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sábado, 2 de maio de 2015

BALANÇO MENSAL - ABRIL

O quarto mês do ano já se foi, e com ele veio mais uma enxurrada de filmes, rotina maravilhosa para qualquer cinéfilo que se preze que eu, felizmente, tenho conseguido manter. Foi um mês de poucos realizadores inéditos acrescentados ao currículo, e de algumas manobras forçadas pela dificuldade em encontrar filmes inicialmente planejados. Sou do tipo que lista ao que vai assistir na semana mas, nem sempre, as circunstâncias me permitem seguir à risca essas listas, o que não chega a ser um problema: as listas são apenas uma tentativa de não me perder em um mar de possibilidades fílmicas. 

Entre os diretores que desfilaram com mais uma obra de sua carreira ao longo do meu abril cinematográfico, estiveram Richard Linklater, que iniciou muito bem os trabalhos em mais uma parceria com Jack Black, e Naomi Kawase, merecedora de um terceiro lugar no pódio do mês logo em meu primeiro filme visto dela. Também compareceram ao passeio contado nesse balanço os ilustres Ken Loach, Jim Jarmusch, David Cronenberg e Manoel de Oliveira. Como tem sido desde janeiro, começamos o balanço com pequenos textos para os três melhores, seguidos pela relação completa dos filmes vistos e dos melhores em algumas categorias. Aqui vão eles:

MEDALHA DE OURO

O rolo compressor e o violinista (Andrei Tarkovsky, 1961)


adorável amizade entre um operador de um rolo compressor e um garoto violinista, indicados explicitamente no título, compõem os singelos 43 minutos deste média-metragem que foi o trabalho de conclusão de curso de Tarkovsky. É sempre interessante visitar a primeira obra de um cineasta depois de já ter tido contato com trabalhos posteriores, já que isso normalmente permite localizar suas obsessões em estado embrionário. De fato, é o que acontece aqui: interessado em flagrar o correr do tempo em sua absoluta discrição, ele mostra o nascedouro de uma afeição gratuita e sincera, impedida de avançar por circunstâncias óbvias. É tudo muito simples, mas nada superficial ou ordinário. Para quem já havia visto obras mais herméticas do russo, esta é uma carinhosa surpresa.

MEDALHA DE PRATA 

Essa pequena é uma parada (Peter Bogdanovitch, 1972)


Eis aqui um dos filmes que mais me fez rir na vida. Aquele riso descontrolado, em forma de ataque mesmo. A dupla interpretada por Ryan O'Neal (charmosamente desastrado ou desastradamente charmoso, como queiram) e Barbra Streissand (uma belezinha nariguda) se mete em várias confusões, no melhor estilo "chamada da Sessão da tarde", em uma narrativa em que o menos importante é o enredo.  Bogdanovitch mira suas lentes em duas tramas que correm paralelamente, e nunca se sabe ao certo o  conteúdo de uma misteriosa mala estampada que passa de mão em mão. Enquanto isso, os protagonistas vivem um romance atarantado, dando um banho de graça em centenas de comédias românticas produzidas a rodo por Hollywood. Achado imperdível para os fãs de bom Cinema e do riso frouxo.

O segredo das águas (Naomi Kawase, 2014)


O que acontece quando se juntam os modi operandi praticados por Terrence Malick e Apichatpong Weerasethakul? O resultado é O segredo das águas, exercício minimalista de fusão entre os meandros da natureza e os enlevos e dissabores sentimentais que um ser humano pode experimentar. Porque viver sobre a face da Terra é estar o tempo todo suscetível a todo tipo de sensação, pulsando com diferentes graus de intensidade a depender da mente. O (re)conhecido subgênero do "rito de passagem" é revisitado por meio de sons e da presença abundante do líquido da vida na história de dois adolescentes aprendendo o que é perda, bem como possíveis manifestações do desejo. Kawase é uma diretora especial, e bastou ver apenas um filme dela para chegar a essa conclusão.

