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quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

RETROSPECTIVA: 2012 NO CINEMA (parte VI)

Enfim, a retrospectiva chega à sua parte derradeira. Os últimos meses do ano costumam ser os mais fracos para o Cinema, embora os potenciais candidatos a prêmios comecem a despontar nessa época. Confira abaixo o registro de algumas impressões sobre minhas últimas vezes em frente à telona em 2012.

51. Tudo que você tem (Tout ce que tu possèdes, 2011), de Bernard Émond

A maturidade e a fluidez que faltam a De quinta a domingo estão presentes neste filme, que reafirma a importância dos laços familiares através da história de um professor universitário confrontado com um passado de erros a serem corrigidos. Distante das lições de moral hollywoodianas, Émond conduz sua narrativa com simplicidade e agudeza, deixando o espectador livre para respirar e refletir por sua conta em risco.

 Nota: 7.0

52. Post tenebras lux (idem, 2012), de Carlos Reygadas

O experimentalismo de Carlos Reygadas volta a reinar em Post tenebras lux e torna o filme pleno de singularidades que galvanizam discussões centrais sobre a penosa condição humana. Do longo plano de abertura que acompanha os passos incautos e desengonçados de uma garotinha em um campo cheio de vacas ao epílogo inconcluso, o realizador é capaz de produzir imagens desconcertantes e plurissignificativas. Trata-se de uma viagem para pequenas plateias facilmente emparelhável aos portentosos devaneios litúrgicos de A árvore da vida (The tree of life, 2011), que reafirma a insuficiência das palavras ante ao poder de impacto de um visual bem arquitetado.

 Nota: 10.0

53. Woody Allen: um documentário (Woody Allen: a documentary, 2012), de Robert B. Weide

Não faltam depoimentos de pessoas que convivem com o diretor há anos, muitos deles seus colaboradores leais atrás das câmeras, como Jack Rollins, com quem trabalhou em quase todos os seus filmes, e que conhece Allen profundamente. Também sobra espaço para vários atores tecerem os seus comentários sobre o prazer de trabalhar com ele e confirmarem algumas informações relativas ao seu método de trabalho, como o fato de ele raramente repetir tomadas e dar poucas instruções sobre como deseja as interpretações, deixando os atores livres para apostar em um trabalho mais intuitivo.

http://impressoesdeumcinefilo.blogspot.com.br/2012/12/uma-extensa-obra-revisitada-em-woody.html

 Nota: 9.0

54. Magic Mike (idem, 2012), de Steven Soderbergh

Para alguns heterossexuais convictos, ser visto como espectador de Magic Mike é altamente difamatório, mas vale conceder uma chance ao olhar de Soderbergh sobre os bastidores do mundo do strip tease masculino. Por mais que a moral da história seja um tanto rasa, os números musicais de Channing Tatum e companhia são divertidos (!) e compensam esse detalhe. O ator, aliás, é o mais recente muso do cineasta, que anda meio distante de George Clooney após tantas parcerias.

Nota: 7.0

55. 007 - Operação Skyfall (Skyfall, 2012), de Sam Mendes

A franquia com mais exemplares da história do Cinema ganhou um notável impulso neste terceiro filme estrelado por Daniel Craig, ator que devolveu a humanidade ao agente secreto que andava invulnerável demais mesmo para os padrões despegados da verossimilhança da cartilha dos heróis. É um renovo mais que benvindo, o qual abre espaço para Judi Dench entrar na brincadeira de espião e discute a utilidade desse tipo de serviço em nossos dias. Sem falar no estupendo desempenho de Javier Bardem, novamente ótimo com um personagem de conduta vilanesca.

Nota: 8.0

56. Um alguém apaixonado (Like someone in love, 2012), de Abbas Kiarostami

Em se tratanto de Kiarostami, a sinonímia entre exposição e esclarecimento é inexistente. Aliás, seria uma incoerência pensar que as conversas de seus personagens possam trazer muitas respostas aos vários questionamentos que se levantam com o transcorrer da narrativa. Como Antonioni, Lynch ou mesmo Bergman, Kiarostami preza por manter seu cinema aberto a inferências e valoriza tanto o silêncio quanto a palavra, produzindo espécimes raríssimos de filmes, que requerem um tempo de decantação na memória do público. O final inesperado e abrupto de Um alguém apaixonado só vem comprovar essa teoria.

http://impressoesdeumcinefilo.blogspot.com.br/2012/12/os-vacuos-das-relacoes-humanas-em-um.html

 Nota: 8.5

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