Pesquisar este blog

domingo, 24 de abril de 2016

Truman e o privilégio de uma amizade incondicional

Amizade e morte, em uma primeira análise, mostram-se como tópicos antagônicos. Entretanto, ambas podem caminhar lado a lado, gerando uma combinação triste, mas não muito rara na vida. Ao se basear nelas, Cesc Gay poderia ter feito de Truman (idem, 2015) um filme triste e deprimente, mas não deixou que isso acontecesse graças à sua habilidade como roteirista (função que divide com Tomás Aragay) e diretor, que vão se mostrando com o avançar do longa. A trama segue os passos de Tomás (Javier Cámara), um homem casado e pai de dois filhos, nascido na Espanha e radicado no Canadá. A parte da amizade se revela quando ele deixa a neve então abundante do local em que escolheu fixar residência para atravessar o oceano para visitar Julián (Ricardo Darín). Assim, de volta à sua Espanha natal, ele procura fazer companhia ao amigo de longa data que, depois de ter travado uma árdua batalha de meses contra um câncer no pulmão, decidiu abdicar do tratamento; aí está a parte da morte. 

É bem verdade que a premissa de Truman já foi usada e reciclada inúmeras vezes não somente no Cinema, mas nas artes em geral. Houve quem postulasse que todas as histórias, no fim das contas, são sobre amor e morte. E aqui também existe muito amor: amor de amigos, que trocam carinhos e palavras carinhosas, que se abraçam e têm intimidade suficiente até para chamar um ao outro de idiota, sobretudo naqueles dias em que as coisas não vão muito bem e acabamos por nos exceder no mau humor, mas o amigo entende que tal reação é coisa de momento e logo tudo passa. A amizade é maior do que as pequenezas e as mazelas a que todos nós somos suscetíveis. Não conhecemos muito da vida pregressa de Julián e Tomás, porém o que vem à tona é suficiente para saber que eles estreitaram bastante os laços. A insistência de Paula (Dolores Fonzi), prima de Julián, contribui para que Tomás visite o amigo e, ao longo de quatro dias, eles vão tentar desfrutar ao máximo da companhia um do outro.

Mas e Truman? Quem é o personagem que dá título ao filme? É o cachorro de Julián, que tem sido seu fiel companheiro nos últimos anos, depois do divórcio e da partida do filho para a Holanda - aliás, é curioso notar que três personagens vivem fora de sua pátria. E o único objetivo de vida de Julián a essa altura é encontrar um lar seguro e amoroso para o cão, que já está com a idade um pouco avançada, e não interessa à maioria das pessoas, que preferem adotar filhotes. Quieto e obediente, ele observa o anoitecer voluntário do seu dono, enquanto Tomás procura demovê-lo da decisão de abandonar o tratamento. O papel é defendido com delicadeza e maturidade por Cámara, um queridinho de Pedro Almodóvar, que costuma lhe entregar personagens homossexuais, como em Tudo sobre minha mãe (Todo sobre mi madre, 1999) e no escrachado Os amantes passageiros (Los amantes pasajeros, 2013). 


Tomás é aquele amigo que todos nós gostaríamos de ter: ainda que tenha passado os últimos anos longe, quando está presente é um bom ouvinte e demonstra toda a generosidade possível - sabendo que o amigo está praticamente falido, não se incomoda em pagar as despesas a cada almoço ou passeio. Sua atuação contida e eficaz foi premiada com o Goya de melhor ator coadjuvante. O filme também levou a melhor nas categorias de roteiro original, ator, filme e diretor: cinco vitórias de seis indicações. Para além de aspectos técnicos, o que encanta em Truman é sua humanidade. Gay parte de uma situação bastante plausível e foge aos esquemas emocionalistas, tanto de texto quanto de trilha sonora (este último, uma mania hollywoodiana; seria possível listar uma penca de títulos com tal defeito), preferindo investir nos olhares e nos gestos que compõem uma amizade, mas também deixa espaço para lindos diálogos. 

Em determinado momento da história, Tomás comenta que tem a sensação de que eles falaram bem pouco no período juntos, mas como espectadores nós testemunhamos vários desabafos e lembranças compartilhadas verbalmente. O que ele sente é o que nós também sentimos com nossos amigos: estar com eles nos deixa tão felizes que, por mais tempo que passemos juntos, a impressão é de que tudo passou rápido demais e ainda poderíamos levar mais um longo tempo conversando, fazendo qualquer coisa com eles ou mesmo desfrutando de um silêncio que não incomoda nem constrange, aquele mesmo que Mia Wallace (Uma Thurman) buscava em Pulp fiction (idem, 1994). Quem não quer um amigo assim? E eles confessam um ao outro o que os anos de amizade ensinaram: Julián destaca a generosidade de Tomás, que vemos ser demonstrada muitas vezes ao longo daqueles quatro dias, enquanto Tomás sublinha a capacidade que Julián tem de lutar; a doença não o deixou abatido.

