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segunda-feira, 1 de maio de 2017

BALANÇO MENSAL - ABRIL

De Wes Craven a Hiroyuki Morita, o mês de abril foi pontuado pelo ecletismo, como tem sido minha prática nos últimos tempos. Dar chance a filmes de nacionalidades, realizadores, temas e épocas diferentes é sempre nutritivo para a dieta cinéfila, ainda que surjam alguns pratos indigestos de vez em quando. Mas não tenho muitas reclamações sobre minhas escolhas dessa vez porque tive sorte de ver ótimos filmes em sequência, e o pódio desse mês veio todo na mesma semana. A expectativa de um 9, da qual falei em março, foi atendida esse mês pelo primeiro lugar do pódio. E foram apenas duas idas ao cinema, e ambas valeram a pena: uma para desopilar o fígado, outra para suspender a respiração. O primeiro filme é a comédia Despedida em grande estilo, que já ganhou crítica, e o segundo foi Fragmentado, volta de M. Night Shyamalan à boa forma. O mês teve poucos nomes badalados: prevaleceram os cineastas em início de carreira, com suas primeiras obras chamando a atenção. Vamos ao trio de melhores seguido da relação completa de títulos vistos e os melhores em certas categorias. Bem, vocês já conhecem o esquema...

PÓDIO

MEDALHA DE OURO

Frantz (François Ozon, 2016)


Ozon completa 50 anos em novembro próximo e está em atividade cinematográfica desde os fim dos anos 90. Essas informações temporais soam relevantes para corroborar a ideia de que o realizador vem amadurecendo e em Frantz essa percepção se mostra bem clara. Retrocedendo quase 100 anos no nosso calendário, sua narrativa acompanha um jovem ex-soldado francês da Primeira Guerra Mundial corroído pela culpa de ter atirado - e assassinado - um inimigo alemão. Tal sentimento motiva sua ida à Alemanha para prestar homenagem sobre o túmulo do falecido, e justamente nesse momento é visto pela jovem com quem o alemão estava para casar. O real envolvimento entre os dois é omitido pelo francês, que acaba bem próximo da jovem e dos ex-futuros sogros dela. Até que ponto maquiar a verdade pode funcionar? Tudo é conduzido com imensa elegância por Ozon, que elegeu o preto e branco para filmar quase todas as cenas, somente quatro delas ganham cores e um significado ainda mais forte no contexto da narrativa. O longa parece vindo da época em que se passa, num belo exemplo de "captura" do espírito de outro tempo. Intérprete do rapaz francês, Pierre Niney lembra muito fisicamente o estadunidense Adrien Brody.

MEDALHA DE PRATA


Aliens - O resgate (James Cameron, 1986)

Resumir a sequência do longa de 1979 a uma só palavra é bem fácil: adrenalina. Sete anos depois de Ridley Scott caprichar no suspense misturado ao horror na viagem ao espaço perturbada por estranhas e malévolas criaturas, James Cameron assumiu as rédeas e injetou muito da substância produzida pelos rins em situações de risco e ameaça. Novamente liderando o elenco, a casca grossa Ellen Ripley é movida por um espírito revanchista e faz afirmações com conhecimento de causa. Afinal, ela sabe exatamente o que se passou 57 anos antes, quando boa parte de sua tripulação foi dizimada por um alienígena. Nessa continuação eles voltam em mais quantidade e surgem dos lugares mais inesperados, gerando correria, tiros e explosões. A respiração do público fica presa em momentos sucessivos, e as mais de duas horas de projeção voam. Assisti à versão do diretor, que dura 153 minutos e valeu a pena: o clima nunca é apenas tenso, mas de perigo real e imediato. Comumente lembrada como uma das mulheres mais bad ass (ou fodonas, em bom português), Ellen Ripley faz muito por onde ser referida com tal antonomásia.

MEDALHA DE BRONZE

Quando os homens são homens (McCabe e Mrs. Miller, 1971)



Nos últimos exemplares de sua filmografia, Altman vinha trabalhando com elencos numerosos e desdobrando histórias simultâneas, muitas vezes com diálogos sobrepostos. Porém, nas primeiras décadas de realização, ele operava com menos nomes e ambos os estilos da narrativa funcionavam maravilhosamente. Em Quando os homens são homens o protagonismo é dividido (inclusive no título original) entre Warren Beatty e Julie Christie, que na época eram um casal. Ele, um forasteiro que chega a uma cidade com espírito empreendedor; ela, uma cortesã que sabe como lidar com os habitantes locais, sobretudo os do sexo masculino. Seus caminhos se cruzam e um romance malfadado se desenha. Os signos do faroeste, gênero por essência violento e de reafirmação de uma masculinidade truculenta, são repensados, fazendo desse longa um anti-western, com um intimismo e um sentimento inesperados. A trilha de Leonard Cohen, canadense com vasto currículo de compositor, ratifica a atmosfera desalentada dessa história de luta individual contra o sistema em nome de um sonho. Daí a beleza triste que emana de toda a narrativa, com seu desfecho na neve fria, epíteto-síntese de um mundo onde falta muito carinho.


