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terça-feira, 21 de março de 2017

QUINTETO DE OURO - CINEMA JAPONÊS

Resumir um país a cinco filmes é uma ousadia e tanto mas, de vez em quando, sou ousado. Depois de reunir meus preferidos de alguns cineastas, atrizes, décadas, um festival e um ano, chegou a hora de eleger os de que mais gosto da produção cinematográfica japonesa. Como de hábito, aponto os critérios que direcionaram minhas escolhas, uma tentativa de ser menos injusto e mais abrangente. O principal deles foi não repetir diretores, e tentar ficar com o melhor de cada um entre os mencionados. De novo, retorno à ordem cronológica em detrimento da ordem de preferência, mais objetiva e menos alvo de questionamentos, que têm sua validade, porém às vezes cansam um pouco.

Em se tratando dos diretores, não fugi muito do óbvio: comparecem na lista Akira Kurosawa, Hayao Miyazaki e Yasujiro Ozu. Mas, se o óbvio é realmente bom, não há problema algum, e aqui estão eles. Os escolhidos de cada um é que não são exatamente os mais badalados - questão de gosto, afinal. Para espectadores mais habituados com a seara hollywoodiana, vale ampliar os horizontes e visitar o outro lado do mundo por meio das imagens e personagens oferecidos pelo Japão. É um cinema rico em histórias de condução menos melosa que várias do mundo ocidental. O sentimento brota discreto, raramente apoiado em trilhas sonoras movidas a instrumentos de cordas. Um primeiro olhar pode até confundir esse tipo de abordagem com frieza, mas é tão somente um outro jeito de encarar o mundo e estabelecer as relações interpessoais. E lá vamos nós aos meus cinco japas mais queridos.

A rotina tem seu encanto (Yasujiro Ozu, 1962)


O cotidiano é matéria-prima inconteste da cinematografia ozuana, e seu auge talvez seja esse lindo longa cujo título carrega uma mensagem atemporal e alentadora. Ao se dar conta de que a filha dedicou tempo demais da vida a ele, um viúvo começa a engendrar um plano para casá-la, e essa premissa tão simples se dilata por quase duas horas, num fluxo narrativo dócil e comovente. Telespectadores assíduos de um passado recente podem perceber lastros de Ozu em Manoel Carlos, com seus conflitos familiares. O novelista bebia dessa fonte em suas produções e alcançou enorme sucesso junto ao público. Voltando ao Japão, o grande tributário de Ozu se chama Hirokazu Kore-eda, praticante de um cinema prosaico, onde o que menos importa é o que vai acontecer. Até mesmo o virulento e cartunesco Takeshi Kitano já demonstrou seu respeito a Ozu quando concebeu Glória ao cineasta (Kantoku · Banzai!, 2007), cuja estrutura episódica contém momentos de emulação à abordagem daquele realizador. A rotina tem seu encanto e os personagens são uns queridos para guardar na caminhada.

Dersu Uzala (Akira Kurosawa, 1975)


Dersu Uzala é um gracioso convite para uma espécie de volta às origens, em que importavam os valores simples, a comunhão fraterna e o apreço pelos momentos cotidianos. Tudo isso sem qualquer traço de manipulação ou pieguice, fotografado com esmero por Asakazu Nakai e mais dois colaboradores. Para alguns, a narrativa se estende além do necessário, mas esse é um mal de que outro filme do diretor, muito mais celebrado, sofre: Os sete samurais (Shichinin no samurai, 1954), excessivo em retratar uma batalha e sua longa preparação para enfrentá-la, algo de que os fãs, certamente, discordam. O caso de Dersu Uzala, porém, é de um feliz encontro entre um roteiro bem construído, atores em estado de graça, cujas faces desconhecidas para a maior parte do público singularizam-nos e permitem que nossas memórias associem seus nomes aos seus personagens. A propósito do excelente texto, ele é adaptação do livro homônimo do capitão, o que deixa tudo com um sabor mais inesquecível. É maravilhoso saber que, verdadeiramente, houve um Dersu Uzala.