Se Cámara é um excelente coadjuvante, Darín não faz por menos como protagonista. Requisitadíssimo no cinema argentino há alguns anos, ele atenua seu sotaque daquele país e oferece mais um tipo que poderia facilmente cruzar nosso caminho. Tem um monte de erros dos quais se arrepende, como a traição a um grande amigo com a mulher dele, mas depõe a seu favor a sinceridade e a transparência com que lida com os fatos da vida: a essa altura do campeonato, se dá ao luxo de pular a firulas e assumir o que pensa e sente com mais facilidade, e sobra até para Tomás. A essa honestidade se junta o charme de seus olhos claros e cabelos grisalhos, e temos um homem com virtudes e defeitos valorizando os laços sentimentais, a única coisa que importa nessa reta final de vida. Com sua pegada mansa e amorosa, Truman deixa a certeza de que pessoas vêm e vão, mas grandes amigos a gente carrega para além das circunstâncias. Privilegiados são aqueles que contam com uma amizade incondicional.

9/10

sábado, 23 de abril de 2016

QUINTETO DE OURO - Eric Rohmer

A palavra sempre teve peso e corpo para Eric Rohmer. Ao longo de sua filmografia, o realizador francês se especializou em flagrar aspectos prosaicos da condição humana a partir de longos diálogos, e sua habilidade na condução de tantas conversas impediu que elas se tornassem chatas ou repetitivas. Inicialmente um crítico da lendária revista Cahiers do Cinéma (que existe até hoje), ele integrou o também lendário movimento Nouvelle Vague, mas sempre foi uma espécie de "patinho feio" entre seus membros. Não estava interessado na velocidade dos acontecimentos e em buscar uma linguagem audiovisual rebuscada. 

Todavia, embora tenha preferido seguir um rumo algo classicista na concepção de suas narrativas, ele não se acomodou ao anacronismo, revelando afinidade com questões que perpassam as épocas e chegam aos nossos dias. De O signo de leão (Le signe du lion, 1959) até Os amores de Astrée e Céladon (Les amours d'Astrée et Céladon, 2007), foram seis décadas de produção de qualidade, envolvendo sempre os mesmos temas: a instabilidade dos sentimentos, a busca por um lugar no mundo e as ironias da vida. Dividiu sua obra em blocos: Contos morais, Comédias e provérbios, Contos das quatro estações, compostos de longas e médias.

Rohmer não costumava repetir atores, nem trabalhar com nomes conhecidos do grande público. As exceções foram Béatrice Roman, com quem filmou O joelho de Claire (Le genou de Claire, 1970), Um casamento perfeito (Le bon mariage, 1982) e Conto de outono (Conte d'automne, 1998); Amanda Langlet, que dirigiu em Pauline na praia (Pauline à la plage, 1983) e Conto de verão (Conte d'été, 1996); e Arielle Dombasle, que atuou nos mesmos Um casamento perfeito e Pauline na praia e tambem em A árvore,  o prefeiro e a mediateca (L'arbre, le maire et la médiatèque, 1993). 

Como fã ardoroso da prosa rohmeriana, acho bastante difícil selecionar apenas cinco filmes e apontá-los como meus favoritos entre os vinte a que já assisti. Mas é bem verdade que existem os mais amados entre os amados, e são os que mais me envolveram que listo nesta terceira edição do Quinteto de Ouro. Vamos a eles!

1. Minha noite com ela (1969)


Um homem religioso passa uma noite com a namorada de um amigo, e começa a repensar o sentimento que tinha começado a desenvolver por uma jovem a quem tinha encontrado em uma missa. Calcado nessa sinopse singela, Rohmer traz o típico sujeito cindido que caracteriza sua filmografia. Jean-Louis (Jean-Louis Trintignant) parece respirar certeza até ser confrontado pela inteligência e argúcia de Maud, o tipo de mulher que sacode corações. Ela é perspicaz, uma interlocutora perfeita para alguém tão ávido de respostas quanto ele. Durante toda a noite que passam juntos, Jean-Louis passa por momentos de desconcerto provenientes da capacidade que ela tem de atiçar, desafiando o seu senso de amizade e esmiuçando suas centelhas de fragilidade.

2. O joelho de Claire (1970)


Talvez o único aspecto datado na premissa de O joelho de Claire seja a ânsia do protagonista por ver ao menos a tal parte do corpo presente no título em uma jovem. Em tempos nos quais o envio de nudes já virou parte do cotidiano da maioria, parece difícil de entender seu drama, porém Rohmer usa essa vontade como mero pretexto para alcançar outros degraus na escala do fetiche masculino, então um joelho é apenas um símbolo. A trama se passa às margens do lago Annecy, refúgio campestre belíssimo - aliás, ambientar histórias em cenários rurais era uma recorrência do diretor. Ali, Jerôme (Jean-Claude Brialy) cai no jogo de Claire, uma mocinha cheia de charme que não dá ponto sem nó.