INÉDITOS

LONGAS

118. Quadrilha de sádicos (Wes Craven, 1977) -> 6.0
119. ABC do amor (Mark Levin, 2005) -> 7.5
120. Corra, Lola, corra (Tom Tykwer, 1998) -> 7.0
121. O ornitólogo (João Pedro Rodrigues, 2016) -> 5.0
122. Três lembranças da minha juventude (Arnaud Desplechin, 2015) -> 6.0
123. Despedida em grande estilo (Zach Braff, 2016) -> 7.5
124. War on everyone (John Michael McDonagh, 2016) -> 4.0
125. Duro de matar - A vingança (John McTiernan, 1995) -> 7.0



126. Minha cadela Tulipa (Paul Fierlinger e Sandra Fierlinger, 2009) -> 7.0
127. Feitiço da lua (Norman Jewinson, 1987) -> 6.5
128. Pequenos espiões 2 - A ilha dos sonhos perdidos (Robert Rodriguez, 2002) -> 7.0
129. Amores imperfeitos (Marcio de Lemos, 2011) -> 7.0
130. O programa (Stephen Frears, 2015) -> 7.0
131. Retratos de família (Phil Morison, 2005) -> 5.0



132. Quando os homens são homens (Robert Altman, 1971) -> 8.0
133. Aliens - O resgate (James Cameron, 1986) -> 8.5
134. Fragmentado (M. Night Shyamalan, 2016) -> 7.5
135. Frantz (François Ozon, 2016) -> 9.0
136. Missão impossível 2 (John Woo, 2000) -> 6.0
137. Metrópole Manila (Sean Ellis, 2013) -> 8.0
138. Ela volta na quinta (André Novais Oliveira, 2015) -> 7.0
139. Docinho da América (Andrea Arnold, 2016) -> 8.0


140. Terror na ópera (Dario Argento, 1987) -> 8.0
141. Sempre ao seu lado (Lasse Hallström, 2009) -> 8.0
142. Todas as cores da escuridão (Sergio Martino, 1972) -> 7.5
143. Ponte para Terabítia (George Csupo, 2007) -> 8.0
144. Creepy (Kyoshi Kurosawa, 2016) -> 7.5
145. O abismo de um sonho (Federico Fellini, 1952) -> 8.0



146. Longe dos homens (David Oelhoffen, 2014) -> 7.5
147. Todos os sóis (Philippe Claudel, 2011) -> 6.5
148. Taekwondo (Marco Berger e Martín Farina, 2016) -> 7.5
149. As coisas mudam (David Mamet, 1988) -> 7.0
150. Olhos azuis (José Jofilly, 2009) -> 7.0
151. O reino dos gatos (Hiroyuki Morita, 2002) -> 6.0

CURTAS

Poeira de estrelas (Ratimir Rakuljic, 2015) -> 7.0
Pouco mais de um mês (André Novais Oliveira, 2013) -> 7.0

REVISTOS

Eu, meu irmão e nossa namorada (Peter Hedges, 2008) -> 8.0
Os outros (Alejandro Amenábar, 2001) -> 8.5
Prenda-me se for capaz (Steven Spielberg, 2002) -> 8.0
Peixe grande (Tim Burton, 2003) -> 8.0
Filhos da esperança (Alfonso Cuarón, 2006) -> 8.0

MELHOR FILME: Frantz
PIOR FILME: War on everyone
MELHOR DIRETOR: François Ozon, por Frantz
MELHOR ATRIZ: Sigourney Weaver, por Aliens - O resgate
MELHOR ATOR: Warren Beatty, por Quando os homens são homens / James McAvoy, por Fragmentado
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Amy Adams, por Retratos de família
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Shia LaBeouf, por Docinho da América
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: François Ozon e Philippe Piazzo, por Frantz
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: James Cameron, David Giler e Walter Hill, por Aliens - O resgate
MELHOR FOTOGRAFIA: Pascal Marti, por Frantz
MELHOR TRILHA SONORA: Leonard Cohen, por Quando os homens são homens / Docinho da América
MELHOR CENA: O diálogo à beira do rio em Frantz
MELHOR FINAL: Frantz

2 comentários:

  1. Olá, Patrick. Seguindo o seu blog.

    Gostei do seu ecletismo. Ótima seleção e inéditos e revistos. Revi a saga Alien nos últimos dias e para a minha decepção, Ridley Scott comete o erro com Alien: Covenant.

    "Frantz" continua na minha lista.

    Abraço.

    Meu blogue: https://cinemarodrigo.blogspot.com.br/

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  2. Agradeço a visita, Rodrigo! Volte sempre!

    Abraço

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