O serviço de entregas da Kiki (Hayao Miyazaki, 1989)


O longa é um registro extremamente fofo das dores e alegrias de viver quando se tem menos de duas dezenas de anos, que vem sob a forma de lembrete para quem já cruzou essa fronteira há mais ou menos tempo. O cuidado de Miyazaki na construção da imagem, bem como a captura de instantes prosaicos que não encontram espaço na esmagadora maioria das animações de outros estúdios, conferem uma qualidade ímpar à sua obra, dotada de uma franca unidade que torna possível começar a visitar sua filmografia por qualquer um dos seus títulos. Todos são viagens maravilhosas a um mundo que não está acessível por outra via que não a da arte, pródiga em recriar a realidade ao bel-prazer ou ao ângulo de visão de seu autor, e inundar retinas ansiosas por composições imagéticas multicoloridas e carregadas de significado. Essa não é apenas uma história sobre deixar de ser criança. É também sobre a descoberta do mundo e suas incoerências, que gritam ou calam a depender do momento, do lugar e da pessoa.

Verão feliz (Takeshi Kitano, 1999)


A filmografia de Takeshi Kitano está fincada em dois sustentáculos básicos: o sadismo violento e o carinho desengonçado. Pertencente ao segundo pilar, Verão feliz evoca os bons sentimentos, como a pureza, a bondade e - por que não? - a paciência em uma nuvem de traquinagens. E elas são cometidas por Kikujirô (vivido pelo próprio Kitano), senhor rabugento que promete a um garotinho levá-lo ao encontro da mãe, com quem o menino quer passar as férias escolares. O caminho até a casa, porém, é cheio de intempéries, sempre causadas pelo destrambelhamento de Kikujirô. Longe da correção política excessiva dos anos 2010 e não necessariamente voltado para o público infantil, o longa é como uma daquelas pessoas que tem coração, mas demonstram seus sentimentos de maneira tão discreta que nem sempre são percebidos de imediato. Cenas hilárias aguardam pelo público, como o acidente com o carro cujo pneu os dois tentam furar com uma tacha.

Pais e filhos (Hirokazu Kore-eda, 2013)


Foi exibido na edição 2013 do Festival de Cannes, e teve uma merecida ótima recepção por lá, indicando que a plateia que frequenta a Croisette também sabe reconhecer um filme de qualidade, e não apenas lançar suas famosas vaias para alguns. Sua maior virtude é acenar para o fato de que laços familiares não são necessariamente sinônimos de laços sanguíneos, e o sentimento de paternidade pode ir além do que constata qualquer exame de DNA. Os casais têm uma noção dessa verdade no início da história, mas vão consolidando o aprendizado na prática, à medida que vão convivendo com um menino e sentindo falta do outro. Ryota é quebrantado em sua maneira de encarar a vida conforme percebe que tem muito a aproveitar da experiência do pai biológico de Keita. Ele mesmo foi criado em parte por uma mulher que não era sua mãe, como o roteiro revela em uma visita que ele faz com o irmão ao seu pai. Em várias passagens, Kore-eda evoca Ozu e deixa no espectador uma certeza: seja aqui, seja no Japão, os laços de família estão para além do sangue que corre nas veias.

domingo, 5 de março de 2017

A corrosão pela culpa visitada em A garota desconhecida

Esqueça a trilha sonora que potencializa o drama. Em A garota desconhecida (La fille inconnue, 2016) não existe espaço para som que não sejam diegéticos, e eles pulsam com tanta ou mais intensidade que melodias de vozes ou instrumentos. Quem está familiarizado com o estilo dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne sabe o quanto essa afirmação é verdadeira, e a fidelidade a esse tipo de cinematografia se traduz em mais um exemplar potencial de sua carreira. Vinte anos depois de terem estreado com A promessa (La promesse, 1996), eles chegaram ao oitavo filme tocando no tema da culpa e do arrependimento, que ganha corpo em Jenny Davin (Adèle Haenel). Médica nos primeiros anos de exercício da profissão, ela gosta de seguir à risca certos códigos de conduta, o que gera faíscas em sua relação com o estagiário Julien (Olivier Bonnaud). É justamente em decorrência de um desses conflitos que surge o impasse da narrativa. 