3. Pauline na praia (1983)


Nem só de protagonistas masculinos vivem os filmes de Rohmer. A jovem Pauline (Amanda Langlet, na primeira de suas duas parcerias com o cineasta) é a figura central e a grande interlocutora dos personagens. Em alguns dias à beira-mar, ela testemunha parte das aventuras amorosas da prima mais velha, que parece ter muito a ensinar, mas cujos conselhos são de uma moral questionável. Ao mesmo tempo,  a garota vivencia as primeiras pulsações do seu coração em um ritmo paralelo ao do bombeamento de sangue para o resto do corpo - paixão, afinal. Como em outras produções assinadas por Rohmer, há uma espécie de "momento divã", em que os personagens se desnudam (ou se forjam) em um longo diálogo em volta de uma mesa ou sentados sobre um sofá.

4. O raio verde (1986)


Sabe quando suas expectativas não são plenamente atendidas e você fica com aquela sensação de ausência, mas ao mesmo tempo não sabe explicar exatamente do que sente falta? Quem já teve essa sensação consegue entender Delphine (Marie Rivière) em sua busca pelo contentamento. Vagando por cidades e pessoas, ela dialoga com amigos e não encontra palavras com as quais possa decodificar seu desejo, até que a visão de um pôr do sol em sua reta final parece acalentar seu coração desassossegado. Citado por Julio Verne, o Raio Verde do título aparece em dias de céu limpo: é o último facho de luz do Sol antes do ocaso, fenômeno observável mais facilmente na costa francesa. No cinema de Rohmer, em geral, é assim que os corações alcançam algum tipo de contentamento, aquele de que fala Arthur Rimbaud em um de seus textos, que Rohmer utiliza como epígrafe aqui.

5. Conto de verão (1996)


De volta aos protagonistas masculinos, Rohmer elegeu Melvil Poupaud para interpretar um rapaz de férias em Dinard, balneário que propicia adoráveis idílios. Ele foi ali também por causa da namorada, a quem vai encontrar em breve; nesse ínterim, contudo, acaba conhecendo outra jovem, bela e despachada, que produz algum tipo de movimento em suas estruturas sentimentais. O discurso apresentado pelos personagens, sempre muito prolixos, continuam presentes aqui. Mas não pense que as palavras são excessivamente rebuscadas. Mesmo aos 76 anos - sua idade quando dirigiu o filme - Rohmer exibia capacidade de falar ao coração de forma bem mais jovial e certeira do que o autor desses parágrafos, 50 anos mais novo. De todos os Contos das Quatro Estações, é o mais delicadamente belo.

quinta-feira, 21 de abril de 2016

A juventude, uma coleção de incertezas e reflexões sobre a existência

O que realmente sabemos da vida? Será que o passar dos anos é diretamente proporcional ao aumento da sabedoria ou as dúvidas só se mantêm à medida que vivemos? O senso comum diz que os mais velhos sabem mais e é bom ficar perto deles. Mas até que ponto o saber e a experiência não se confundem? Tais questionamentos brotam da narrativa de A juventude (Youth, 2015), segundo trabalho de Paolo Sorrentino como realizador em língua inglesa. Depois de um breve retorno à sua Itália natal com o estupendo A grande beleza (La grande bellezza, 2013), em que tratou de um protagonista sem papas na língua depois de anos de vida e carreira, ele volta a refletir sobre o peso dos anos na visão de mundo de um indivíduo. 

Dessa vez, porém, as atenções se dividem entre dois homens. Quase octogenários, Mike Boyle (Harvey Keitel) e Fred Ballinger (Michael Caine) são amigos de longa data e, por isso mesmo, conhecem muito um do outro. O passado de ambos mostra um alto comprometimento com a arte: enquanto Mike se dedicou ao Cinema, Fred foi um exigente maestro cujo apego à sua arte sobrepujou o amor e o cuidado com a família. Essa é a grande queixa de Lena (Rachel Weisz), a filha que ainda o visita de vez em quando no exuberante hotel em que ele está passando uma temporada de férias, simplesmente nos Alpes Suíços. 

Em meio à paisagem de cair o queixo, capturada pelas lentes de Luca Bigazzi, mesmo fotógrafo de Cópia fiel (Copie conforme, 2010), o roteiro do próprio Sorrentino discute a finitude e alguns mecanismos de estetização que a sociedade contemporânea impinge aos seus membros, e dá conta dessa empreitada sem cair na armadilha da pretensão. É um feliz casamento entre o visual e o narrativo, da imagem a serviço de uma discussão, e não simplesmente o embelezamento da tela. Esse aspecto do cinema do realizador já havia ficado claro em A grande beleza, até mesmo o título o entrega e, mais uma vez, o olhar do espectador é conduzido por belos ambientes em que a natureza humana se mostra com seus vícios e virtudes. 


