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quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

MELHORES FILMES, DIRETORES E ATUAÇÕES DE 2016

Parece que foi ontem que eu estava diante da tela do laptop redigindo os artigos com meus preferidos do cinema em 2015. Mas já faz 1 ano! Além de significar que o ano passou voando - constatação bastante óbvia, por sinal -, esse período transcorrido indica também que é tempo de reunir em uma única publicação o que mais amei entre janeiro e dezembro - também é uma constatação óbvia...

Obviedades à parte, aquele misto de prazer e tortura que envolve a composição de listas de melhores trouxe como resultado mais uma leva de 15 filmes, a exemplo do que venho fazendo desde 2012 (e publicando em forma de artigo desde 2013). Em comparação com os anos anteriores, creio que este foi mais fraco em termos de lançamentos. Afora a clássica temporada de filmes do Oscar, que costuma ser no primeiro trimestre, o restante do ano foi pontilhado por um e outro grande filme, o que tornou a montagem da lista de 2016 um pouco menos trabalhosa. Apenas 1 ou 2 títulos não couberam na seleção final, que apresento junto com o grupo de cineastas que mais acertou em seus longas.

Reforço que, como sempre, o requisito objetivo para integrar minhas listas é ser um filme lançado no circuito comercial brasileiro. Moro no Rio de Janeiro e sou relativamente privilegiado no que se refere a filmes em cartaz, já que muitos deles chegam aqui, ainda que com certo atraso. Consigo imaginar a dificuldade de um cinéfilo morador de cidades como Ribeirão Preto, Ponta Grossa ou Quixadá, só para citar lugares distantes das capitais. Ainda assim, o circuito carioca é bastante afunilado, e cabe ratificar esse problema e a esperança de que melhore no próximo ano. 

Um detalhe que difere essa retrospectiva das anteriores é que optei por não separar os atores e atrizes em principais e coadjuvantes. A exemplo do que se pratica no Festival de Cannes, que concede os prêmios de interpretação feminina e masculina, reúno aqui 10 nomes de cada sexo, e assim está formada a primeira de duas partes das revisitas aos que mais amei ao longo de 2016. 

FILMES

1. Aquarius (Kleber Mendonça Filho

Sobre as memórias e os afetos de quem fica.


2. Truman (Cesc Gay

Com sua pegada mansa e amorosa, deixa a certeza de que pessoas vêm e vão, mas grandes amigos a gente carrega para além das circunstâncias. Privilegiados são aqueles que contam com uma amizade incondicional.



3. As montanhas se separam (Jia Zhang-ke

Celebra o poder da imagem e do som com momentos de beleza embevecedora. Melodrama tríptico que brinca com os formatos de tela e faz meditar sobre a ocidentalização chinesa, bem como sobre a universalidade dos sentimentos.



4. Anomalisa (Charlie Kaufman e Duke Johnson)  

Humanidade que incomoda.



5. Deus branco (Kornél Mundruczó

A metáfora poderosa e acessível reverbera do começo ao fim como um triste emblema de nossos tempos. É preciso amplificar as doces melodias e silenciar os grunhidos cruéis. 


6. A juventude (Paolo Sorrentino

Sorrentino volta a deslumbrar retinas e a produzir sentidos usando signos imagéticos. Os anos passam e o que realmente sabemos?



7. O lamento (Na Hong-jin

Após uma toada algo cômica de uns quarenta minutos, desvia a rota para um suspense estarrecedor, com algumas das sequências mais bem filmadas desde sabe-se lá quando. Uma narrativa para ficar remoendo na memória.


8. Boi neon (Gabriel Mascaro)  

Nordeste sensorial segundo Mascaro.


9. Café society (Woody Allen)  

Allen volta a apostar no tom jocoso para ratificar seu discurso sobre o quanto somos instáveis. Os ecos de outros títulos de sua longa carreira conferem deliciosa intertextualidade.


10. Capitão Fantástico (Matt Ross)  

Mortensen entrega mais uma atuação certeira e o elenco infantojuvenil também segura o rojão muito bem. Belo achado do roteiro lançar a dúvida sobre o pai: um homem exemplar ou uma péssima referência para os filhos?



11. Elle (Paul Verhoeven)  

Michèle é exímia jogadora, por isso move os peões com facilidade a seu bel-prazer, e teve a intérprete certa para ganhar vida. Feliz encontro de um diretor possante com uma atriz entregue.



12. Certo agora, errado antes (Hong Sang-soo)   

Desses acasos da vida que vão e vem...



13. Os oito odiados (Quentin Tarantino)  

Pelas mãos desse octeto nada dócil, sangue e neve se misturam com incrível facilidade. Tarantino segue prolixo, mas envolve a plateia como um legítimo ás do diálogo.



14. Julieta (Pedro Almodóvar

O humor praticamente ausente deixa o melodrama fluir com impressionante organicidade, ratificando Almodóvar como um contador de histórias exemplar. Dessa vez, escolheu abordar o perdão: ao outro e a si mesmo.


15. O regresso (Alejandro González-Iñárritu) 

Uma ode selvagem à sobrevivência. E para onde a vingança leva?


DIRETORES

Na Hong-jin (O lamento

Jia Zhang-ke (As montanhas se separam)  

Hong Sang-soo (Certo agora, errado antes)   

Quentin Tarantino (Os oito odiados)

Paul Verhoeven (Elle)



ATUAÇÕES FEMININAS

Sonia Braga (Aquarius)  

Isabelle Huppert (Elle)

Kate Winslet (Steve Jobs)

Jennifer Jason Leigh (Os oito odiados)

Amy Adams (A chegada)



Jane Fonda (A juventude)

Maeve Jinkings (Boi neon)  

Cate Blanchett (Carol)

Dolores Fonzi (Paulina)

Agata Kulesza (Agnus Dei)


ATUAÇÕES MASCULINAS

Samuel L. Jackson (Os oito odiados)  

Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)

Jeong-min Hwang (O lamento)

Kurt Russell (Os oito odiados)

Ricardo Darín (Truman)


Juliano Cazarré (Boi neon

Sylvester Stallone (Creed - Nascido para lutar)

Javier Cámara (Truman)

Tom Hardy (O regresso)

Vincent Lindon (O valor de um homem)


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