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sexta-feira, 1 de abril de 2016

BALANÇO MENSAL - MARÇO

O terceiro mês do ano foi um dos recordistas em notas 8. Por uma estranha (e interessante) coincidência, muitos filmes fizeram por onde ganhar essa avaliação que, no meu entendimento, equivale a chamá-los de ótimos. Essa predominância de notas 8 gerou dificuldade na hora de selecionar os componentes do pódio, mas a verdade é que mesmo os filmes aos quais se dá a mesma nota podem ser mais ou menos queridos, quase como se houvesse uma subescala de intensidade de paixão.

Sendo assim, os escolhidos para as medalhas de março não são (apenas) os três melhores do mês, mas os melhores entre os melhores, por assim dizer. Os diretores responsáveis por eles são estreantes no pódio, o que aliás tem se mostrado comum a cada balanço. E, com exceção de John Cassavetes, de quem vi meu quinto filme, os outros dois também são inéditos no meu currículo. Seguem abaixo os parágrafos com minhas impressões sobre os filmes, a lista completa do que vi e os destaques em algumas categorias. A tradição se mantém, afinal.

PÓDIO

MEDALHA DE OURO

O abraço da serpente (Ciro Guerra, 2015)



Ao abdicar das cores, o cineasta mergulha em uma selva de ares míticos e escancara tradições e crenças de um povo de cultura milenar, comumente apontado pelo homem urbano como não civilizado. Econômicos nos diálogos, O abraço da serpente convida muito mais a sentir e a meditar sobre as mazelas humanas, totalmente desvinculadas de tempo ou lugar, e produz imagens de beleza dura e não muito fáceis de descrever. Ao final da sessão, resta um misto de atonia e êxtase com o descortinar selvagem que acabou de se mostrar.

MEDALHA DE PRATA 

Brooklyn (John Crowley, 2015)



O mais singelo dos indicados ao Oscar de melhor filme este ano, mas nem por isso menos emocionante ou capaz de gerar identificação. Saiorse Ronan arrebenta na pele de uma protagonista cindida entre duas pátrias e dois amores, ainda que um deles já tenha tido um tempo de maturação e convivência maior do que o outro. O roteiro é um lindo presente entregue por Nick Hornby, que soube deixar o cinismo e a nerdice de lado - que havia utilizado aos baldes em Alta fidelidade (High fidelity, 2000) - e mostra o quanto um argumento batido pode ser bem trabalhado e cativar o coração. A sequência final está entre as mais lindas dos últimos anos.

MEDALHA DE BRONZE

Amantes (John Cassavetes, 1984)



A tela treme com os filmes de Cassavetes pai. Exumador de feridas sentimentais, o falecido diretor não se furtava de incomodar a audiência com uma narrativa em que a linearidade e a coerência não eram predominantes, como nessa crônica sobre dois irmãos e suas maneiras bem desastradas de amar. Apoiado em uma trilha igualmente inquietante e nos planos claustrofóbicos, ele relembra o sentido primeiro do termo que intitula a obra em português: aqueles que amam. Também dá conta do original, elaborando considerações sobre as cadeias que envolvem aqueles que têm seu pensamento guiado mormente pelo coração.


INÉDITOS

LONGAS

83. Cinco anos de noivado (Nicholas Stoller, 2012) -> 7.0
84. Amantes (John Cassavetes, 1984) -> 8.0
85. Em cada sonho um amor (Gordon Douglas, 1961) -> 6.0
86. O fundo do mar (Damián Szifrón, 2003) -> 7.0
87. Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o filme (Steve Martino, 2015) -> 7.5
88. Grease - Nos tempos da brilhantina (Randal Kleiser, 1978) -> 8.0



89. O abraço da serpente (Ciro Guerra, 2015) -> 8.0
90. 007 contra Goldfinger (Guy Hamilton, 1964) -> 8.0
91. Brookyln (John Crowley, 2015) -> 8.0
92. Todo mundo quase morto (Edgar Wright, 2004) -> 6.0
93. Nascido de uma cegonha (Tony Gatlif, 1999) -> 7.0
94. Kill list (Ben Wheatley, 2011) -> 4.0
95. O fantasma do paraíso (Brian De Palma, 1974) -> 8.0
96. 99 homes (Rhamin Bahrani, 2015) -> 7.5



97. Quero matar meu chefe 2 (Sean Anders, 2014) -> 5.0
98. Matar um homem (Alejandro Fernández Almendras, 2014) -> 7.0
99. Não, minha filha, você não irá dançar (Christophe Honoré, 2009) -> 6.0
100. Esquadrão Classe A (Joe Carnahan, 2010) -> 5.0
101. O bom dinossauro (Peter Sohn, 2015) -> 6.0
102. Cinco graças (Deniz Gamze Ergüven, 2015) -> 7.5
103. Sexo, drogas e jingle bells (Jonathan Levine, 2015) -> 4.0
104. Chico & Rita (Fernando Trueba, Javier Mariscal e Tono Errando, 2010) -> 7.0



105. Gente grande 2 (Dennis Dugan, 2013) -> 1.0
106. Era uma vez na América (Sergio Leone, 1984) -> 8.0
107. O coração fantasma (Philippe Garrel, 1996) -> 7.0
108. Totalmente sem rumo (Steven Brill, 2004) -> 6.0
109. A face de um outro (Hiroshi Teshigahara, 1966) -> 8.0
110. Perseguidor implacável (Don Siegel, 1971) -> 8.0
111. Amor na tarde (Billy Wilder, 1957) -> 7.5
112. Eu não quero dormir sozinho (Tsai Ming-Liang, 2006) -> 7.0
113. Falsa loura (Carlos Reichenbach, 2007) -> 8.0
114. Um tiro no escuro (Blake Edwards, 1964) -> 8.0
115. Cavaleiro de copas (Terrence Malick, 2015) -> 8.0

CURTAS

A história de um urso (Gabriel Osorio Vargas, 2014) -> 7.5
O pulso (José Pedro Goulart, 1997) -> 6.0

REVISTOS

Janela indiscreta (Alfred Hitchcock, 1954) -> 10.0
Zelig (Woody Allen, 1983) -> 9.0
Apenas uma vez (John Carney, 2006) -> 9.0
Os donos da noite (James Gray, 2007) -> 9.0

MELHOR FILME: O abraço da serpente
PIOR FILME: Gente grande 2
MELHOR DIRETOR: Carlos Reichenbach, por Falsa loura
MELHOR ATRIZ: Gena Rowlands, por Amantes
MELHOR ATOR: Peter Sellers, por Um tiro no escuro
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Djin Sganzerla, por Falsa loura
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Michael Shannon, por 99 homes
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Carlos Reichenbach, por Falsa loura
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Nick Hornby, por Brooklyn
MELHOR MONTAGEM: O abraço da serpente
MELHOR FOTOGRAFIA: O abraço da serpente
MELHOR CENA: O plano de abertura de Falsa loura
MELHOR FINAL: Brooklyn

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