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quarta-feira, 2 de setembro de 2015

BALANÇO MENSAL - AGOSTO

Senhoras e senhores, está no ar mais um balanço mensal! Em um mês cortado logo em seus primeiros dias por uma viagem em que não assisti a filmes, a quantidade de títulos foi reduzida a 25, e a qualidade se manteve boa no saldo final. Dessa vez, apenas longas inéditos compõem a lista, que traz entre realizadores famosos nomes como Edward Wood - e outro filme péssimo -, David Gordon Green encontrando o humor na incorreção política, Mike Nichols abraçando a despretensão, Aki Kaurismäki e sua obsessão pelo nonsense, Luis Buñuel e mais uma proposta surrealista. É hora de conferir o trio que merece o pódio - todos vistos nos últimos dias do mês e conhecer os melhores nas categorias de melhor importância na minha visão. Ei-los abaixo:

MEDALHA DE OURO


Rugas (Ignacio Ferreras, 2011)

Dedicado a todos os anciãos e todos que ainda virão a sê-lo, essa dócil animação não esconde o jogo sobre o que pode se tornar a última fase da vida. Conforme os anos passam, vem a decrepitude para a maioria de nós, e lidar com essa crescente incapacidade pode ser menos desalentador quando se pode contar com boas companhias. Assim acontece com Emilio, levado para uma casa de repouso porque o filho e a nora já não conseguem lidar com ele. Ao travar amizade com Miguel, depois de certa relutância em ficar longe da família, entra em contato com uma outra visão de mundo, e lida com outros personagens aos quais o roteiro dispensa notável carinho, como a senhorinha que guarda gelatinas e manteigas para o neto que a visita e o ex-locutor que só repete o que ouve, depois de ter "gastado todas as palavras". Emocionante, para dizer o mínimo, e obrigatório para todos que ainda têm idosos na família.

MEDALHA DE PRATA 


Homem irracional (Woody Allen, 2014)

Crítica completa aqui

MEDALHA DE BRONZE


O fantasma da liberdade (Luis Buñuel, 1974)

Um casal descobre que sua filha aceitou fotos de um estranho numa praça. São imagens comprometedoras dos dois em viagem de lua de mel. Um professor é convidado para um jantar na casa de amigos e lá as pessoas se sentam à mesa em vasos sanitários e comem em locais que se parecem com banheiros. Essas são apenas duas das passagens insólitas do penúltimo Buñuel, que fez do surrealismo uma arma pontiaguda para colocar em xeque a sociedade burguesa, como já vinha fazendo há alguns filmes. Entre o riso e a perplexidade, passando pelo desconforto, o espanhol não economizava críticas aos emergentes e as situações que beiram o ridículo são uma espécie de espelho curvo que acentua a maneira errônea com que lidam com os membros de outras classes. Aliás, onde já se viu dividir seres humanos pelo critério econômico?

INÉDITOS

LONGAS:

1. Solteiros com filhos (Jennifer Westfeldt, 2011) -> 6.0
2. La playa (Juan Andrés Arango Garcia, 2012) -> 6.0
3. Não olhe para trás (Dan Fogelman, 2014) -> 7.5
4. Plano 9 do espaço sideral (Edward Wood, 1959) -> 3.0
5. No calor do verão (Christophe Ali e Nicolas Bonilauri, 2005) -> 5.0
6. Filmefobia (Kiko Goiffman, 2008) -> 8.0
7. O protetor (Antoine Fuqua, 2014) -> 6.0


8. O ódio (Mathieu Kassovitz, 1995) -> 7.0
9. Segurando as pontas (David Gordon Green, 2008) -> 7.0
10. Uma secretária de futuro (Mike Nichols, 1988) -> 7.0
11. Rota irlandesa (Ken Loach, 2010) -> 7.5
12. Mortalmente perigosa (Joseph H. Lewis, 1950) -> 8.0
13. Calamari union (Aki Kaurismäki, 1985) -> 8.0


14. Escola de rock (Richard Linklater, 2003) -> 8.0
15. Noites de Cabiria (Federico Fellini, 1957) -> 8.5
16. Beijos de emergência (Philippe Garrel, 1989) -> 8.0
17. Secretária (Steven Shainberg, 2002) -> 4.0
18. O fantasma da liberdade (Luis Buñuel, 1974) -> 8.5
19. O estranho (Orson Welles, 1946) -> 7.5
20. No (Pablo Larraín, 2012) -> 8.0


21. Viagem ao princípio do mundo (Manoel de Oliveira, 1997) -> 8.0
22. O operário (Brad Anderson, 2004) -> 8.0
23. Hermano (Marcel Rasquin, 2010) -> 8.0
24. Grandes olhos (Tim Burton, 2014) -> 6.5
25. Rugas (Ignacio Ferreras, 2011) -> 9.0
26. Homem irracional (Woody Allen, 2015) -> 9.0

REVISTO

Poderosa Afrodite (Woody Allen, 1995) -> 8.0

CURTA

O banquete (Patrick Osborne, 2014) -> 7.0

MELHOR FILME: Rugas
PIOR FILME: Secretária
MELHOR DIRETOR: Luis Buñuel, por O fantasma da liberdade
MELHOR ATRIZ: Giulietta Massina, por Noites de Cabiria
MELHOR ATOR: Joaquin Phoenix, por Homem irracional e Christian Bale, por O operário
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Emma Stone, por Homem irracional
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Bob Cannevale, por Não olhe para trás
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Woody Allen, por Homem irracional
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Ignacio Ferreras, Rosanna Cecchini e Ángel de la Cruz, por Rugas
MELHOR TRILHA SONORA: No
MELHOR FOTOGRAFIA: Homem irracional
MELHOR CENA: O jantar inusitado de O fantasma da liberdade
MELHOR FINAL: Rugas

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