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quarta-feira, 1 de março de 2017

BALANÇO MENSAL - FEVEREIRO

Ainda não foi dessa vez que o jejum de notas 10 se quebrou. Não importa: houve filmes maravilhosos que chegaram quase lá, e focar apenas em notas é superficial demais. Em mês de Oscar, separei alguns títulos que realmente me interessavam entre os concorrentes e, com exceção de um deles, Moana - Um mar de aventuras, os demais foram belíssimas sessões, dois deles bons o suficiente para constar do pódio do mês. Também foi meu primeiro contato com filmes de ação considerados clássicos, que já tiveram inúmeras sessões na TV: Máquina mortífera e Duro de matar. São realmente muito bons, tanto que já aproveitei e conferi a sequência do primeiro e em março verei a continuação do segundo. Por outro lado, um dos piores filmes da vida apareceu nessa leva, o horroroso Bem perto de Buenos Aires, que só não levou um zero bem redondo por causa de uma única cena bem feita e perdida no conjunto. Logo abaixo, apresento a relação completa do meu fevereiro cinéfilo:

PÓDIO

MEDALHA DE OURO

Manchester à beira-mar (Kenneth Lonergan, 2016)


Cada pessoa é uma soma de acontecimentos, e a narrativa de Manchester à beira-mar reafirma essa concepção com sensibilidade, evitando incorrer no dramalhão pesado. Lonergan exercita seu lado cineasta apenas pela terceira vez, com planos encantadores que mostram Lee como um cara que já teve motivos para sorrir e navegava frequentemente com Joe (Kyle Chandler), o irmão, e Patrick (Lucas Hedges), o sobrinho. Eram momentos ternos e divertidos e Joe adorava contar piadas de tubarão, lembranças que vão e vêm da mente de Lee após seu retorno a Manchester. Essas memórias, a propósito, são distribuídas na trama sem demarcação temporal, num exercício de montagem idêntico ao usado por Woody Allen em Blue Jasmine (idem, 2013), e ajudam a elucidar passagens marcantes que Lee não é mais capaz de verbalizar. [texto completo]


MEDALHA DE PRATA

Santiago (João Moreira Salles, 2007)


Ao receber de alguns amigos suas listas de filmes preferidos de 2007 para a edição deste mês do Quinteto de Ouro, dois deles incluíram Santiago. O fato reacendeu meu interesse pelo documentário em que João Moreira Salles revisita antigas filmagens sobre o ex-mordomo de sua família e compartilha com a audiência conclusões nada animadoras sobre sua pretensão artística. Pouquíssimas vezes o cinema foi tão longe em desnudar sentimentos, bem como um realizador em mostrar o quanto se equivocou em suas intenções. Santiago era um homem riquíssimo - não de dinheiro - e com uma obsessão por antigos nobres de várias partes do mundo - o que o tornou um copista que reuniu 30 mil páginas de biografias, num esforço hercúleo e quixotesco de preservação de memórias. Optando pela ausência de cores, Salles nos entrega uma súmula de seu olhar crítico sobre si mesmo, com reavaliações e constatações sobre aquilo que não muda mais.


MEDALHA DE BRONZE

Toni Erdmann (Maren Ade, 2016)


Por muitas vezes, percebe-se a relação de Ines e Winfried como um intenso morde e assopra. Ela não embarca em seu jeitão bem humorado e solta frases um tanto cruéis quando perguntada com simplicidade sobre estar ou não feliz. Ele, incapaz de reagir na mesma linha, prefere lançar-lhe um olhar conformado, para na cena seguinte tudo parecer perfeitamente normal de novo entre os dois. É assim durante sua visita a ela, até que os humores de ambos definitivamente não se conciliam e ele parte para casa. Seu retorno já é como o insólito Toni Erdmann. Como boa escritora e observadora do ser humano (só assim para justificar a riqueza da trama), Ade oferece camadas de seus personagens, e os desempenhos de Simonischek e Hüller demonstram compreensão desse olhar distante de enviesamentos. [texto completo]