Acontece que Jenny nega atendimento a uma paciente porque ela aparece na porta uma hora após o fim do expediente: é a tal garota desconhecida do título. O ato repercute em sua consciência depois de uma notícia trágica envolvendo a jovem, e aí começa o périplo da médica, em uma jornada que guarda semelhanças com a da protagonista de Dois dias, uma noite (Deux jours, une nuit, 2014), obra pregressa dos realizadores, um austríaco (Jean-Pierre), outro belga (Luc). À procura de informações que esclareçam fatos sobre a vida dessa garota, Jenny depara com muitas respostas negativas e ocultações, dificultando a montagem de um quebra-cabeça que toma seus dias. É um dos senões apresentados pelo roteiro: ela não tem qualquer vida social, família ou distrações que possam ocupar a mente, e se torna obcecada - por vezes, até mesmo chata - por entender quem é a pessoa que a buscou em vão. Será que não haveria ao menos uma amiga para compartilhar essa inquietude? Nem mesmo seus colegas médicos têm muita participação para travar alguns diálogos com ela sobre o caso.

Esses potenciais informantes, aliás, são participações especiais de atores caros aos diretores. Em momentos diferentes, surgem na tela Fabrizio Rongione, Olivier Gourmet e Jérémie Renier, este último com mais aparições na pele do pai de um dos pacientes de Jenny. Os outros dois vivem um médico veterano e o filho de outro paciente, coadjuvantes de luxo que preenchem a lista de características do modus operandi dardenniano. É pena que todos sejam presenças tão ligeiras, tendo em vista o talento de cada um. O filme acaba sendo mesmo de Haenel, que está longe de ser um estreante, mas ainda aparenta um rosto novo porque a maioria de seus papéis não tem sido de destaque. Raramente filmada de perto, sua Jenny é dominada por um senso de ética e justiça que tem dificuldades de atender, e a jornada dramática na qual se embrenha lhe rouba os sorrisos. Em apenas uma passagem ela abandona rapidamente o semblante sisudo, ao receber uma notícia positiva do (a essa altura) ex-estagiário.


A plateia de Cannes recebeu A garota desconhecida com alto nível de má vontade: emitiram vaias durante a sessão, um claro exagero e uma irresponsabilidade que não deve servir de parâmetro para a qualidade de qualquer filme. Vale lembrar que um certo Pulp fiction (idem, 1994) também foi alvo desse tipo de gritinho... Mas há que se notar o desprestígio antitético lançado aos irmãos, que já faturaram duas vezes a Palma de Ouro, feito raro entre os cineastas (Michael Haneke, Shohei Imamura e Ken Loach são os outros). O gesto, entretanto, veio da ala mais jovem do público, enquanto os críticos com anos de estrada aplaudiram discretamente a projeção, mas parece ter havido consenso de que o longa está aquém dos anteriores da dupla. Um breve olhar para o passado confirma a tese, mostrando que apenas O silêncio de Lorna (Le silence de Lorna, 2008) é mais fraco do que esse. Ainda assim, A garota desconhecida tem seus méritos e vaias cabem a filmes de outro naipe. 

O que talvez tenha faltado aqui seja a capacidade de surpreender ou, principalmente, gerar empatia, habilidade muito bem demonstrada pelos Dardenne tanto em termos de direção como de roteiro - eles sempre se baseiam em textos próprios. A jovem age de modo questionável em mais de uma ocasião. De qualquer modo, o humanismo (ou humanitarismo, para ser mais específico) que emana de Jenny é um significativo puxão de orelha em tempos nos quais a noção de responsabilidade com o outro anda cada vez mais esgarçada. Quem está disposto a se envolver com um drama que não seja o seu? Só por se debruçar em cima dessa indagação A garota desconhecida já merece o seu tempo e a sua atenção. Um outro porém é o desempenho de Haenel, um tanto gelada em sua composição, e acaba sendo irresistível comparar com o carisma absurdo de Marion Cotillard no já mencionado Dois dias, uma noite. Uns anos a mais de experiência teriam feito diferença? Mais velho dos irmãos, Jean-Pierre tentou sintetizar: "Fazemos um cinema simples visualmente, sem adereços, sem excessos de luz, para mostrar que ainda é possível crer na esperança".