INÉDITOS

LONGAS:

1. Bernie - Quase um anjo (Richard Linklater, 2011) -> 8.0
2. Antes do inverno (Philippe Claudel, 2013) -> 6.0
3. Pecados ardentes (David Mackenzie, 2003) -> 5.0
4. Branco sai, preto fica (Adirley Queirós, 2014) -> 6.0
5. Vício inerente (Paul Thomas Anderson, 2014) -> 6.0
6. O sucesso a qualquer preço (James Foley, 1992) -> 7.5
7. O duplo (Richard Ayoade, 2014) -> 8.0


8. O segredo das águas (Naomi Kawase, 2014) -> 8.5
9. Estrada para perdição (Sam Mendes, 2002) -> 8.0
10. Chappie (Neill Bloomkamp, 2014) -> 4.0
11. Jimmy's hall (Ken Loach, 2014) -> 7.5
12. Vizinhos (Nicholas Stoller, 2014) -> 6.0
13. Permanent vacation (Jim Jarmusch, 1980) -> 7.0
14. Gêmeos - Mórbida semelhança (David Cronenberg, 1988) -> 7.5
15. Boa sorte (Carolina Jabor, 2014) -> 6.0
16. O ano mais violento (J. C. Chandor, 2014) -> 8.0


17. Cinquenta tons de cinza (Sam Taylor-Johnson, 2014) -> 2.0
18. Casa grande (Fellipe Barbosa, 2014) -> 8.5
19. Um amor quase perfeito (Ferzan Özpetek, 2001) -> 7.0
20. Sempre bela (Manoel de Oliveira, 2006) -> 8.0
21. Trens estreitamente vigiados (Jirí Menzel, 1966) -> 8.0
22. Essa pequena é uma parada (Peter Bogdanovitch, 1972) -> 8.5
23. Alguém tem que ceder (Nancy Meyers, 2003) -> 7.5
24. A vida de um tatuado (Seijun Suzuki, 1965) -> 8.0
25. Showgirls (Paul Verhoeven, 1995) -> 7.0
26. Noites brancas (Luchino Visconti, 1957) -> 8.0


27. Contratei um assassino profissional (Aki Kaurismäki, 1990) -> 8.0
28. Reino animal (David Michôd, 2010) -> 8.0
29. Laura (Otto Preminger, 1944) -> 8.0
30. Adeus à linguagem (Jean-Luc Godard, 2014) -> 6.0
31. Busca implacável 2 (Olivier Megaton, 2012) -> 7.0
32. Quero matar meu chefe (Seth Gordon, 2011) -> 5.5
33. Olhos de serpente (Brian De Palma, 1998) -> 8.0
34. I'm still here (Casey Affleck, 2010) -> 6.0
35. Chamas da vingança (Tony Scott, 2004) -> 7.0

MÉDIA:

O rolo compressor e o violinista (Andrei Tarkovsky, 1961) 

CURTA:

Indícios dois (Dannon Lacerda, 2012) -> 4.0

REVISTOS:

Adaptação (Spike Jonze, 2002) -> 9.0
Noivo neurótico, noiva nervosa (Woody Allen, 1977) -> 9.5

MELHOR FILME: O rolo compressor e o violinista
PIOR FILME: Cinquenta tons de cinza
MELHOR DIRETOR: Peter Bogdanovitch, por Essa pequena é uma parada
MELHOR ATRIZ: Jessica Chastain, por O ano mais violento
MELHOR ATOR: Jeremy Irons, por Gêmeos - Mórbida semelhança
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Suzana Pires, por Casa grande
MELHOR ATOR CODJUVANTE: Guy Pearce, por Reino animal
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Peter Bogdanovich, Buck Henry, David Newman e Robert Benton, por Essa pequena é uma parada
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Luchino Visconti, por Noites brancas
MELHOR FOTOGRAFIA: Bradford Young, por O ano mais violento
MELHOR TRILHA SONORA: Artie Butler, por Essa pequena é uma parada
MELHOR CENA: A corrida louca de Judy e Howard em Essa pequena é uma parada
MELHOR FINAL: O segredo das águas 

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