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domingo, 27 de dezembro de 2015

RETROSPECTIVA 2015: MELHORES FILMES E DIRETORES

Tradição gostosa que costuma ocorrer entre o final de um ano e o começo do seguinte, as listas de melhores do Cinema são também um clássico exemplo de ame-as ou deixe-as. A verdade é que existe gosto para tudo, e isso inclui tudo mesmo, até os filmes. Não seria preciso dizer, mas estou dizendo, que a retrospectiva deste ano é simplesmente um recorte do meu olhar sobre o Cinema e, como gosto de reiterar sempre, são as minhas impressões de cinéfilo - o título do blog está aí para não deixar ninguém esquecer disso.

Feita essa ressalva (que também já pode ser considerada uma tradição), uma tentativa de deixar minha seleção menos vulnerável a pedradas, adiciono apenas uma outra de ordem prática: ir ao cinema tem sido muito caro, e não dispor mais do privilégio (?) da meia entrada tem resultado em idas escassas àqueles locais que, talvez, já não sejam mais o reduto dos cinéfilos. Portanto, se algum filme estiver fora das listas que apresento a partir desta postagem, a justificativa mais provável é que eu não o tenha visto. Foi um ano difícil para eleger os melhores, e ainda fico na dúvida se fui eu que me tornei mais exigente, minhas escolhas andam equivocadas ou os bons filmes vêm se tornando raros. 

Ah, já ia me esquecendo (esse parágrafo foi escrito por último mesmo): existem pessoas que consideram os melhores filmes de um ano pelo ano em que esses filmes foram realizados. Não é o meu caso. Proponho-me a organizar listas com o que foi acessível ao público no circuito comercial, que frequentemente lança filmes no ano seguinte ao de sua realização - mesmo porque, em janeiro e fevereiro, dificilmente já haveria um filme do mesmo ano para ser exibido nas telas.

Seja como for, ainda há gente talentosa em atividade, e compartilho com vocês, nesta primeira parte da minha retrospectiva - este ano os comentários individuais estão ainda mais enxutos -, os 15 filmes e os 10 diretores que fizeram por merecer um lugar nas vastas paredes da minha memória, seja como lembranças alegres, seja como confrontos intensos, entre outras possibilidades. Aqui estão eles:

FILMES

1. Um pombo pousou num galho refletindo sobre a existência (Roy Andersson)

Nossa tragédia diária. Melancolia escandinava atenuada por laivos de humor esquálido e, nem por isso, menos potente. De digestão longa e permansiva.


2. Divertida mente (Pete Docter)

Pérola lapidada. A sequência dos sentimentos na sala da abstração é um achado que resume boa parte da vida. A Pixar alcança mais um patamar de grandeza.


3. Que horas ela volta? (Anna Muylaert)

De um carinho imenso por Val, o roteiro não negligencia questões sociais importantes e reserva momentos de emoção genuína. O Brasil identificado na tela e Regina Casé digna de todos os elogios e aplausos.


4. O conto da princesa Kaguya (Isao Takahata)

Um deslumbre para os olhos e o coração. Takahata com ares de Ozu e Mizoguchi: como não ser enlevado? 


5. Homem irracional (Woody Allen)

Abe é a síntese de uma moral corroída, de um entusiasmo forjado por meio torpe, e o roteiro não deixa de redargui-lo. O cinismo alleniano de outrora se converteu em sábia correção.


6. Dois dias, uma noite (Jean-Pierre e Luc Dardenne)

Frestas de humanismo invadem a caminhada na corda bamba da protagonista, cujos interlocutores que visita, em sua maioria, são metonímia de um mundo onde o individual cada vez mais sobrepuja o coletivo, ainda que suas motivações soem legítimas.


7. Casa grande (Fellipe Gamarano Barbosa)

Enquadramentos nada óbvios e um texto em pura sintonia com questões urgentes do cotidiano para além de ambientações geográficas. A balada do pobre Jean toca em várias frequências aqui e acolá.


8. Whiplash - Em busca da perfeição (Damien Chezzele)

Teller e Simmons são dois monstros em cenas de arrepiar e questionar os limites da autossuperacao. O final apoteótico deixa o fôlego suspenso.


9. Foxcatcher (Bennet Miller)

Três homens e suas dificuldades com a verbalização. Miller dirige de forma contida o que, até agora, é seu melhor filme, e com elenco mais poderoso.


10. Ponte aérea (Julia Rezende)

Crie laços. Assuma seus vínculos.


11. Kingsman - O serviço secreto (Matthew Vaughn)

Entretenimento de primeira linha, sabe usar os clichês a seu favor, assim como também oferece rasteiras quando tudo parece óbvio demais. Acertaram no alvo.


12. Frank (Lenny Abrahamson)

Deliciosamente acolhedor, triunfa no roteiro que lida bem até mesmo com os eventuais clichês. Fassbender usa voz, tronco e membros para entregar mais uma brilhante atuação.


13. A travessia (Robert Zemeckis)

A dispensável narração pode ser abstraída em prol de uma experiência que, para acrofóbicos, pode ser vertiginosa. Ponto para Gordon-Levitt e seu sotaque francês.


14. Mad Max - Estrada da fúria (George Miller)

Delírio cinético nascido de uma mente vivaz e criativa. A correria quase ininterrupta eletriza e plateia, com direito a número musical em plena guerra e uma dobradinha durona entre Hardy e Theron.



15. Mapas para as estrelas (David Cronenberg)

Embora às vezes pareça fora de rumo, é um apanhado de referências malandras e salpicadas de acidez sobre a grande máquina de ilusões que Hollywood. Que prazer ver Julianne Moore outra vez com um papel à sua altura.



DIRETORES

1. Roy Andersson, por Um pombo pousou num galho refletindo sobre a existência


2. Jean-Pierre e Luc Dardenne, por Dois dias, uma noite


3. Bennett Miller, por Foxcatcher


4. Damien Chezzele, por Whiplash - Em busca da perfeição


5. George Miller, por Mad Max - Estrada da fúria


6. Woody Allen, por Homem irracional


7.  Ruben Östlund, por Força maior


8. Anna Muylaert, por Que horas ela volta?


9. Pete Docter, por Divertida mente



10. Naomi Kawase, por O segredo das águas

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