Nem Mike nem Fred são homens exemplares, e as fragilidades que aos poucos revelam, como a dúvida corrosiva de um deles sobre o outro ter tido um romance com uma paixão jovial que os dois compartilhavam, confirmam a tese de que as inseguranças perpassam qualquer fase da vida. Aliás, a escolha de Keitel e Caine para dar vida aos protagonistas foi um acerto imenso. Juntar um texto afiado e atores de grande talento reduz praticamente a zero as chances de erro, e foi o que aconteceu aqui. Já fazia algum tempo que não víamos os dois em papéis à sua altura, e essa primeira vez deles contracenando mostra que já poderia ter acontecido antes e mais vezes. Em alguns pontos, Mike e Fred contrastam: o primeiro tem gana e insiste em seu novo filme mesmo sem nada oficializado para as filmagens; o segundo adotou uma postura estoica diante da vida, e as emoções represadas dão vazão a uma certa ironia cortante.

Porém, como se não bastassem os dois gigantes em cena, A juventude ainda reserva a presença luminosa (reforçada pelos cabelos louros e pelo figurino amarelo) de Jane Fonda na pele de uma atriz com quem Mike trabalhou em mais de 10 filmes. Ela entra em cena para destilar toda a ironia de Sorrentino com relação ao Cinema, lançando na cara do protagonista que seu tempo passou e os últimos filmes que fez são horríveis. Diz que é tão sincera pelos anos de amizade dos dois, e ainda vaticina o triunfo da televisão sobre a sétima arte. Tudo isso acontece em uns 10 minutos, no máximo, mas é o suficiente para deixar a sequência memorável, e os jornalistas da imprensa internacional não se esqueceram dela, haja vista sua indicação ao Globo de Ouro, que acabou sendo levado por Kate Winslet, nada fraca em Steve Jobs (idem, 2015).

O time de coadjuvantes é fechado por Paul Dano, outro representante do sarcasmo cinematográfico. Ator marcado pelo papel de um robô, ele se retira no hotel enquanto estuda seu próximo personagem, com o qual espera desconstruir a associação que o público faz com seu nome. O problema está justamente no personagem que ele foi convidado a interpretar, bem como no seu método de estudo para incorporá-lo melhor. Dano é um ator de ótimos recursos, e ainda não recebe a devida estima por parte dos críticos e da plateia. Desde que surgiu como o Dwayne de Pequena Miss Sunshine (Little Miss Sunshine, 2006), atuando a maior parte do tempo somente com a expressão facial e alguns gestos, ele já merecia ser bem observado. E num filme que exalta a beleza, ela aparece encarnada na figura de uma miss que de boba não tem nada: bobos são Mike e Fred, tão velhos, mas ainda capazes de errar e necessitados de redenção.

9/10

segunda-feira, 18 de abril de 2016

14 personagens em 14 anos de estrada cinéfila

Mais um abril chegou, e minha cinefilia segue firme e forte por mais um ano. Convencionei que este é o mês em que comemoro a "oficialização" do meu grande carinho pelo Cinema e, a exemplo dos dos últimos anos, me propus a publicar um artigo que pudesse reunir itens de um determinado tema na mesma quantidade dos anos de paixão fílmica. 

A indecisão ao longo das últimas semanas foi grande, e até pedi sugestões a amigos e colegas igualmente apaixonados por essa arte para chegar à melhor escolha. Curiosamente, minha decisão final foi por um tema em que eu já tinha pensado inicialmente: personagens que me marcaram nesses 14 anos. Assim como tantos outros, é um tema que abre espaço para milhares de escolhas, o que torna a lista a seguir sempre suscetível a revisões e atualizações. Portanto, fica o registro de um momento: os 14 homens e mulheres encarnados nas telas são os que mais têm estado na minha cabeça ultimamente ou há algum tempo e ainda permanecem durante a escrita desse texto.

Gostaria de esclarecer três pontos importantes. O primeiro: meus escolhidos não são todos exatamente modelos de conduta ou caráter, o que significa que não estou de pleno acordo com suas maneiras de ser ou suas atitudes. Do ponto de vista cinematográfico, entretanto, oferecem múltiplas possibilidades e, em última instância, são retratos da natureza humana, sujeita e erros, equívocos, arrependimentos e recomeços. Os personagens marcam sobretudo pelo que têm de humanos e de capacidade de gerar algum tipo de identificação ou catarse. 

O segundo: como sempre afirmo, não me preocupo em montar listas em ordem de preferência; geralmente, opto pela ordem cronológica ou alfabética. Para essa aqui, fiquei com a segunda opção, e sinto que não saberia organizar esses nomes de acordo com o meu grau de interesse, apego, surpresa ou outro sentimento.  

Finalmente, o terceiro ponto: na tentativa de ser um pouco mais igualitário nas escolhas, decidi que não haveria repetição de diretores na lista. A decisão foi pesada, porque vários personagens que amo estão em filmes de um mesmo realizador, Woody Allen que o diga. Mas, um dia, vou criar uma lista só com meus preferidos na vasta filmografia dele. Por ora, ficou apenas um, que também não deixa de ser síntese dos temas e abordagens que ele persegue e com que se sente à vontade há tantos anos. Agora sim, vamos aos nomes!

