 

Há dois momentos claros em sua filmografia: dos primeiros filmes até A flor do meu segredo (La flor de mi secreto, 1995) se verifica uma extravagância visual aliada a personagens mais grotescos e enredos em que diferentes manifestações da sexualidade são focalizados. A partir de Carne trêmula (Carne trémula, 1997) suas obsessões temáticas começam a ganhar roupagem levemente distinta, um tanto mais elegante, por assim dizer, mas não necessariamente menos provocativa e inquieta. A questão dos entrechos sexuais fora do comum ainda volta com força em A pele que habito (La piel que habito, 2011), uma de suas experiências mais soturnas e um dos roteiros baseados na literatura. Era só uma questão de tempo até ele aparecer por aqui, e sua escolha para este mês foi motivada pela sua presença em Cannes como presidente do júri dos longas-metragens da competição principal. Para não me alongar demais, apresento meus cinco favoritos do diretor em ordem cronológica, apontado o que considero justificativa para que cada um deles mereça fazer parte dessa seleção.


1. Mulheres à beira de um ataque de nervos (Mujeres al borde de un ataque de nervios, 1988)


A famigerada opulência cromática almodovariana também está inserida nesse longa, que rendeu ao realizador espanhol uma indicação ao Oscar de melhor filme estrangeiro no ano seguinte à sua concepção. Mas essa característica badalada de seus filmes não é a única a comparecer aqui. Almodóvar também coroa o longa de toda uma passionalidade, narrando, por meio de um roteiro de sua própria autoria, um dia de peripécias na vida de Pepa Marcos (Carmen Maura). Na verdade, Pepa é somente uma das mulheres que se encontra no estado declarado pelos títulos original e em português do filme. Ao longo do filme, os acontecimentos vão se superpondo, o que deixa a nítida sensação de que ele dura ainda menos do que seus enxutos 89 minutos. Almodóvar sabe cruzar os destinos dos personagens de modo inteligente e divertido, mantendo a fidelidade à sua gramática particular e, ainda assim, é capaz de surpreender.  Tudo flui com muita naturalidade e humor na história, e os risos podem ser praticamente inevitáveis. [crítica completa]

2. Ata-me! (¡Átame!, 1990)


Mais um das parcerias com Antonio Banderas, dessa sob a persona de um doido varrido que foge do sanatório em que estava para atazanar uma atriz pornô que conheceu em um bordel. Ao reencontrá-la, percebe que o sentimento não é recíproco e toma uma atitude questionável, como louco que é: sequestrá-la. Uma vez convivendo com ele, a mulher pode se descobrir apaixonada e eles vão viver uma linda de história de amor pelo resto da vida, assim pensa Ricky. Será mesmo? E como a inclinação de Almodóvar é maior para a comédia, as desventuras desse não-casal ganham tintas piadísticas, sem muito compromisso com a verossimilhança. Mesmo porque, como já se disse, o realizador gosta de se valer do cinema como um espaço da extravagância. Some-se a tal aspecto uma passionalidade folhetinesca, e os risos podem ser semeados e colhidos. Ata-me subverte sem a menor cerimônia o conto de fadas, mostrando que os sentimentos humanos podem ser estranhos e surpreendentes. Ainda hoje, é seu melhor encontro com Victoria Abril, com quem voltaria a trabalhar seguidamente em De salto alto (Tacones lejanos, 1991) e Kika (idem, 1993). Na pele de Marina Osorio, ela se mostra especialmente bela.

3. Tudo sobre minha mãe (Todo sobre mi madre, 1999)



Retomei o contato com o último exemplar noventista de Almodóvar este ano, e a qualidade da obra segue depois de um hiato de 7 anos entre uma sessão e outra. Homenagem mais escancarada ao feminino, o longa faz de seu norte a jornada de Manuela (Cecilia Roth), obrigada a um processo de reconstrução depois de um atropelamento que ceifa a vida do filho único. Daí em diante, a trama se revela um daqueles enredos clássicos de acerto de contas com o passado, incluindo um retorno da protagonista à cidade onde passou vários anos e acumulou lembranças que lhe soam incômodas. Além de Roth, duas de suas outras musas aparecem: Marisa Paredes, grandiosa no papel de Huma Rojo e Blanche Dubois (a inserção metalinguística do roteiro), e Penélope Cruz, cuja personagem é o toque de iconoclastia que tanto atravessa a obra do diretor. Sobre o título, uma cena dos primeiros minutos o explica: é uma alusão a All about Eve, nome original de A malvada (1950), a que Manuela e o filho Esteban (Eloy Azorín) assistem. A presença masculina é quase nula, e os poucos homens que surgem estão escondidos sob um visual feminino.