INÉDITOS

LONGAS

43. O garoto (Charles Chaplin, 1921) -> 9.0
44. O vingador do futuro (Paul Verhoeven, 1990) -> 7.5
45. Perigo extremo (Ringo Lam, 1987) -> 8.0
46. Toni Erdmann (Maren Ade, 2016) -> 8.5
47. Máquina mortífera (Richard Donner, 1987) -> 8.0
48. Kick-ass 2 (Jeff Wadlow, 2013) -> 7.0


49. O exercício do poder (Pierre Schöller, 2011) -> 6.0
50. Um crime de mestre (Gregory Hoblit, 2007) -> 6.0
51. Poder sem limites (Josh Trank, 2012) -> 6.0
52. Uma ladra sem limites (Seth Gordon, 2013) -> 6.0
53. Duro de matar (John McTiernan, 1988) -> 8.0
54. Bem perto de Buenos Aires (Benjamín Naishtat, 2014) -> 1.0
55. Manchester à beira-mar (Kenneth Lonergan, 2016) -> 9.0
56. Temporada de caça (Paul Schrader, 1997) -> 7.0


57. Inimigo íntimo (Alan J. Pakula, 1997) -> 7.5
58. Inimigos públicos (Michael Mann, 2009) -> 8.0
59. A proposta (Anne Fletcher, 2009) -> 6.0
60. Outras pessoas (Chris Kelly, 2016) -> 7.0
61. Máquina mortífera 2 (Richard Donner, 1989) -> 8.0
62. A recompensa (Richard Shepard, 2013) -> 6.0
63. Dredd (Pete Travis, 2012) -> 8.0


64. Selvagem (Steve "Spaz" Williams, 2006) -> 4.0
65. Como você sabe (James L. Brooks, 2010) -> 5.5
66. Inferno na torre (John Guillermin e Irwin Allen, 1974) -> 7.0
67. Chevalier (Athina Rachel Tsangari, 2016) -> 5.0
68. Santiago (João Moreira Salles, 2007) -> 9.0
69. Moonlight - Sob a luz do luar (Barry Jenkins, 2016) -> 8.0
70. Operação invasão (Gareth Evans, 2011) -> 8.0
71. Quase 18 (Kelly Fremon Craig, 2016) -> 7.0


72. Um limite entre nós (Denzel Washington, 2016) -> 8.0
73. Moana - Um mar de aventuras (Ron Clements e John Musker, 2016) -> 5.0
74. Irresistível paixão (Steven Soderbergh, 1998) -> 6.5
75. Os estranhos (Bryan Bertino, 2008) -> 7.5
76. Jogo de espiões (Tony Scott, 2001) -> 7.0
77. Le plein de super (Alain Cavalier, 1976) -> 7.0
78. Pequenos espiões (Robert Rodriguez, 2001) -> 7.0
79. Valente (Neil Jordan, 2007) -> 8.0

CURTAS

A loja dos relógios (Wilfred Jackson, 1931) -> 8.5
Coelhinhos engraçadinhos (Wilfred Jackson, 1934) -> 8.0

REVISTOS

Persona (Ingmar Bergman, 1966) -> 10.0
Um alguém apaixonado (Abbas Kiarostami, 2012) -> 8.5
Trapaceiros (Woody Allen, 2000) -> 7.5
Longe do paraíso (Todd Haynes, 2002) -> 9.0

MELHOR FILME: Manchester à beira-mar
PIOR FILME: Bem perto de Buenos Aires
MELHOR DIRETOR: Kenneth Lonergan, por Manchester à beira-mar
MELHOR ATRIZ: Sandra Hüller, por Toni Erdmann
MELHOR ATOR: Casey Affleck, por Manchester à beira-mar
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Michelle Williams, por Manchester à beira-mar
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Mahershala Ali, por Moonlight - Sob a luz do luar
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Kenneth Lonergan, por Manchester à beira-mar
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Barry Jenkins e Tarell Alvin McCraney, por Moonlight - Sob a luz do luar
MELHOR TRILHA SONORA: Aria Prayogi e Fajar Yuskemal, por Operação invasão
MELHOR FOTOGRAFIA: James Laxton, por Moonlight - Sob a luz do luar
MELHOR CENA: O último diálogo entre Lee e Randi em Manchester à beira-mar
MELHOR FINAL: Toni Erdmann

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