1. Brandon (Michael Fassbender em Shame, 2011)


Certos personagens são espelhos do tempo em que foram concebidos, funcionando como metonímia de uma época para o bem ou para o mal. A presença de Brandon nessa lista é uma parte da cota de incômodo que certos indivíduos podem trazer; não é fonte de inspiração. Viciado em sexo e, por isso mesmo, inábil na construção e no cultivo de vínculos sentimentais, ele mostra, com sua conduta reprochável, uma sociedade cujas bases estão fincadas no egoísmo e na busca pelo deleite pessoal como o mais importante. E tal priorização não dá paz, como o roteiro do próprio diretor Steve McQueen atesta, sem a menor vergonha que lhe dá título. Fassbender está de corpo e alma no executivo sem controle da própria vida, que degringola de vez com a chegada da irmã para viver um tempo com ele. A cena em que seus olhos vertem discretas lágrimas enquanto ela entoa New York, New York está entre as mais devastadoras já filmadas.

2. Daniele Dominici (Alain Delon em A primeira noite de tranquilidade, 1972)


Um professor de Ensino Médio de métodos heterodoxos e um homem em crise no casamento são duas descrições simplistas do protagonista do melancólico filme assinado por Valerio Zurlini. Mais do que isso, ele é um homem apegado à beleza, que encontra na estonteante figura de Vanina Abati (Sonia Petrovna) um oásis capaz de inundar seu coração desértico. Mas até quando? Em se tratando de humanos, sentimentos podem ser evanescentes e Daniele externa seu desconforto com o mundo em frases duras e pesadas. Aos olhos dos outros, é um casal lindíssimo, mas a aparência esconde as dificuldades de cada um consigo mesmo. Zurlini oblitera alguns conflitos de Daniele e torna elíptica a narrativa de sua trajetória. Em havendo mais a conhecer, mais dúvidas surgem. Não é um personagem fácil. É bastante humano, afinal. E seu olhar desalentado para Vanina dançando na boate sintetiza boa parte do oceano encoberto em que habita.

3. Gelsomina (Giuletta Masina em A estrada da vida, 1954)


Os olhos de Gelsomina são o que ela tem de mais lindo e expressivo não apenas em seu rosto, mas em todo o corpo. A sonhadora mulher que tão bem tipificou o universo felliniano é, antes de tudo, uma forte, cujas ilusões são a quintessência da ingenuidade, até mesmo para a época em que vive. Dá vontade acolhê-la nos braços e livrá-la dos rompantes de Zampanò (Anthony Quinn), que acredita piamente estar fazendo bem a ela quando a tira do convívio familiar para ganhar a vida na estrada, sem paradeiro definido. Através de Gelsomina, Fellini faz poesia doce e otimista, aquela que surge contra a esperança, que se apoia nas fagulhas e dela faz uma fogueira que aquece o coração.

4. Gil Pender (Owen Wilson em Meia-noite em Paris, 2011)



Saudosista de marca maior, Gil Pender é a encarnação daquele pensamento de que as melhores coisas ficaram no passado. Talvez todos nós já tenhamos dito a mesma coisa, mas o desejo do roteirista de pouco prestígio de andar na contramão do tempo é tão intenso que, um belo dia, o tempo vem buscá-lo para um passeio em priscas eras. Então, sua maneira de encarar os lugares e as pessoas muda. Pudera. Quem pode dizer que esteve na companhia de Francis Scott Fitzgerald, bateu um papo com Salvador Dalí ou teve dois dedos de prosa com Ernest Hemingway? Sem falar no caminho cruzado com uns certos Pablo Picasso ou Luis Buñuel. Gil precisa ir ao passado para reconfigurar sua noção de presente que, convenhamos, estava bem tediosa ao lado da noiva fresca (Rachel McAdams). Porque, às vezes, um passo atrás pode significar dois passos à frente.

5. Grace (Nicole Kidman em Dogville, 2003)




Ela chega a Dogville fugindo da perseguição de gângsteres e logo encontra guarida entre os moradores da cidade de cenários sugeridos. Em pouco tempo, os favores pedidos em troca de proteção se tornam cada vez mais pesados e injustos e apenas um habitante parece realmente se compadecer de sua situação. Mais que isso: está envolvido amorosamente com ela. Típica personagens de camadas, Grace ainda é um dos melhores papéis já entregues a Nicole Kidman, rivalizando de perto somente com sua encarnação de Virginia Woolf em As horas. De aparência frágil e uma solicitude desconcertante apresentadas num primeiro momento, ela sacode as estruturas de um local que sintetiza a mesquinhez humana, resultado do roteiro de Lars Von Trier que não se furta de jogar na cara do espectador que somos todos malvados em potencial.