4. Fale com ela (Hable con ella, 2002)


Talvez a peculiaridade mais curiosa de Fale com ela seja a demonstração de uma antítese do seu título ao longo da narrativa. Almodóvar visita o silêncio equilibrando o protagonismo masculino e feminino, o primeiro representado por Marco (Darío Grandinetti) e Benigno (Javier Cámara) e o segundo por Lydia (Rosario Flores) e Alicia (Leonor Watling). Os dois homens se encontram pela primeira vez na plateia de um espetáculo de dança, no qual se sentam lado a lado. As circunstâncias adversas envolvendo suas respectivas amadas voltam a uni-los algum tempo depois, e daí nasce uma amizade tanto improvável quanto bonita, marcada por companheirismo e empatia. Não faltam momentos mais descaradamente almodovarianos, como a viagem de um homem à genitália feminina, e suas cores pulsantes também comparecem aqui, sempre denotadoras de estados de espírito. A trilha de Alberto Iglesias é um alento para os ouvidos, com direito a Caetano Veloso entoando Cucurrucucu paloma, inclusive de corpo presente. No Oscar, foi contemplado com o Globo de Ouro de melhor roteiro original, e causou polêmica com as mortes reais dos touros que aparecem nas sequências do primeiro ato.

5. Volver (idem, 2006)


Um filme sobre a volta. De quem não foi. E de quem tinha ido. E à terra na qual se foi parido. Depois da transpiração de masculinidade vista em Má educação (La mala educación, 2002), Almodóvar retoma sua parceria com Penélope Cruz, iluminada como Raimunda, mãezona capaz de atos insólitos em nome da filha. Na cidade onde os ventos são quase como pessoas que levam e trazem pessoas, ela vive a difícil tarefa de dar conta da própria vida e de vidas ao seu redor - além da filha, ela tem uma irmã e algumas amigas, entre elas uma misteriosa russa (Carmen Maura, outra parceria retomada) que não fala uma palavra de espanhol, mas lava cabelos que é uma beleza. Cheio de momentos marcantes, Volver é o que o realizador sabe fazer de melhor: visitar a alma feminina, quase como se fosse uma delas, e extrair detalhes de suas personalidades tão realistas. Das várias sequências que poderiam ser mencionadas, fico com uma bem mais que especial: Raimunda no centro de uma roda cantando uma música que faz parte de sua vida há anos, acompanhada ao violão e cercada pelos integrantes da equipe de filmagem para a qual trabalha como cozinheira. [crítica completa]

segunda-feira, 1 de maio de 2017

BALANÇO MENSAL - ABRIL

De Wes Craven a Hiroyuki Morita, o mês de abril foi pontuado pelo ecletismo, como tem sido minha prática nos últimos tempos. Dar chance a filmes de nacionalidades, realizadores, temas e épocas diferentes é sempre nutritivo para a dieta cinéfila, ainda que surjam alguns pratos indigestos de vez em quando. Mas não tenho muitas reclamações sobre minhas escolhas dessa vez porque tive sorte de ver ótimos filmes em sequência, e o pódio desse mês veio todo na mesma semana. A expectativa de um 9, da qual falei em março, foi atendida esse mês pelo primeiro lugar do pódio. E foram apenas duas idas ao cinema, e ambas valeram a pena: uma para desopilar o fígado, outra para suspender a respiração. O primeiro filme é a comédia Despedida em grande estilo, que já ganhou crítica, e o segundo foi Fragmentado, volta de M. Night Shyamalan à boa forma. O mês teve poucos nomes badalados: prevaleceram os cineastas em início de carreira, com suas primeiras obras chamando a atenção. Vamos ao trio de melhores seguido da relação completa de títulos vistos e os melhores em certas categorias. Bem, vocês já conhecem o esquema...

