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sexta-feira, 1 de setembro de 2017

BALANÇO MENSAL - AGOSTO

Diferentemente dos últimos 3 anos, agosto não teve nenhuma viagem que interrompesse meu fluxo de sessões de filmes, por isso o número de títulos é superior ao de balanços anteriores do mesmo mês. Entre os diretores que trouxeram filmes inéditos para o meu currículo de 2017, que já passa de 300 longas, estiveram Jacques Demy em sua última experiência com o preto e branco, Akira Kurosawa em produção um tanto prolixa, Edgar Wright e Christopher Nolan com seus trabalhos mais recentes vistos no cinema, bem como Sofia Coppola na mesma circunstância. Também abri espaço para Ettore Scola, velho conhecido que não dava as caras há tempos. E dois queridinhos meus, que podem ser conferidos logo abaixo, fizeram tão bonito que ganharam vaga no disputado pódio. Vamos ver todo mundo que passou pelos meus olhos em agosto?

PÓDIO

MEDALHA DE OURO

O outro lado da esperança (Aki Kaurismäki, 2017)


A cada filme, Aki Kaurismäki reafirma sua vocação humanista, retratando histórias de indivíduos comuns precisando sobreviver em um mundo tantas vezes hostil, mas onde ainda se encontram centelhas de gentileza e solidariedade pontilhadas por aí. Parte de mais uma trilogia iniciada com O porto (Le Havre, 2011), O outro lado da esperança (Toivon tuolla puolen, 2017) também é um olhar do finlandês para a urgente questão imigratória, que tanto convulsiona a Europa e levanta a poeira da xenofobia e do racismo, só para ficar em duas reações adversas entre os nativos do continente. E, novamente, ele focaliza as exceções ao que parece a regra não somente lá, mas em outras partes. Não sem um toque de nonsense, é bom que se diga, e aí está umas das delícias do modus operandi kaurismäkiano. [crítica completa]

MEDALHA DE PRATA

Esse obscuro objeto do desejo (Luis Buñuel, 1977)


O detalhe mais inusitado desse que é o derradeiro longa-metragem assinado por Buñuel é a alternância de atriz no papel de Conchita, o tal objeto de desejo negativamente adjetivado do título. Carole Bouquet e Ángela Molina vão e vem a cada duas ou três cenas como se fossem a mesma atriz o tempo todo, e o possível estranhamento do recurso logo cede lugar ao envolvimento com uma trama que vai sendo traçada com paciência, no esquema de flashback. Aos poucos, vamos dando cada vez mais razão ao protagonista narrador de Fernando Rey, que joga um balde de água numa mulher antes de embarcar em um trem, e pouco depois o público fica sabendo que era a tal Conchita. Depois de seus títulos mais emblemáticos, críticas mordazes à burguesia, ele encerrou a carreira mostrando mais um lado dessa classe, mas focalizando um misto de sentimentos e deixando dúvidas sobre o julgamento mais razoável para os personagens, ambos capazes de atitudes questionáveis, uma grande sacada do roteiro de Jean-Claude Carrière.

MEDALHA DE BRONZE

O que traz boas novas (Philippe Falardeau, 2011)


O subgênero filme escolar ganha novos exemplares de tempos em tempos, nem sempre de qualidade. Felizmente, o caso desse canadense que concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro, entregue naquele ano para A separação (Jodaeiye Nader az Simin, 2011) - uma vitória merecida, diga-se de passagem, é positivo. O senhor Lazhar do título original é um imigrante argelino passado à condição de refugiado que assume uma turma de ensino fundamental em um colégio com alunos sobretudo de classe média. Sua chegada acontece logo depois de uma atitude extrema da professora anterior, que repercute dramaticamente entre as crianças, inicialmente resistentes aos exercícios difíceis do novo mestre. Onde estariam as tais boas novas do título nacional? A princípio, elas vêm do sobrenome do professor, que ele explica em sua primeira aula, mas aos poucos o coração dos meninos vai se abrindo para ele, sem aquele apelo indutor do choro em que Hollywood tanto gosta de se basear. 