6. Kiki (voz de Minami Takayama em O serviço de entregas da Kiki, 1989)



"Crescer e mudar, não dá pra evitar"... Enquanto há vida, há mudanças, e a pré-adolescente Kiki está tendo cada vez mais certeza dessa máxima que dizem para nós de uma forma ou de outra. Recém-chegada em uma nova cidade com seu inseparável gatinho Jiji, ela quer experimentar o sentimento de pertencer a algum lugar e, quem sabe (figuradamente, é claro), a alguém. As coisas não estão em ordem na sua cabeça fervilhante, e daí vem boa parte da identificação que a garota desperta. Nossos pensamentos frequentemente são uma bagunça, e tantas vezes não se coordenam com as falas e atitudes como deveriam. Depois que passamos da fase em que ela está, conseguimos decifrar em parte o que está acontecendo com ela e cumprimentá-la: bem-vinda ao mundo das incongruências. É aqui que os adultos costumam viver.


7. Leonard Kraditor (Joaquin Phoenix em Amantes, 2008)



Um homem, dois sentimentos. Leonard ainda não superou muito bem uma depressão, e precisa encontrar motivos para seguir em frente na caminhada pela vida. A tarefa parece se tornar mais fácil com a aparição de Michelle (Gwyneth Paltrow), a vizinha de cima que, embora também carregue sua cota de problemas, ou muito provavelmente por isso mesmo, desperta nele um sentimento de querer estar junto e conhecer mais e mais - amor, afinal. Escrito com cuidado e maturidade por James Gray, o protagonista de Amantes é um homem cindido pelas escolhas que faz, e nem sempre as consequências são as que ele espera. Seu cotidiano, mesmo após o encontro com Michelle, está tingido de tonalidades acinzentadas, e sua maior busca é por matizes que destoem dessa paleta.

8. Marianne (Liv Ullmann em Cenas de um casamento, 1973, e Saraband, 2003)



No que se refere às atuações, Liv Ullmann nos deixou várias marcantes. Entretanto, o que estou considerando nessa lista são os personagens, e a que mais me fascinou foi Marianne (embora a Elizabeth de Persona esteja praticamente empatada com ela). O passar dos anos ao lado do marido mais velho formaram seu relicário de vivências e memórias, e uma descoberta nada agradável faz que ela repense todo o tempo ao lado de um homem que, afinal, talvez não conhecesse tão bem quanto supunha. Como tantas outras mulheres de Bergman, é transbordante, passional, mergulha no que sente e experimenta as dores derivadas desse jeito de ser. O coração a engana, mas os laços sentimentais não são uma mentira. É daquelas personagens tão palpáveis e amáveis em suas imperfeições que dá até para dizer que Ullmann estava doando muito de si mesma a Marianne. No reencontro com Johan (Erland Josephson) após algumas décadas, trazendo o peso da velhice, alguns sentimentos se redimensionam.

9. Marty McFly (Michael J. Fox em De volta para o futuro, 1985, De volta para o futuro 2, 1989 e De volta para o futuro 3, 1990)




Quem nunca quis ser Marty McFly pelo menos uma vez na vida? Michael J. Fox realizou esse sonho três vezes, todas devidamente registradas pelas câmeras de Robert Zemeckis, e o jovem que precisa ir e voltar no tempo se tornou um dos ícones da geração 80 que cresceu diante das telas do cinema e da TV. Seja nos anos 50, para impedir que seus pais se desencontrem e seu nascimento permaneça assegurado, seja indo à frente de seu tempo para desfazer os planos de um desafeto, seja no Velho Oeste em uma bela homenagem a um gênero inesquecível, os passeios de McFly têm sabor misto de nostalgia e imaginação. Afinal, passamos de 2015 e nem tudo que o roteiro previa para essa época se concluiu, como os desejados skates voadores. 

10. Mason (Ellar Coltrane em Boyhood, 2014)


Difícil alguém que não foi Mason pelo menos algumas vezes na vida: as incertezas sobre os próximos passos, bem como sobre de que se gosta, permeiam a caminhada de qualquer indivíduo. E o trajeto do garoto é acompanhado da infância ao final da adolescência, tempo suficiente para uma coleção de erros e acertos, construções de pensamentos e revisões de pontos de vista, o que o tornam extremamente próximo de nós e tão nós ao mesmo tempo. Sobretudo aqueles de poucas palavras conseguem se identificar melhor com o menino cujas experiências lhe vão moldando, e o tempo só lhe mostra o quanto não se deixa apreender: passa de segundo em segundo, de minuto em minuto, de ano em ano. E logo 12 anos já se passaram, sem que todas as questões tenham sido resolvidas. E, por vezes, ainda há muitas outras a serem colocadas.

11. Nikolai Luzhin (Viggo Mortensen, em Senhores do crime, 2007)



As várias tatuagens ajudam a contar boa parte da história do motorista de um chefão da máfia russa, com cujo filho desenvolve uma relação ambígua, regida ora pelo ciúme, ora pelo fascínio. Mortensen reprisou sua parceria com David Cronenberg, realizando dois filmes seguidos com o cineasta - eles voltariam a se encontrar dali a quatro anos. Nikolai é um homem de poucas palavras e praticamente nenhuma demonstração de sentimentos, embora se possa sentir sua gana de viver. Caminha da frieza ao cuidado em um piscar de olhos, e luta com as armas que tiver ao seu alcance. A sequência da sauna, em que está completamente despido e, a princípio, vulnerável, é emblemática nesse sentido.

