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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

RETROSPECTIVA: 2011 NO CINEMA (parte 1)

Com o final de mais um ano, é habitual fazer retrospectivas, criar listas e pensar em saldos de balanço. Segue abaixo a primeira parte da lista com todos os filmes a que assisti no cinema ao longo de 2011, com breves comentários que justificam suas notas. Como também acontece todos os anos, não consegui assistir a tudo que queria, mas foi o ano em que pude estar mais vezes em uma sala escura diante de uma grande tela. O total é de 47 filmes. A lista está em ordem cronológica: do primeiro ao últime filme visto.

1. Scott Pilgrim contra o mundo (Scott Pilgrim vs. the world, 2010), de Edgar Wright

A linguagem do videogame ganhou um exemplar audiovisual divertido, inventivo e inteligente. Com a velocidade e a fragmentação de um longo videoclipe, os principais conflitos dos recém-saídos da adolescência surgem em forma de metáfora. Michael Cera reafirma sua vocação para encarnar tipos alternativos e Kieran Culkin é uma grande surpresa entre os coadjuvantes.



Nota: 9.0

2. Trabalho sujo (Sunshine cleanings, 2010), de Christine Jeffs

A diretora inseriu doses de comédia nesse drama sincero e realista sobre duas irmãs em busca da solução para os seus problemas financeiros. A saída encontrada por elas é, no mínimo, inusitada, o espectador ganha cenas engraçadas com um elenco escolhido a dedo.



Nota: 7.5

3. O mágico (L’illusioniste, 2010), de Sylvain Chomet

O segundo filme de Sylvain Chomet é um grande achado da animação tradicional, com imagens deslumbrantes e uma história com ares de fábula de cortar o coração. Qual o espaço de um mágico tradicional em um mundo tão apegado à modernidade e ao descartável? Isento de diálogos, o filme investiga a dolorida resposta.



Nota: 9.5

4. Tio Boonmee, que pode recordar suas vidas passadas (Loong Boonmee raleuk chat, 2010), de Apitchatpong Weerasethakul

Um dos filmes mais controversos a ser premiado com a Palma de Ouro em Cannes, tem méritos pela condução naturalista de situações improváveis, e de metáforas fundamentais sobre a existência e as dúvidas que pairam sobre o insondável. Houve quem adorasse e houve quem torcesse o nariz diante da proposta do diretor. A despeito de crenças pessoais, há que se observar o apuro visual e as surpresas da narrativa.



Nota: 8.0

5. Brasil animado (idem, 2010)
Aos poucos, a animação brasileira vai mostrando sua cara e conquistando seu espaço, como demonstra esse simpático filme que funciona como um eficiente cartão de visitas do nosso país tão vasto e tão variado.



Nota: 7.0

6. Um lugar qualquer (Somewhere, 2010)

O verdadeiro acerto da carreira de Sofia Coppola é uma análise minimalista do tédio e da necessidade de criar laços afetivos com as pessoas, especialmente quando elas são da família. Não faltam cenas icônicas, como a última, que apresenta um banho de piscina de lavar a alma.



Nota: 8.5

7. Amor e outras drogas (Love and other drugs, 2010)Anne Hathaway e Jake Gylenhaal formam uma dupla saidinha, com algumas cenas de sexo ousadas e uma história que se perde em meio a bifurcações desnecessárias. Se Edward Zwick se decidisse por um foco mais definido, o resultado final teria sido bem mais interessante e mais longe do mediano.



Nota: 5.5

8. Inverno da alma (Winter’s bone, 2010), de Debra Granik

Com uma direção distante e uma atmosfera gélida evocada inclusive no título, o filme tem em Jennifer Lawrence a sua razão de ser. A jovem encarna uma verdadeira leoa em uma busca incessante pela verdade e por uma âncora que lhe confira uma vida digna e menos dolorida.



Nota: 6.5

9. Cisne negro (Black swan, 2010), de Darren Aronofsky

A loucura derivada da intense busca pela perfeição analisada com frenesi por um diretor que gosta de investigar os limites da autossuperação. Natalie Portman recebeu um dos Oscar mais merecidos da década, e a fotografia de Mathew Libatique é de deixar atordoado.



Nota: 10.0

10. O discurso do rei (The king’s speech, 2010), de Tom Hooper
Tem qualidades notáveis, mas não a ponto de ter se tornado o grande papão do Oscar 2011, tirando, inclusive, o posto do maravilhoso Cisne negro na categoria de Melhor Filme. Seu grande mérito é a fabulosa interpretação de Colin Firth, um ator de franco talento. O longa de Tom Hooper, no entanto, é a prova incontestável do triunfo do convencionalismo adorado pela Academia.



Nota: 7.5

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