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segunda-feira, 1 de junho de 2015

BALANÇO MENSAL - MAIO

A correria da vida, às vezes, não facilita, mas continuo sempre dando um jeito de assistir a filmes todos os dias, e são raros os períodos de 24 horas em brancas nuvens no que se refere a Cinema. O destaque absoluto desse balanço de maio é minha primeira nota 10 do ano, que não ter aparecido até então já me deixava pensativo: estaria eu ainda mais exigente ou os filmes é que não vinham mesmo apresentando qualidades à altura dessa nota máxima? Ainda não sei qual das duas alternativas é a correta, ou mesmo se existe uma terceira que justifique melhor a raridades dos 10 em 2015, mas o importante é que ainda há bons filmes vistos e outros bons para se ver.

O diretor responsável por tal honraria é Roy Andersson, e a medalha de ouro, indiscutivelmente, vai para seu filme, com o qual quebrou um jejum de sete anos sem dirigir. Como já escrevi uma crítica completa para o longa, abaixo segue apenas um trecho do texto, bem como o link para quem quiser lê-lo na íntegra. Outros nomes importantes marcaram presença no meu maio cinéfilo, como Martin Scorsese, que abriu os trabalhos do mês em sua penúltima parceria com Robert DeNiro, que também apareceu sob a batuta de Michael Mann em dobradinha explosiva com Al Pacino, assim como Jules Dassin, Jerzy Skolimovski, René Clement e Douglas Sirk. Vamos ao balanço!

MEDALHA DE OURO

Um pombo pousou num galho refletindo sobre a existência (Roy Andersson, 2014)


À estaticidade da câmera se junta uma caraterização fantasmagórica dos personagens. É bem verdade que os suecos, em sua maioria, já têm pele alva por natureza, mas a maquiagem usada aqui os embranqueceu ainda mais. É como se fossem defuntos ainda de pé, e alguns deles acabam se tornando defuntos de verdade logo nos primeiros planos, os únicos que receberam título: Encontro com a morte nº 1, 2 e 3. Do início ao fim, as cenas reúnem desde aspectos corriqueiros da vida humana até momentos de genuíno surrealismo, evidenciando uma abordagem apartada de qualquer objetividade, a vocação da arte, afinal. Por mais surreal que sejam as cenas, porém, cada uma delas é passível de identificação pelo que trazem de sentimentos universais: dor, mágoa, esperança, tristeza, carinho. Sem falar na melancolia escandinava, um modo de encarar a vida que parece tipificar os habitantes daquela região do globo.


MEDALHA DE PRATA

Operação França (William Friedkin, 1971)


Carregando consigo a péssima fama de ter roubado o Oscar de melhor filme de Laranja mecânica, este aqui esbanja méritos, cooptando seu espectador para um universo lúgubre, onde os grandes impérios são feitos de pó. Na rotina dos policiais interpretados por Gene Hackman (também devidamente oscarizado) e Roy Scheider, os momentos de tédio e correria se alternam, e a câmera compenetrada de Friedkin registra tudo em ângulos alucinantes. Entre os momentos memoráveis, está a perseguição no metrô, em que a lei e o crime agem feito gato e rato, até que um deles leva a melhor sobre o outro. Digno de aplausos em vários sentidos.

MEDALHA DE BRONZE 

Fuga de Alcatraz (Don Siegel, 1979)


Os altos muros de uma penitenciária de segurança máxima não limitam o pensamento audaz de Frank Morris (Clint Eastwood), cujo histórico de fugas o leva a Alcatraz, onde o diretor se gaba de jamais te perdido um detento sequer. Disposto a inaugurar uma estatística, ele arrebanha comparsas e transforma o longa de Siegel em um paciente jogo de construção (ou seria desconstrução) que o roteiro se empenha em mostrar sem pressa. Mesmo porque, um dia na cadeia pode equivaler a semanas fora dos seus domínios, e ninguém senão os próprios encarcerados para garantir a validade dessa afirmação. Entretenimento de primeira, deixa o suspense correr até o último minuto, merecendo ser citado entre os melhores de sua década.