12. Oscar (Denis Lavant, em Holy motors, 2012)


Homem enigmático. Operário da arte. Senhor da esquizofrenia. Difícil demais encapar o protagonista de Holy motors em um único sintagma. De minutos em minutos, ele se transmuta, revelando sua natureza movediça, seja lá porque motivos forem. O manifesto assinado por Leos Carax que instiga e fustiga a capital cinematográfica estadunidense deve boa parte do seu vigor a esse multifacetado. Ele não tem tempo de ser ele mesmo, e seus interlocutores pouco elucidam sobre o que pode haver em seu passado. Independente de quem realmente seja, ele coloca sempre muita verdade no que faz e, de tão crédulos que nos tornamos daquilo que nos mostra, acabamos puxados pelo pé: é mais uma dose cavalar de ficção que acabou de nos ser injetada na veia e nas retinas.

13. Vincent Vega (John Travolta em Pulp fiction, 1994)


Ele entende de cultura pop, e é em seus lábios que o roteirista Quentin Tarantino coloca algumas das melhores tiradas de Pulp fiction. Com sua história embaralhada em meio a outras narrativas, ele vai e vem ao lado de Jules (Samuel L. Jackson), com quem forma uma dupla que esbanja química (e pólvora). Também não falta química em suas horas na companhia de Mia Wallace (Uma Thurman), e a sensacional cena da dancinha toda estilosa coroa o entrosamento desses parceiros de ocasião. Ainda que estejamos falando de um assassino de aluguel, não há como negar que Vincent esbanja carisma e chega a ser desastrado em um momento que poderia não ter acontecido. Culpa do acaso ou de uma mente criativa movendo as peças do jogo? Sem falar que sua reação de perdido quanto à origem da voz de Mia na sala virou um meme multiuso...

14. Violeta (Alessandra Negrini em O abismo prateado, 2011)



Desiludida, Violeta caminha pelas ruas. O homem de sua vida colocou fim ao que ela pensava não ter prazo de validade. Foi uma baita sacanagem, e se recuperar dessa pancada não é nada simples. Atriz de presença forte em tela, Negrini doa seu olhar para a personagem, e as íris marejadas de Violeta sentenciam seu estado de desorientação. A noite é longa, as luzes da cidade ora avermelham, ora branqueiam seu corpo, e a estroboscopia de uma boate produz lusco-fusco sobre ela, numa das sequências mais belas da filmografia do realizador Karim Aïnouz, quiçá nacional. A canção de Chico Buarque foi uma inspiração clara e assumida: o desejo de ser encontrada refeita move os passos de Violeta, mas em se tratando de sentimentos, há sempre a noção de processo imbricada.

sexta-feira, 1 de abril de 2016

BALANÇO MENSAL - MARÇO

O terceiro mês do ano foi um dos recordistas em notas 8. Por uma estranha (e interessante) coincidência, muitos filmes fizeram por onde ganhar essa avaliação que, no meu entendimento, equivale a chamá-los de ótimos. Essa predominância de notas 8 gerou dificuldade na hora de selecionar os componentes do pódio, mas a verdade é que mesmo os filmes aos quais se dá a mesma nota podem ser mais ou menos queridos, quase como se houvesse uma subescala de intensidade de paixão.

Sendo assim, os escolhidos para as medalhas de março não são (apenas) os três melhores do mês, mas os melhores entre os melhores, por assim dizer. Os diretores responsáveis por eles são estreantes no pódio, o que aliás tem se mostrado comum a cada balanço. E, com exceção de John Cassavetes, de quem vi meu quinto filme, os outros dois também são inéditos no meu currículo. Seguem abaixo os parágrafos com minhas impressões sobre os filmes, a lista completa do que vi e os destaques em algumas categorias. A tradição se mantém, afinal.

PÓDIO

MEDALHA DE OURO

O abraço da serpente (Ciro Guerra, 2015)



Ao abdicar das cores, o cineasta mergulha em uma selva de ares míticos e escancara tradições e crenças de um povo de cultura milenar, comumente apontado pelo homem urbano como não civilizado. Econômicos nos diálogos, O abraço da serpente convida muito mais a sentir e a meditar sobre as mazelas humanas, totalmente desvinculadas de tempo ou lugar, e produz imagens de beleza dura e não muito fáceis de descrever. Ao final da sessão, resta um misto de atonia e êxtase com o descortinar selvagem que acabou de se mostrar.