INÉDITOS

LONGAS

259. Quiz show - A verdade dos bastidores (Robert Redford, 1994) -> 8.0
260. Nossa vida não cabe num Opala (Reinaldo Pinheiro, 2008) -> 5.0
261. Nosso fiel traidor (Susanna White, 2016) -> 7.0
262. A baía dos anjos (Jacques Demy, 1963) -> 8.0
263. Oh, boy (Jan Ole Gerster, 2012) -> 6.5
264. As crônicas de Nárnia - Príncipe Caspian (Andrew Adamson, 2008) -> 7.0


265. Bem-vindo ao Norte (Luca Miniero, 2012) -> 6.5
266. Esse obscuro objeto do desejo (Luis Buñuel, 1977) -> 8.5
267. Entrando numa fria maior ainda (Jay Roach, 2004) -> 6.0
268. Kagemusha - A sombra do samurai (Akira Kurosawa, 1980) -> 7.5
269. Terra estranha (Kim Farrant, 2015) -> 6.0
270. Ausência (Chico Teixeira, 2014) -> 7.0
271. Grave (Julia Ducornau, 2016) -> 7.0


272. Leviatã (Andrey Zvyagintsev, 2014) -> 7.5
273. O segurança fora de controle (Jody Hill, 2009 -> 4.0
274. Em ritmo de fuga (Edgar Wright, 2017) -> 8.0
275. Dunkirk (Christopher Nolan, 2017) -> 6.0
276. O outro lado da esperança (Aki Kaurismäki, 2017) -> 9.0
277. Uma aventura na Martinica (Howard Hawks, 1944) -> 7.0
278. Olmo e a gaivota (Petra Costa e Lea Glob, 2014) -> 7.5
279. Voltando a viver (Denzel Washington, 2002) -> 7.0


280. Violeta foi para o céu (Andrés Wood, 2011) -> 8.0
281. Caçador de morte (Walter Hill, 1978) -> 7.0
282. Pets - A vida secreta dos bichos (Yarrow Cheney e Chris Renaud, 2016) -> 6.0
284. O filme da minha vida (Selton Mello, 2017) -> 6.0
285. Colossal (Nacho Vigalondo, 2016) -> 5.0
286. Rififi (Jules Dassin, 1955) -> 7.5
287. O estranho que nós amamos (Sofia Coppola, 2017) -> 7.0


288. O último pôr do sol (Robert Aldrich, 1961) -> 8.0
289. O baile dos bombeiros (Miloš Forman, 1967) -> 7.0
290. Feios, sujos e malvados (Ettore Scola, 1975) -> 8.0
291. O bar (Álex da la Iglesia, 2017) -> 7.5
292. A comunidade (Thomas Vinterberg, 2016) -> 7.0
293. A perseguição (Joe Carnahan, 2011) -> 7.5


294. Perigo por encomenda (David Koepp, 2012) -> 6.0
295. Anna Karenina (Joe Wright, 2012) -> 6.0
296. Jogos patrióticos (Philip Noyce, 1992) -> 5.0
297. O que traz boas novas (Philippe Falardeau, 2011) -> 8.0
298. Planeta proibido (Fred M. Wilcox, 1956) -> 7.0

CURTA

World of tomorrow (Don Hertzfeldt, 2015) -> 8.0

REVISTOS

Zodíaco (David Fincher, 2007) -> 8.0
Canções de amor (Christophe Honoré, 2007) -> 7.0
Veludo azul (David Lynch, 1986) -> 9.0
De volta para o futuro 3 (Robert Zemeckis, 1990) -> 8.0
Ensaio sobre a cegueira (Fernando Meirelles, 2008) -> 8.0

MELHOR FILME: O outro lado da esperança
PIOR FILME: O segurança fora de controle
MELHOR DIRETOR: Aki Kaurismäki, por O outro lado da esperança
MELHOR ATRIZ: Trine Dyrholm, por A comunidade
MELHOR ATOR: John Turturro, por Quiz show - A verdade dos bastidores
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Viola Davis, por Voltando a viver
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Denzel Washington, por Voltando a viver
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Aki Kaurismäki, por O outro lado da esperança
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Dalton Trumbo, por O último pôr do sol
MELHOR TRILHA SONORA: Aki Kaurismäki, por O outro lado da esperança
MELHOR FOTOGRAFIA: Timo Salminen, por O outro lado da esperança
MELHOR CENA: O jantar japonês de O outro lado da esperança
MELHOR FINAL: Esse obscuro objeto do desejo

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