PÓDIO

MEDALHA DE OURO

Frantz (François Ozon, 2016)


Ozon completa 50 anos em novembro próximo e está em atividade cinematográfica desde os fim dos anos 90. Essas informações temporais soam relevantes para corroborar a ideia de que o realizador vem amadurecendo e em Frantz essa percepção se mostra bem clara. Retrocedendo quase 100 anos no nosso calendário, sua narrativa acompanha um jovem ex-soldado francês da Primeira Guerra Mundial corroído pela culpa de ter atirado - e assassinado - um inimigo alemão. Tal sentimento motiva sua ida à Alemanha para prestar homenagem sobre o túmulo do falecido, e justamente nesse momento é visto pela jovem com quem o alemão estava para casar. O real envolvimento entre os dois é omitido pelo francês, que acaba bem próximo da jovem e dos ex-futuros sogros dela. Até que ponto maquiar a verdade pode funcionar? Tudo é conduzido com imensa elegância por Ozon, que elegeu o preto e branco para filmar quase todas as cenas, somente quatro delas ganham cores e um significado ainda mais forte no contexto da narrativa. O longa parece vindo da época em que se passa, num belo exemplo de "captura" do espírito de outro tempo. Intérprete do rapaz francês, Pierre Niney lembra muito fisicamente o estadunidense Adrien Brody.

MEDALHA DE PRATA


Aliens - O resgate (James Cameron, 1986)

Resumir a sequência do longa de 1979 a uma só palavra é bem fácil: adrenalina. Sete anos depois de Ridley Scott caprichar no suspense misturado ao horror na viagem ao espaço perturbada por estranhas e malévolas criaturas, James Cameron assumiu as rédeas e injetou muito da substância produzida pelos rins em situações de risco e ameaça. Novamente liderando o elenco, a casca grossa Ellen Ripley é movida por um espírito revanchista e faz afirmações com conhecimento de causa. Afinal, ela sabe exatamente o que se passou 57 anos antes, quando boa parte de sua tripulação foi dizimada por um alienígena. Nessa continuação eles voltam em mais quantidade e surgem dos lugares mais inesperados, gerando correria, tiros e explosões. A respiração do público fica presa em momentos sucessivos, e as mais de duas horas de projeção voam. Assisti à versão do diretor, que dura 153 minutos e valeu a pena: o clima nunca é apenas tenso, mas de perigo real e imediato. Comumente lembrada como uma das mulheres mais bad ass (ou fodonas, em bom português), Ellen Ripley faz muito por onde ser referida com tal antonomásia.

MEDALHA DE BRONZE

Quando os homens são homens (McCabe e Mrs. Miller, 1971)



Nos últimos exemplares de sua filmografia, Altman vinha trabalhando com elencos numerosos e desdobrando histórias simultâneas, muitas vezes com diálogos sobrepostos. Porém, nas primeiras décadas de realização, ele operava com menos nomes e ambos os estilos da narrativa funcionavam maravilhosamente. Em Quando os homens são homens o protagonismo é dividido (inclusive no título original) entre Warren Beatty e Julie Christie, que na época eram um casal. Ele, um forasteiro que chega a uma cidade com espírito empreendedor; ela, uma cortesã que sabe como lidar com os habitantes locais, sobretudo os do sexo masculino. Seus caminhos se cruzam e um romance malfadado se desenha. Os signos do faroeste, gênero por essência violento e de reafirmação de uma masculinidade truculenta, são repensados, fazendo desse longa um anti-western, com um intimismo e um sentimento inesperados. A trilha de Leonard Cohen, canadense com vasto currículo de compositor, ratifica a atmosfera desalentada dessa história de luta individual contra o sistema em nome de um sonho. Daí a beleza triste que emana de toda a narrativa, com seu desfecho na neve fria, epíteto-síntese de um mundo onde falta muito carinho.