MEDALHA DE PRATA 

Brooklyn (John Crowley, 2015)



O mais singelo dos indicados ao Oscar de melhor filme este ano, mas nem por isso menos emocionante ou capaz de gerar identificação. Saiorse Ronan arrebenta na pele de uma protagonista cindida entre duas pátrias e dois amores, ainda que um deles já tenha tido um tempo de maturação e convivência maior do que o outro. O roteiro é um lindo presente entregue por Nick Hornby, que soube deixar o cinismo e a nerdice de lado - que havia utilizado aos baldes em Alta fidelidade (High fidelity, 2000) - e mostra o quanto um argumento batido pode ser bem trabalhado e cativar o coração. A sequência final está entre as mais lindas dos últimos anos.

MEDALHA DE BRONZE

Amantes (John Cassavetes, 1984)



A tela treme com os filmes de Cassavetes pai. Exumador de feridas sentimentais, o falecido diretor não se furtava de incomodar a audiência com uma narrativa em que a linearidade e a coerência não eram predominantes, como nessa crônica sobre dois irmãos e suas maneiras bem desastradas de amar. Apoiado em uma trilha igualmente inquietante e nos planos claustrofóbicos, ele relembra o sentido primeiro do termo que intitula a obra em português: aqueles que amam. Também dá conta do original, elaborando considerações sobre as cadeias que envolvem aqueles que têm seu pensamento guiado mormente pelo coração.


INÉDITOS

LONGAS

83. Cinco anos de noivado (Nicholas Stoller, 2012) -> 7.0
84. Amantes (John Cassavetes, 1984) -> 8.0
85. Em cada sonho um amor (Gordon Douglas, 1961) -> 6.0
86. O fundo do mar (Damián Szifrón, 2003) -> 7.0
87. Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o filme (Steve Martino, 2015) -> 7.5
88. Grease - Nos tempos da brilhantina (Randal Kleiser, 1978) -> 8.0



89. O abraço da serpente (Ciro Guerra, 2015) -> 8.0
90. 007 contra Goldfinger (Guy Hamilton, 1964) -> 8.0
91. Brookyln (John Crowley, 2015) -> 8.0
92. Todo mundo quase morto (Edgar Wright, 2004) -> 6.0
93. Nascido de uma cegonha (Tony Gatlif, 1999) -> 7.0
94. Kill list (Ben Wheatley, 2011) -> 4.0
95. O fantasma do paraíso (Brian De Palma, 1974) -> 8.0
96. 99 homes (Rhamin Bahrani, 2015) -> 7.5



97. Quero matar meu chefe 2 (Sean Anders, 2014) -> 5.0
98. Matar um homem (Alejandro Fernández Almendras, 2014) -> 7.0
99. Não, minha filha, você não irá dançar (Christophe Honoré, 2009) -> 6.0
100. Esquadrão Classe A (Joe Carnahan, 2010) -> 5.0
101. O bom dinossauro (Peter Sohn, 2015) -> 6.0
102. Cinco graças (Deniz Gamze Ergüven, 2015) -> 7.5
103. Sexo, drogas e jingle bells (Jonathan Levine, 2015) -> 4.0
104. Chico & Rita (Fernando Trueba, Javier Mariscal e Tono Errando, 2010) -> 7.0



105. Gente grande 2 (Dennis Dugan, 2013) -> 1.0
106. Era uma vez na América (Sergio Leone, 1984) -> 8.0
107. O coração fantasma (Philippe Garrel, 1996) -> 7.0
108. Totalmente sem rumo (Steven Brill, 2004) -> 6.0
109. A face de um outro (Hiroshi Teshigahara, 1966) -> 8.0
110. Perseguidor implacável (Don Siegel, 1971) -> 8.0
111. Amor na tarde (Billy Wilder, 1957) -> 7.5
112. Eu não quero dormir sozinho (Tsai Ming-Liang, 2006) -> 7.0
113. Falsa loura (Carlos Reichenbach, 2007) -> 8.0
114. Um tiro no escuro (Blake Edwards, 1964) -> 8.0
115. Cavaleiro de copas (Terrence Malick, 2015) -> 8.0

CURTAS

A história de um urso (Gabriel Osorio Vargas, 2014) -> 7.5
O pulso (José Pedro Goulart, 1997) -> 6.0

REVISTOS

Janela indiscreta (Alfred Hitchcock, 1954) -> 10.0
Zelig (Woody Allen, 1983) -> 9.0
Apenas uma vez (John Carney, 2006) -> 9.0
Os donos da noite (James Gray, 2007) -> 9.0

MELHOR FILME: O abraço da serpente
PIOR FILME: Gente grande 2
MELHOR DIRETOR: Carlos Reichenbach, por Falsa loura
MELHOR ATRIZ: Gena Rowlands, por Amantes
MELHOR ATOR: Peter Sellers, por Um tiro no escuro
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Djin Sganzerla, por Falsa loura
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Michael Shannon, por 99 homes
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Carlos Reichenbach, por Falsa loura
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Nick Hornby, por Brooklyn
MELHOR MONTAGEM: O abraço da serpente
MELHOR FOTOGRAFIA: O abraço da serpente
MELHOR CENA: O plano de abertura de Falsa loura
MELHOR FINAL: Brooklyn