INÉDITOS

LONGAS:

1. Cabo do medo (Martin Scorsese, 1991) -> 8.0
2. Totalmente selvagem (Jonathan Demme, 1986) -> 7.0
3. Princesa Mononoke (Hayao Miyazaki, 1997) -> 7.0
4. Passe livre (Bobby e Peter Farrelly, 2011) -> 6.5
5. Sem rumo (William H. Macy, 2014) -> 7.5
5. Um bom ano (Ridley Scott, 2006) -> 5.0
6. Marcados para morrer (David Ayer, 2012) -> 8.0
7. Fuga de Alcatraz (Don Siegel, 1979) -> 8.5
8. O profissional (Luc Besson, 1994) -> 8.0



9. Kamchatka (Marcelo Piñeyro, 2002) -> 7.0
10. O troco (Brian Helgeland, 1999) -> 7.5
11. Entre abelhas (Ian SBF, 2014) -> 6.0
12. Prazeres mortais (Erik Van Looy, 2014) -> 6.5
13. Essential killing (Jerzy Skolimovski, 2010) -> 8.0
14. Cidade nua (Jules Dassin, 1948) -> 7.5
15. Pride (Matthew Warcus, 2014) -> 7.5


16. Beija-me, idiota (Billy Wilder, 1960) -> 8.0
17. Ex drummer (Koen Mortier, 2007) -> 1.0
18. Tá rindo do quê? (Judd Appatow, 2009) -> 6.0
19. Sorria, você está sendo filmado  (Daniel Filho, 2014) -> 6.0
20. Um pombo pousou num galho refletindo sobre a existência (Roy Andersson, 2014) -> 10.0
20. Fuga de Nova York (John Carpenter, 1981) -> 7.0
21. Hotel Transilvânia (Genddy Tartakovsky, 2012) -> 7.0
22. Guerra é guerra (MCG, 2012) -> 6.0
23. Mad Max - Estrada da fúria (George Miller, 2014) -> 8.0


24. Um mundo perfeito (Clint Eastwood, 1993) -> 7.0
25. Song of the sea (Tomm Moore, 2014) -> 6.0
26. Busca implacável 3 (Olivier Megaton, 2014) -> 6.5
27. O sol por testemunha (René Clement, 1960) -> 7.0
28. Ressaca de amor (Nicholas Stoller, 2008) -> 4.0
29. Ou tudo ou nada (Peter Cattaneo, 1997) -> 7.0


30. Operação França (William Friedkin, 1971) -> 9.0
31. Fogo contra fogo (Michael Mann, 1995) -> 8.0
32. Os nomes do amor (Michel Leclerc, 2010) -> 7.0
33. Kingsman - O serviço secreto (Matthew Vaughn, 2014) -> 8.0
34. Tudo que o céu permite (Douglas Sirk, 1955) -> 7.5
35. O sol é para todos (Robert Mulligan, 1962) -> 8.0
36. Ex machina (Alex Garland, 2015) -> 8.0

CURTAS:

Dois na calçada (Lisandro Alonso e Catriel Vildosola, 1995) -> 5.0
Mr. Hublot (Laurent Witz e Alexandre Espigares, 2013) -> 7.0


REVISTOS

Hannah e suas irmãs (Woody Allen, 1986) -> 10.0
A vida marinha com Steve Zissou (Wes Anderson, 2004) -> 8.5
Crimes e pecados (Woody Allen, 1989) -> 10.0

MELHOR FILME: Um pombo pousou num galho refletindo sobre a existência
MELHOR DIRETOR: Roy Andersson, por Um pombo pousou num galho refletindo sobre a existência
MELHOR ATRIZ: Charlize Theron, por Mad Max - Estrada da fúria
MELHOR ATOR: Gene Hackman, por Operação França
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Kim Novak, por Beija-me, idiota
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Roy Scheider, por Operação França
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Roy Andersson, por Um pombo pousou num galho refletindo sobre a existência
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Ernest Tidyman, por Operação França
MELHOR FOTOGRAFIA: István Borbás e Gergely Pálos, por Um pombo pousou num galho refletindo sobre a existência
MELHOR TRILHA SONORA: Hani Jazzar e Gorm Sundberg, por Um pombo pousou num galho refletindo sobre a existência
MELHOR CENA: A fuga em Fuga de Alcatraz
MELHOR FINAL: Operação França

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