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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

BALANÇO MENSAL - SETEMBRO

É hora de apresentar todos os títulos que compuseram o meu setembro cinéfilo, com destaque para os três melhores no pódio. É difícil selecionar apenas um trio quando alguns outros receberam a mesma nota. Mas cinéfilos habituados a avaliar filmes com algum tipo de critério sabem muito bem que uma mesma nota pode refletir diferentes gradações de entusiasmo e paixão por um filme. Assim sendo, abraço mais do que nunca a brevidade e parto logo para os melhores do mês que passou, seguidos pelos 40 filmes, entre longas inéditos e revistos e curtas. Até novembro!

MEDALHA DE OURO

Que horas ela volta? (Anna Muylaert, 2014)


Apesar de sua delimitação espaço-temporal clara, Que horas ela volta? não restringe seu espectro de abrangência, e toca o dedo em feridas abertas, pregando peças em seu público. Afinal, se partimos do princípio de que Jéssica é uma abusada sem noção, podemos ser considerados reacionários incapazes de aceitar uma reorganização das relações sociais (e convenhamos que é a mentalidade vigente em muitas cabeças do Brasil, muitas delas com as quais convivemos), carentes de uma revisão urgente. Junto a Casa grande (idem, 2014), irmão do qual foi separado na maternidade e que também aborda o tema da divisão social, o longa de Muylaert vai bem além de um drama sobre mãe e filha em processo de reconciliação: é um maravilhoso exemplo de como o micro repercute no macro. [...]

Crítica completa aqui

MEDALHA DE PRATA


Identificação de uma mulher (Michelangelo Antonioni, 1982)

O Cineasta do Silêncio perderia a voz três anos depois de ter filmado esse cruzamento de ode com elegia sobre a alma feminina. Embora seu protagonista seja um diretor de Cinema , cada cena é impregnada da inquietação de mulheres que atravessaram seu caminho e, de alguma maneira, o transpassaram. Como de hábito em Antonioni, não se trata de um filme fácil ou palatável: diálogos escassos e ação quase nula desafiam o tempo a passar diante da tela e semeiam um desconforto que, em última instância, jaz na condição humana entregue ao ceticismo e ao meramente terreno. O mesmo realizador que já havia flagrado a frivolidade moderna (já nem tão moderna assim) é o mesmo que perscruta as incongruências do amor ou de um sentimento que engana ao soar parecido com ele.

MEDALHA DE BRONZE


Tempo de diversão (Jacques Tati, 1967)

Tempo de diversão não é apenas um projeto megalomaníaco de Tati, mas uma comédia de costumes afiadíssima que dá na cara da sociedade a cada nova passagem em que turistas e parisienses se atrapalham e se desencontram, fica evidente o quanto o caos citadino já se incorporou em nosso DNA. Quase sempre abrindo mão de diálogos e trazendo de volta o Sr. Hulot de Meu tio (Mon oncle, 1958), carismático e elegante em sua economia verbal de proporção inversa à perspicácia, ele não livra a cara de ninguém, e mostra humor com humanidade, super na contramão de Charlies Hebdos da vida. E, a essa altura, gente esperta já deve ter notado que ironia é o que não falta ao título...

LONGAS

INÉDITOS

1. Alma em pânico (Otto Preminger, 1952) -> 7.5
2. Medo e delírio (Terry Gilliam, 1998) -> 4.0
3. Que horas ela volta? (Anna Muylaert, 2015) -> 9.0
4. Os reis da rua (David Ayer, 2008) -> 7.0
5. Estrela de fogo (Don Siegel, 1960) -> 6.5
6. Família rodante (Pablo Trapero, 2004) -> 7.5
7. Eu posso ouvir o oceano (Tomomi Mochizuki, 1993) -> 7.0
8. Sussurros do coração (Yoshifumi Kondo, 1995) -> 8.0


9. O quarto homem (Paul Verhoeven, 1983) -> 7.0
10. Procura-se Amy (Kevin Smith, 1997) -> 6.0
11. Na próxima, acerto no coração (Cédric Anger, 2014) -> 6.0
12. As três noites de Eva (Preston Sturges, 1941) -> 7.0
13. Um longo fim de semana (Colin Eggleston, 1978) -> 7.5
14. E Deus criou a mulher (Roger Vadim, 1956) -> 6.0


15. Vive l'amour (Tsai Ming-liang, 1994) -> 7.5
16. A música nunca parou (Jim Kohlberg, 2011) -> 7.5
17. Música do coração (Wes Craven, 1999) -> 6.0
18. Letra e música (Marc Lawrence, 2007) -> 6.0
19. Vagas estrelas da Ursa (Luchino Visconti, 1965) -> 8.0
20. Identificação de uma mulher (Michelangelo Antonioni, 1982) -> 8.0
21. O que você faria? (Marcelo Piñeyro, 2005) -> 7.0
22. Serpentes a bordo (David R. Ellis, 2006) -> 7.5


23. Alice não mora mais aqui (Martin Scorsese, 1974) -> 7.5
24. Os maridos (John Cassavetes, 1970) -> 8.0
25. A fúria (Brian De Palma, 1978) -> 7.0
26. Fuga de Los Angeles (John Carpenter, 1997) -> 7.5
27. Vizinhos imediatos de 3º grau (Akiva Schaffer, 2012) -> 6.5
28. Palavras ao vento (Douglas Sirk, 1956) -> 7.5
29. Onde começa o inferno (Howard Hawks, 1959) -> 8.0
30. Tempo de diversão (Jacques Tati, 1967) -> 8.0
31. Magic Mike XXL (Gregory Jacobs, 2015) -> 5.0


32. Zumbilândia (Ruben Fleischer, 2009) -> 7.0
33. Mulher nota 1000 (John Hughes, 1985) -> 7.0
34. Iris (Richard Eyre, 2001) -> 7.0
35. Eden (Mia Hansen-Løve, 2014) -> 7.0
36. Um dia de fúria (Joel Schumacher, 1993) -> 7.5
37. Eles voltam (Marcelo Lordello, 2012) -> 6.0

REVISTOS

De olhos bem fechados (Stanley Kubrick, 1999) -> 8.0
Encontros e desencontros (Sofia Coppola, 2003) -> 7.5

CURTAS

O banquete (Patrick Osborne, 2014) -> 7.0
A velha senhora e os pombos (Sylvain Chomet, 2003) -> 7.0
A fábrica (Aly Muritiba, 2011) -> 7.0

MELHOR FILME: Que horas ela volta?
PIOR FILME: Medo e delírio 
MELHOR DIRETOR: Jacques Tati, por Tempo de diversão
MELHOR ATRIZ: Regina Casé, por Que horas ela volta?
MELHOR ATOR: Michael Douglas, por Um dia de fúria
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Karine Telles, por Que horas ela volta?
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Lourenço Mutarelli, por Que horas ela volta?
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Anna Muylaert, por Que horas ela volta?
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: George Zuckerman, por Palavras ao vento
MELHOR TRILHA SONORA: A música nunca parou
MELHOR CENA: O telefonema da piscina em Que horas ela volta?
MELHOR FINAL: Onde começa o inferno

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