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segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

BALANÇO MENSAL - DEZEMBRO

Hora de dar o adeus definitivo ao ano de 2016 no que se refere ao mundo cinematográfico. Seguem abaixo meus preferidos do mês de dezembro acompanhados de pequenos textos, assim como a relação completa de filmes vistos e revistos, entre longas e curtas, e os que considerei melhores em algumas categorias. Feliz Ano Novo!

PÓDIO

MEDALHA DE OURO

O lamento (Na Hong-jin, 2016)


O cinema de horror é formado por obras legendárias, que habitam o imaginário cinéfilo e são citados com recorrência em listas de melhores ou preferidos. Pois o gênero recebeu mais um integrante de peso em 2016 com a realização de O lamento, que acompanha um inspetor da Polícia à volta com uma misteriosa força espiritual que produz estragos na pequena cidade que habita. Indo longe na exposição do mal e suas facetas, o cineasta e roteirista produz imagens acachapantes, como a do ritual de exorcismo liderado por um xamã a quem o inspetor recorre diante da ineficiência dos métodos aos quais está habituado. Some-se a isso uma direção engenhosa, de planos complexos, e estamos diante de um olhar sobre a importância de não ignorar nem subestimar as artimanhas satânicas.

MEDALHA DE PRATA

Nossa irmã mais nova (Hirokazu Kore-eda, 2015)


Desde os tempos da Grécia Antiga existe a discussão sobre a ficção e como é importante estabelecer um conflito para o andamento da narrativa. Afinal, qual interesse haveria em acompanhar uma história em que nada (?) acontece, cujos personagens vivenciam momentos que qualquer um de nós atravessamos dia após dia? Pois foi essa a escolha de Kore-eda, realizador afeito a examinar os meandros familiares com paciência e carinho. Focado em três irmãs de idades próximas que resolvem se aproximar da irmã adolescente que vivia com o pai delas, o drama é pontuado por situações prosaicas, como uma caminhada despreocupada na praia, e o encantamento por fogos de artifício em uma noite de céu escuro. Yasujiro Ozu teria ficado orgulhoso do discípulo.

MEDALHA DE BRONZE

Sinfonia da necrópole (Juliana Rojas, 2014)


Manuel Bandeira, poeta recifense, chamou a morte de A Indesejada das Gentes. Mas é diretamente com ela que Deodato (Eduardo Gomes) e Jaqueline (Luciana Paes) lidam em sua rotina de trabalho. Afinal, são funcionários de um cemitério. A base insólita de Sinfonia da necrópole serve a um enredo de momentos engraçados sem a menor força, mas também dotados de um sentimento muito próximo de um estado de pureza. O rapaz, um coveiro não muito satisfeito com seu ofício, fica mais animado com a chegada da moça, que abraça a missão de revitalizar o lugar em algumas semanas. Juliana Rojas assina seu primeiro filme solo como diretora - depois de suas parcerias com Marco Dutra - e acerta em cheio nas sequências musicais inesperadas, que fazem as vezes dos diálogos que, apenas falados, teriam sido banais.

INÉDITOS

LONGAS

380. Como roubar um milhão de dólares (William Wyler, 1966) -> 7.5
381. Napoleon Dynamite (Jared Hess, 2004) -> 6.0
382. Terra em transe (Glauber Rocha, 1967) -> 7.0
383. O vale do amor (Guillaume Nicloux, 2015) -> 7.5
384. Kubo e as cordas mágicas (Travis Knight, 2016) -> 8.0
385. Os passos (Luigi Bazzoni e Mario Fanelli, 1975) -> 8.0
386. Party girl (Marie Amachoukeli-Barsacq, Claire Burger e Samuel Theis, 2014) -> 7.0


387. Departure (Andrew Steggall, 2015) -> 6.0
388. Deserto (Jonás Cuarón, 2015) -> 8.0
389. Vou rifar meu coração (Ana Rieper, 2011) -> 7.5
390. O lamento (Na Hong-jin, 2016) -> 9.0
391. A economia do amor (Joachim Lafosse, 2016) -> 7.5
392. Os últimos passos de um homem (Tim Robbins, 1995) -> 8.0


393. A garota de rosa-shocking (Howard Deutch, 1986) -> 6.0
394. A vizinhança do tigre (Affonso Uchoa, 2014) -> 8.0
395. Sinfonia da necrópole (Juliana Rojas, 2014) -> 8.0
396. Amor a toda velocidade (George Sidney, 1964) -> 5.0
397. 007 - O amanhã nunca morre (Roger Spottiswoode, 1997) -> 7.0
398. Um dia perfeito (Fernando León de Aranoa, 2015) -> 6.0
399. Nus na noite (Takashi Ishii, 1993) -> 6.0
400. Pessoas, lugares e coisas (James C. Strouse, 2015) -> 7.5


401. Rogue one: uma história Star Wars (Gareth Edwards, 2016) -> 7.5
402. Sete homens e um destino (Antoine Fuqua, 2016) -> 8.0
403. Baccalauréat (Cristian Mungiu, 2016) -> 8.0
404. O último cine drive-in (Iberê Carvalho, 2015) -> 7.5
405. Sully (Clint Eastwood, 2016) -> 7.0
406. Nossa irmã mais nova (Hirokazu Kore-eda, 2015) -> 8.5
407. Entre as pernas (Manuel Gomez Pereira, 1998) -> 6.0


408. Invasão zumbi (Sang-ho Yeon, 2016) -> 8.0
409. Manglehorn (David Gordon Green, 2014) -> 5.0
410. A tartaruga vermelha (Michael Dudok de Wit, 2016) -> 8.0
411. O ato de matar (Joshua Oppenheimer, 2012) -> 7.0
412. Herança de sangue (Jean-François Richet, 2016) -> 6.5
413. A qualquer custo (David Mackenzie, 2016) -> 7.0

CURTAS

A voz mais rápida do Oeste (Erick Kissack, 2014) -> 7.0
Monsieur Pug (Janet Perlman, 2014) -> 6.0

REVISTOS

Um tiro na noite (Brian De Palma, 1981) -> 8.0
Assassinato em Gosford Park (Robert Altman, 2001) -> 8.0
O homem sem passado (Aki Kaurismäki, 2002) -> 9.0
No decurso do tempo (Wim Wenders, 1976) -> 9.0
Viajo porque preciso, volto porque te amo (Marcelo Gomes e Karim Aïnouz, 2009) -> 8.0

MELHOR FILME: O lamento 
PIOR FILME: Manglehorn
MELHOR DIRETOR: Na Hong-jin, por O lamento
MELHOR ATRIZ: Isabelle Huppert, por O vale do amor
MELHOR ATOR: Sean Penn, por Os últimos passos de um homem
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Judi Dench, por 007 - O amanhã nunca morre
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Jeong-min Hwang, por O lamento
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Na Hong-jin, por O lamento
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Tim Robbins, por Os últimos passos de um homem
MELHOR FOTOGRAFIA: O lamento
MELHOR TRILHA SONORA: Kubo e as cordas mágicas
MELHOR CENA: A travessia no túnel em Invasão zumbi
MELHOR FINAL: Invasão zumbi

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