7.5/10

quarta-feira, 1 de março de 2017

BALANÇO MENSAL - FEVEREIRO

Ainda não foi dessa vez que o jejum de notas 10 se quebrou. Não importa: houve filmes maravilhosos que chegaram quase lá, e focar apenas em notas é superficial demais. Em mês de Oscar, separei alguns títulos que realmente me interessavam entre os concorrentes e, com exceção de um deles, Moana - Um mar de aventuras, os demais foram belíssimas sessões, dois deles bons o suficiente para constar do pódio do mês. Também foi meu primeiro contato com filmes de ação considerados clássicos, que já tiveram inúmeras sessões na TV: Máquina mortífera e Duro de matar. São realmente muito bons, tanto que já aproveitei e conferi a sequência do primeiro e em março verei a continuação do segundo. Por outro lado, um dos piores filmes da vida apareceu nessa leva, o horroroso Bem perto de Buenos Aires, que só não levou um zero bem redondo por causa de uma única cena bem feita e perdida no conjunto. Logo abaixo, apresento a relação completa do meu fevereiro cinéfilo:

PÓDIO

MEDALHA DE OURO

Manchester à beira-mar (Kenneth Lonergan, 2016)


Cada pessoa é uma soma de acontecimentos, e a narrativa de Manchester à beira-mar reafirma essa concepção com sensibilidade, evitando incorrer no dramalhão pesado. Lonergan exercita seu lado cineasta apenas pela terceira vez, com planos encantadores que mostram Lee como um cara que já teve motivos para sorrir e navegava frequentemente com Joe (Kyle Chandler), o irmão, e Patrick (Lucas Hedges), o sobrinho. Eram momentos ternos e divertidos e Joe adorava contar piadas de tubarão, lembranças que vão e vêm da mente de Lee após seu retorno a Manchester. Essas memórias, a propósito, são distribuídas na trama sem demarcação temporal, num exercício de montagem idêntico ao usado por Woody Allen em Blue Jasmine (idem, 2013), e ajudam a elucidar passagens marcantes que Lee não é mais capaz de verbalizar. [texto completo]


MEDALHA DE PRATA

Santiago (João Moreira Salles, 2007)


Ao receber de alguns amigos suas listas de filmes preferidos de 2007 para a edição deste mês do Quinteto de Ouro, dois deles incluíram Santiago. O fato reacendeu meu interesse pelo documentário em que João Moreira Salles revisita antigas filmagens sobre o ex-mordomo de sua família e compartilha com a audiência conclusões nada animadoras sobre sua pretensão artística. Pouquíssimas vezes o cinema foi tão longe em desnudar sentimentos, bem como um realizador em mostrar o quanto se equivocou em suas intenções. Santiago era um homem riquíssimo - não de dinheiro - e com uma obsessão por antigos nobres de várias partes do mundo - o que o tornou um copista que reuniu 30 mil páginas de biografias, num esforço hercúleo e quixotesco de preservação de memórias. Optando pela ausência de cores, Salles nos entrega uma súmula de seu olhar crítico sobre si mesmo, com reavaliações e constatações sobre aquilo que não muda mais.


MEDALHA DE BRONZE

Toni Erdmann (Maren Ade, 2016)


Por muitas vezes, percebe-se a relação de Ines e Winfried como um intenso morde e assopra. Ela não embarca em seu jeitão bem humorado e solta frases um tanto cruéis quando perguntada com simplicidade sobre estar ou não feliz. Ele, incapaz de reagir na mesma linha, prefere lançar-lhe um olhar conformado, para na cena seguinte tudo parecer perfeitamente normal de novo entre os dois. É assim durante sua visita a ela, até que os humores de ambos definitivamente não se conciliam e ele parte para casa. Seu retorno já é como o insólito Toni Erdmann. Como boa escritora e observadora do ser humano (só assim para justificar a riqueza da trama), Ade oferece camadas de seus personagens, e os desempenhos de Simonischek e Hüller demonstram compreensão desse olhar distante de enviesamentos. [texto completo]


