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domingo, 2 de abril de 2017

BALANÇO MENSAL - MARÇO

Segue a tradição de reunir meus filmes vistos ao longo de mais um mês em outra edição do balanço mensal. Uma pena que não apareceu nenhuma nota acima de 8, fazendo o pódio de março ser composto apenas de filmes com essa avaliação; de qualquer forma, significa que são ótimos filmes, e a expectativa de um 9 ou um 10 fica mantida para abril. O detalhe é que todos foram rodados em 2016, uma prova de que a ideia de que os bons filmes estão no passado é uma falácia: sempre há bons e maus títulos em qualquer tempo; parece óbvio, mas não é o que todos enxergam. Entre os diretores mais conhecidos que desfilaram suas obras nesse terceiro mês do ano, teve os irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, David Lean, Jules Dassin, John Carpenter e Elia Kazan. Diretores contemporâneos ou de épocas passadas, eles foram responsáveis por ótimos momentos diante da tela, embora nenhum tenha conquistado o título de meu preferido de cada diretor. Sem mais enrolação, vamos ver todos os títulos que compuseram a galeria cinematográfica de março.

PÓDIO

MEDALHA DE OURO

O dia mais feliz da vida de Olli Mäki (Juho Kuosmanen, 2016) 


A narrativa desse representante da Finlândia para uma vaga entre os finalistas ao Oscar de melhor filme estrangeiro acompanha em alguns dias a rotina de um padeiro levado à posição de ídolo nacional. Tudo por causa de grande talento no boxe. Agora um peso enorme de expectativa está sobre seus ombros, e lidar com isso é a grande questão do personagem. O real interesse do realizador é mergulhar na humanidade de Olli Mäki, então o ringue é presença escassa na história. No título reside um misto de ironia com uma ida na contramão das hipóteses. Não teve nada ver com o esporte a maior felicidade desse homem: foi o pedido de noivado à mulher de sua vida que o encheu daquele sentimento. A base para o longa veio da realidade, e Jarkko Lahti, intérprete de Olli, se dedicou horrores para encarná-lo, em um processo que lhe ocupou alguns anos e lhe deixou o gosto pelo boxe. Um filme para todos que se encantam pelas histórias comuns e uma bela amostra de que Aki Kaurismäki tem um conterrâneo igualmente talentoso.

MEDALHA DE PRATA

O túnel (Seong-Hun Kim, 2016)



Uma situação extrema e um desafio imenso: não entrar em desespero. A junção desses fatores compõe O túnel, nova demonstração do quanto o cinema sul-coreano dos anos 2010 merece ser acompanhado com interesse. A exemplo do que havia feito em Um dia difícil (Kkeut-kka-ji-gan-da, 2014), o realizador Seong-Hun Kim joga seu protagonista em uma espiral de dificuldades que começa quando ele fica preso em túnel desmoronado exatamente no momento em que ele estava passando. Daí em diante, a luta pela sobrevivência se torna cada vez mais dramática e o roteiro abre espaço à discussão sobre fraternidade em tempos adversos e o sensacionalismo midiático, que percebemos ser uma realidade na Coreia do Sul também. Por esse último aspecto, o filme guarda semelhanças com o primoroso A montanha dos sete abutres (Ace in the hole, 1951), em que Billy Wilder também examinava o meio de ação da imprensa marrom. Capaz de deixar o espectador grudado na poltrona, O túnel é ação, emoção e reflexão a toda prova, em que pese alguns pequenos clichês.

MEDALHA DE BRONZE

Christine (Antonio Campos, 2016)



Onde os eleitores dos prêmios estavam com a cabeça quando deixaram Rebecca Hall de fora da temporada 2016? Das duas, uma: ou perderam completamente o juízo ou não viram o que ela foi capaz de fazer em Christine (idem, 2016). A personagem surgiu da vida real: jornalista em busca de uma carreira sólida e respeitada, ela se viu obrigada a fazer concessões desagradáveis na emissora de televisão em que trabalhava em nome de uma audiência mais alta. Na vida pessoal, um quadro depressivo só fazia se agravar e, como espectadores, somos testemunhas de suas várias tentativas de remar contra a corrente. Enquanto sua caminhada vai se tornando cada vez mais difícil, Hall vai encenando tudo com uma naturalidade absurda, sendo tão Christine que parece que estamos diante da própria jornalista reconstituindo cenas de seu passado. A atriz some na personagem, e esse é o sonho de qualquer intérprete. O filme faz par com um documentário também de 2016 - que ainda não vi - e serve, no mínimo, como um registro para a posteridade de uma figura tão instigante e comovente.


