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quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

RETROSPECTIVA 2013: MELHORES FILMES

Listas, listas, listas... A cada vez que se aproxima o final de mais um ano, elas aparecem com toda a força, sobretudo entre os cinéfilos, que adoram colocar em evidência o que o Cinema ofereceu de melhor ao longo de mais 12 meses. Comigo, não é diferente, e decidi publicar pela primeira vez aqui no blog a relação dos meus preferidos entre os longas-metragens que entraram em circuito comercial.

A retrospectiva é dividida em categorias e, na medida do possível, tentarei manter as listas em ordem de preferência, o que é quase um suicídio para mim. Em todo caso, esse não é um requisito para as minhas listas. Para começar, os 15 melhores filmes exibidos no cinema:

1. ANTES DA MEIA-NOITE (Before midnight, 2013), de Richard Linklater

A terceira e última (?) parte da trilogia dos amantes Jesse e Celine atinge o auge da maturidade em diálogos e interpretações para ficarem eternamente inscritos na história do Cinema, assim como as paisagens gregas pelas quais eles desfilam em mais uma longa discussão do relacionamento.


2. A GRANDE BELEZA (La grande bellezza, 2013), de Paolo Sorrentino

Descortinando a Roma contemporânea para além de seu glamour intempestivo, Sorrentino ofereceu um percurso (re)descoberta que traz à tona inquietações universais. Como não se identificar com o Jep Gambardella de Toni Servillo e suas verdades ditas sem a menor cerimônia?


3. TABU (idem, 2012), de Miguel Gomes

Homenagem ao Cinema e elogio ao amor, essa apaixonante narrativa tingida em preto e branco tem direito a uma poltrona muito confortável nos recônditos da memória. Tudo é costurado com paciência e ironia e se constitui como uma experiência compensadora para os amantes das boas histórias.


4. A ESPUMA DOS DIAS (L'écume des jours, 2013), de Michel Gondry

Falando em memória, a temática serve de ensejo para outro filme encantador. Despreocupado em seguir à risca a cartilha do realismo, Gondry coloca Romain Duris e Audrey Tautou na pele de um casal em luta para preservar os instantes felizes em meio a ramalhetes, pílulas insólitas e uma fotografia de cair o queixo.


5. GRAVIDADE (Gravity, 2013), de Alfonso Cuarón

Se é para eleger a experiência mais acachapante vivida dentro de uma sala escura em 2013, o posto é ocupado com muita folga por esse retorno do mexicano Cuarón ao terreno da ficção científica. Impossível não ser contagiado com o drama da astronauta arremessada em uma batalha pelo próprio renascimento.


6. BLUE JASMINE (idem, 2013), de Woody Allen

O retorno de Woody Allen à boa forma? Recuso-me a repetir esse mantra entoado de tempos em tempos. Meu diretor preferido só mostra que continua fazendo cinema dos bons há décadas, e nos leva por uma São Francisco acinzentada que contrasta com os profundos olhos azuis de uma Cate Blanchett irrepreensível.


7. CAPITÃO PHILLIPS (Captain Phillips, 2013), de Paul Greengrass

Se Cuarón nos levou para a tensão no espaço sideral, Greengrass faz o mesmo em alto-mar, ora nos deixando relativamente confinados no Maersk Alabama, ora nos mantendo reféns junto com o personagem-título, o retorno de Tom Hanks com força total ao time dos grandes atores.


8. FERRUGEM E OSSO (De rouille et d'os, 2012), de Jacques Audiard

A imperfeição humana se mostrou estranhamente bela nos corpos e olhares dos protagonistas dessa história de amor que vai muito além de qualquer lugar-comum hollywoodiano. Lamentavelmente, o filme não ganhou o espaço devido no circuito, permanecendo pouco menos de um mês em cartaz.


9. A CAÇA (Jagten, 2012), de Thomas Vinterberg

Somos todos parte de uma sociedade que julga precipitadamente, baseada em suspeitas que ainda estão por confirmar. Quem sente esse peso nefasto na própria pele é o reservado professor vivido por Mads Mikkelsen, na melhor atuação de sua carreira, concentrada em seus olhos que lacrimejam com pungência.


10. AMOR (Amour, 2012), de Michael Haneke

Como de hábito em sua carreira, Haneke produziu um racha entre os críticos e os espectadores, conduzindo sua narrativa com austeridade e abrindo mão de uma trilha sonora. O sentimento presente no título é tomado em sua acepção mais ampla, muito além do discurso edulcorado a que somos habituados desde muito cedo.


11. O ABISMO PRATEADO (idem, 2011), de Karim Aïnouz

O longo atraso da estreia desse filme nos cinemas pode ser comparado a uma pessoa que tem um tesouro nas mãos e o esconde do necessitado. Alessandra Negrini está avassaladora como uma mulher abandonada que se perde e tenta se reencontrar madrugada adentro por ruas barulhentas e multicoloridas.


12. O SOM AO REDOR (idem, 2012), de Kléber Mendonça Filho

Premiado e louvado em festivais mundo afora, o debute do realizador nos longas-metragens é calcado em uma minuciosa edição de som que expõe os medos e idiossincrasias da classe média recifense, mas não está circunscrito a um nicho. De uma forma ou de outra, todos somos tomados de assalto diariamente.



13. AMOR PLENO (To the wonder, 2012), de Terrence Malick

Em várias passagens, o romance malfadado entre Neil e Marina parece uma extensão de A árvore da vida, com sua narração em off, sua contemplação duradoura e suas lacunas narrativas. Mas é possível pensá-lo sem se prender a comparações e sorver a intensidade de uma nova proposta desafiadora do cineasta.


14. CONTOS DA NOITE (Les contes de la nuit, 2011), de Michel Ocelot

A animação está muito bem representada nessa lista por um exemplar vindo da França que também presta seu belo tributo à Sétima Arte. Reunidos em um cinema decadente, três amigos encenam várias histórias em que as sombras contrastam com o brilho de personagens riquíssimos, literal e metaforicamente.


15. O MESTRE (The master, 2012), de Paul Thomas Anderson

Thomas Anderson quebrou um novo jejum de cinco anos para lançar outra vez a inquietude sobre o peito do espectador. Em vez de nos tomar pela mão e trazer esclarecimentos sobre o que supostamente seria o nascimento da cientologia, ele nos deixa à deriva e catalisa a ação por meio de intérpretes monstruosos.


3 comentários:

  1. Queria ter gostado tanto assim de Antes da Meia Noite. Numa lista minha acho que nem se fossem 20 filmes ele entraria. Contos da Noite com certeza estaria e preciso ver O Som ao Redor pra ontem.

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  2. Esses dias tu postou no Facebook uma frase atribuída a C.S. Lewis sobre amizade: "poxa, vc também? Achei que fosse o único" ou algo do tipo. Pois essa foi a minha reação ao me deparar com essa lista absurdamente bem preenchida, e os comentários sucintos sintetiza perfeitamente cada um. Só não assisti a "O Abismo Prateado" daí, nem compartilho a msm admiração por "Amor Pleno"; quanto aos demais títulos, todos de altíssimo nível. E muito bacana a inclusão de "Contos da Noite". Foi a única lista que eu testemunhei ter se lembrado da animação francesa.

    Grande abraço!

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  3. Obrigado pelas visitas e pelos comentários, amigos!
    É um prazer compartilhar tantas preferências com vocês.
    Ficam as recomendações para assistirem o quanto antes aos filmes que faltam!

    Abraços!

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