INÉDITOS

LONGAS

118. Quadrilha de sádicos (Wes Craven, 1977) -> 6.0
119. ABC do amor (Mark Levin, 2005) -> 7.5
120. Corra, Lola, corra (Tom Tykwer, 1998) -> 7.0
121. O ornitólogo (João Pedro Rodrigues, 2016) -> 5.0
122. Três lembranças da minha juventude (Arnaud Desplechin, 2015) -> 6.0
123. Despedida em grande estilo (Zach Braff, 2016) -> 7.5
124. War on everyone (John Michael McDonagh, 2016) -> 4.0
125. Duro de matar - A vingança (John McTiernan, 1995) -> 7.0



126. Minha cadela Tulipa (Paul Fierlinger e Sandra Fierlinger, 2009) -> 7.0
127. Feitiço da lua (Norman Jewinson, 1987) -> 6.5
128. Pequenos espiões 2 - A ilha dos sonhos perdidos (Robert Rodriguez, 2002) -> 7.0
129. Amores imperfeitos (Marcio de Lemos, 2011) -> 7.0
130. O programa (Stephen Frears, 2015) -> 7.0
131. Retratos de família (Phil Morison, 2005) -> 5.0



132. Quando os homens são homens (Robert Altman, 1971) -> 8.0
133. Aliens - O resgate (James Cameron, 1986) -> 8.5
134. Fragmentado (M. Night Shyamalan, 2016) -> 7.5
135. Frantz (François Ozon, 2016) -> 9.0
136. Missão impossível 2 (John Woo, 2000) -> 6.0
137. Metrópole Manila (Sean Ellis, 2013) -> 8.0
138. Ela volta na quinta (André Novais Oliveira, 2015) -> 7.0
139. Docinho da América (Andrea Arnold, 2016) -> 8.0


140. Terror na ópera (Dario Argento, 1987) -> 8.0
141. Sempre ao seu lado (Lasse Hallström, 2009) -> 8.0
142. Todas as cores da escuridão (Sergio Martino, 1972) -> 7.5
143. Ponte para Terabítia (George Csupo, 2007) -> 8.0
144. Creepy (Kyoshi Kurosawa, 2016) -> 7.5
145. O abismo de um sonho (Federico Fellini, 1952) -> 8.0



146. Longe dos homens (David Oelhoffen, 2014) -> 7.5
147. Todos os sóis (Philippe Claudel, 2011) -> 6.5
148. Taekwondo (Marco Berger e Martín Farina, 2016) -> 7.5
149. As coisas mudam (David Mamet, 1988) -> 7.0
150. Olhos azuis (José Jofilly, 2009) -> 7.0
151. O reino dos gatos (Hiroyuki Morita, 2002) -> 6.0

CURTAS

Poeira de estrelas (Ratimir Rakuljic, 2015) -> 7.0
Pouco mais de um mês (André Novais Oliveira, 2013) -> 7.0

REVISTOS

Eu, meu irmão e nossa namorada (Peter Hedges, 2008) -> 8.0
Os outros (Alejandro Amenábar, 2001) -> 8.5
Prenda-me se for capaz (Steven Spielberg, 2002) -> 8.0
Peixe grande (Tim Burton, 2003) -> 8.0
Filhos da esperança (Alfonso Cuarón, 2006) -> 8.0

MELHOR FILME: Frantz
PIOR FILME: War on everyone
MELHOR DIRETOR: François Ozon, por Frantz
MELHOR ATRIZ: Sigourney Weaver, por Aliens - O resgate
MELHOR ATOR: Warren Beatty, por Quando os homens são homens / James McAvoy, por Fragmentado
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Amy Adams, por Retratos de família
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Shia LaBeouf, por Docinho da América
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: François Ozon e Philippe Piazzo, por Frantz
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: James Cameron, David Giler e Walter Hill, por Aliens - O resgate
MELHOR FOTOGRAFIA: Pascal Marti, por Frantz
MELHOR TRILHA SONORA: Leonard Cohen, por Quando os homens são homens / Docinho da América
MELHOR CENA: O diálogo à beira do rio em Frantz
MELHOR FINAL: Frantz