INÉDITOS

LONGAS

43. O garoto (Charles Chaplin, 1921) -> 9.0
44. O vingador do futuro (Paul Verhoeven, 1990) -> 7.5
45. Perigo extremo (Ringo Lam, 1987) -> 8.0
46. Toni Erdmann (Maren Ade, 2016) -> 8.5
47. Máquina mortífera (Richard Donner, 1987) -> 8.0
48. Kick-ass 2 (Jeff Wadlow, 2013) -> 7.0


49. O exercício do poder (Pierre Schöller, 2011) -> 6.0
50. Um crime de mestre (Gregory Hoblit, 2007) -> 6.0
51. Poder sem limites (Josh Trank, 2012) -> 6.0
52. Uma ladra sem limites (Seth Gordon, 2013) -> 6.0
53. Duro de matar (John McTiernan, 1988) -> 8.0
54. Bem perto de Buenos Aires (Benjamín Naishtat, 2014) -> 1.0
55. Manchester à beira-mar (Kenneth Lonergan, 2016) -> 9.0
56. Temporada de caça (Paul Schrader, 1997) -> 7.0


57. Inimigo íntimo (Alan J. Pakula, 1997) -> 7.5
58. Inimigos públicos (Michael Mann, 2009) -> 8.0
59. A proposta (Anne Fletcher, 2009) -> 6.0
60. Outras pessoas (Chris Kelly, 2016) -> 7.0
61. Máquina mortífera 2 (Richard Donner, 1989) -> 8.0
62. A recompensa (Richard Shepard, 2013) -> 6.0
63. Dredd (Pete Travis, 2012) -> 8.0


64. Selvagem (Steve "Spaz" Williams, 2006) -> 4.0
65. Como você sabe (James L. Brooks, 2010) -> 5.5
66. Inferno na torre (John Guillermin e Irwin Allen, 1974) -> 7.0
67. Chevalier (Athina Rachel Tsangari, 2016) -> 5.0
68. Santiago (João Moreira Salles, 2007) -> 9.0
69. Moonlight - Sob a luz do luar (Barry Jenkins, 2016) -> 8.0
70. Operação invasão (Gareth Evans, 2011) -> 8.0
71. Quase 18 (Kelly Fremon Craig, 2016) -> 7.0


72. Um limite entre nós (Denzel Washington, 2016) -> 8.0
73. Moana - Um mar de aventuras (Ron Clements e John Musker, 2016) -> 5.0
74. Irresistível paixão (Steven Soderbergh, 1998) -> 6.5
75. Os estranhos (Bryan Bertino, 2008) -> 7.5
76. Jogo de espiões (Tony Scott, 2001) -> 7.0
77. Le plein de super (Alain Cavalier, 1976) -> 7.0
78. Pequenos espiões (Robert Rodriguez, 2001) -> 7.0
79. Valente (Neil Jordan, 2007) -> 8.0

CURTAS

A loja dos relógios (Wilfred Jackson, 1931) -> 8.5
Coelhinhos engraçadinhos (Wilfred Jackson, 1934) -> 8.0

REVISTOS

Persona (Ingmar Bergman, 1966) -> 10.0
Um alguém apaixonado (Abbas Kiarostami, 2012) -> 8.5
Trapaceiros (Woody Allen, 2000) -> 7.5
Longe do paraíso (Todd Haynes, 2002) -> 9.0

MELHOR FILME: Manchester à beira-mar
PIOR FILME: Bem perto de Buenos Aires
MELHOR DIRETOR: Kenneth Lonergan, por Manchester à beira-mar
MELHOR ATRIZ: Sandra Hüller, por Toni Erdmann
MELHOR ATOR: Casey Affleck, por Manchester à beira-mar
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Michelle Williams, por Manchester à beira-mar
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Mahershala Ali, por Moonlight - Sob a luz do luar
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Kenneth Lonergan, por Manchester à beira-mar
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney, por Moonlight - Sob a luz do luar
MELHOR TRILHA SONORA: Aria Prayogi e Fajar Yuskemal, por Operação invasão
MELHOR FOTOGRAFIA: James Laxton, por Moonlight - Sob a luz do luar
MELHOR CENA: O último diálogo entre Lee e Randi em Manchester à beira-mar
MELHOR FINAL: Toni Erdmann