INÉDITOS

LONGAS

80. Sombras do mal (Jules Dassin, 1950) -> 8.0
81. O dia mais feliz da vida de Olli Mäki (Juho Kuosmanen, 2016) -> 8.0
82. A garota desconhecida (Jean-Pierre e Luc Dardenne, 2016) -> 7.5
83. Paterson (Jim Jarmusch, 2016) -> 7.5
84. Lawrence da Arábia (David Lean, 1962) -> 8.0
85. O roubo da taça (Caíto Ortiz, 2016) -> 5.0
86. Assalto à 13ª DP (John Carpenter, 1976) -> 7.5



87. Duro de matar 2 (Renny Harlin, 1990) -> 7.5
88. Kong: a Ilha da Caveira (Jordan Vogt-Roberts, 2016) -> 7.5
89. Eu não sou seu negro (Raoul Peck, 2016) -> 7.0
90. Divinas (Houda Benyamina, 2016) -> 8.0
91. Logan (James Mangold, 2016) -> 7.0
92. Gata velha ainda mia (Rafael Primot, 2016) -> 7.0
93. Koblic (Sebástian Borensztein, 2016) -> 6.0



94. Máquina mortífera 3 (Richard Donner, 1992) -> 6.5
95. No fim do túnel (Rodrigo Grande, 2016) -> 7.0
96. Contos de Nova York (Martin Scorsese, Francis Ford Coppola e Woody Allen, 1989) -> 7.0
97. Tratamento de choque (Peter Segal, 2003) -> 4.0
98. Renegado do Leste (Sharunas Bartas, 2010) -> 6.0
99. O túnel (Seong-Hun Kim, 2016)
100. Uma rua chamada pecado (Elia Kazan, 1951) -> 8.0
101. O silêncio do céu (Marco Dutra, 2016) -> 7.5



102. Uma noite fora de série (Shawn Levy, 2010) -> 5.0
103. Um toque de pecado (Jia Znahg-ke, 2013) -> 8.0
104. Missão impossível (Brian De Palma, 1996) -> 7.0
105. Certas mulheres (Kelly Reichardt, 2016) -> 7.0
106. Sing (Garth Jennings, 2016) -> 7.5
107. Depois da tempestade (Hirokazu Kore-eda, 2016) -> 7.5
108. Christine (Antonio Campos, 2016) -> 8.0
109. Campo Grande (Sandra Kogut, 2015) -> 6.0
110. O caçador (Daniel Nettheim, 2011) -> 6.5



111. Máquina mortífera 4 (Richard Donner, 1998) -> 7.5
112. Amar... não tem preço (Pierre Salvadori, 2006) -> 7.0
113. Para o que der e vier (Matthew Weiner, 2013) -> 4.0
114. A mosca (David Cronenberg, 1986) -> 8.0
115. As duas faces da lei (Jon Avnet, 2008) -> 5.0
116. Ninotchka (Ernst Lubitsch, 1939) -> 8.0
117. Para minha amada morta (Aly Muritiba, 2016) -> 6.0

CURTA

Stick man (Jeroen Jaspaert e Daniel Snaddon, 2015) -> 7.0

REVISTOS

Vicky Cristina Barcelona (Woody Allen, 2008) -> 10.0
Bastardos inglórios (Quentin Tarantino, 2009) -> 8.0
Pauline na praia (Eric Rohmer, 1983) -> 8.5
Tudo sobre minha mãe (Pedro Almodóvar, 1999) -> 8.5
(500) dias com ela (Marc Webb, 2009) -> 7.5

MELHOR FILME: O dia mais feliz da vida de Olli Mäki
PIOR FILME: Para o que der e vier
MELHOR DIRETOR: Seong-Hun Kim, por O túnel
MELHOR ATRIZ: Rebecca Hall, por Christine
MELHOR ATOR: Jarkko Lahti, por O dia mais feliz da vida de Olli Mäki
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Geena Davis, por A mosca
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Joe Pesci, por Máquina mortífera 4
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Juho Kuosmanen e Mikko Myllylahti, por O dia mais feliz da vida de Olli Mäki
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Charles Brackett e Billy Wilder, por Ninocthcka
MELHOR TRILHA SONORA: O túnel
MELHOR FOTOGRAFIA: O dia mais feliz da vida de Olli Mäki
MELHOR CENA: A última conversa de Olli com a namorada antes da luta
MELHOR FINAL: Christine

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