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segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

BALANÇO MENSAL - JANEIRO

Caros leitores,

depois de um período de ausência, estou de volta para sacudir esse blog, iniciando as atividades de 2015 com o balanço dos filmes que compuseram meu janeiro cinéfilo. O balanço também volta a ser publicado depois de ter passado em branco em dezembro, por motivos de tempo escasso no final do ano. 

A novidade a partir desta edição são pequenos parágrafos dissertativos para os três melhores filmes vistos no mês, que vão formar um pódio, com direito a ouro, prata e bronze. O detalhe aflitivo, por assim dizer, é que, já no primeiro balanço com essa nova configuração, fui obrigado a escolher três entre quatro notas 9 para o pódio. Todavia, essa é uma das dificuldades praticamente cotidianas de um aficionado por Cinema: tentar hierarquizar suas preferências. 

Como poderá ser visto logo abaixo dos minitextos, janeiro foi um mês bastante profícuo em quantidade e qualidade. Diretores que amo me entregaram mais exemplares maravilhosos de suas filmografias, como Federico Fellini, Ingmar Bergman, Jean-Pierre e Luc Dardenne, Luis Buñuel e Clint Eastwood. Outros deixaram um pouco a desejar em relação a trabalhos de excelência apresentados anteriormente, como foi o caso de Robert Altman e John Carpenter. Por sua vez, Tsai Ming-Liang desempatou e agora gosto de dois filmes dele entre os três a que assisti até o momento. Depois desses breves comentários, vamos ao balanço!

PÓDIO

MEDALHA DE OURO


Procurando Elly (Ashgar Fahradi, 2009)

Para além dos limites culturais e geográficos da sociedade iraniana, Farhadi engendra tramas que evocam segredos e produzem reviravoltas efetivamente surpreendentes. Quando um grupo de amigos se reúne em uma casa à beira-mar para um final de semana que propunham ser de descontração, a atmosfera vai se tornando cada vez mais pesada e faz emergir atitudes que, em condições normais, talvez tivessem sido sublimadas. Os amigos não são iranianos típicos: seus costumes apontam para um certo cosmopolitismo, mas a força dos princípios morais que regem os pensamentos da maioria estremece o relacionamento entre todos quando uma verdade com a qual ninguém contava vem à tona. Quaisquer detalhes ulteriores sobre a trama seriam covardes, mas quem já conhece o diretor pelos mais recentes A separação (2011) e O passado (2013) já tem uma ideia básica do que poderá encontrar pela frente.

MEDALHA DE PRATA


Whiplash - Em busca da perfeição (Damien Chazelle, 2014)

Sangue, suor e lágrimas. O clichê do caminho rumo à superação é ilustrado na história de um músico disposto a tudo (não é exagero) para ser o melhor baterista de uma banda de jazz, mas todo clichê é muito bem driblado pelo roteiro. À diferença de grande parte dos filmes centrados na temática musical, o roteiro de Whiplash dedica longo tempo aos ensaios e a sucessão de muitos erros para um acerto, o que é, sobretudo, uma questão de adequação ao andamento do maestro. Nesse caso, a função é exercida por um irascível J. K. Simmons - a essa altura, já premiado com as estatuetas do Globo de Ouro e do SAG. Incapaz de qualquer gesto de ternura, ele acredita em métodos extremos para arrancar a tal perfeição de seus rapazes, e o protagonista Andrew (Miles Teller) se torna cada vez mais obcecado em estar ao gosto desse regente. O resultado é uma montagem primorosa e intérpretes em ponto de bala e, à medida que o garoto se esmera e produz viradas incríveis com suas baquetas, a audiência restringe cada vez mais seus movimentos, de tao hipnotizada.

MEDALHA DE BRONZE


Cidade tranquila (Aaron Katz, 2007)

Por vezes, a figura do cinéfilo guarda semelhanças com a de um arqueólogo. Em meio a escavações, ou até quando não está necessariamente à procura, ele pode deparar com um material precioso, fazendo uma descoberta importante. Cidade tranquila é um desses tesouros que se esconde sob o areal cinematográfico, que faz a alegria de espectadores apegados a histórias simples (mas não simplórias), dessas que estão espalhadas pelo cotidiano do mundo, que acontecem por aí com qualquer um, mas não com tanta frequência. Katz, certamente, bebeu muito da fonte de Linklater, escultor das relações amorosas iniciadas pela casualidade e talhada pela convivência restrita a um pequeno arco temporal. Trata-se de uma jovem que precisa chegar ao restaurante onde marcou encontro com uma amiga e tem a ajuda de um rapaz. Diante da espera em vão, ele a recebe em seu apartamento, e as horas seguintes são de intenso compartilhamento e a certeza de que a grandeza da vida também está nos instantes.

Lista completa dos filmes

INÉDITOS

LONGAS

1. Bom trabalho (Claire Denis, 1999) -> 8.0
2. Alexandra (Aleksandr Sokurov, 2007) -> 8.0
3. Cassino (Martin Scorsese, 1995) -> 7.0
4. Garota exemplar (David Fincher, 2014) -> 8.0
5. Buffalo '66 (Vincent Gallo, 1998) -> 7.5
6. Prince Avalanche (David Gordon Green, 2013) -> 6.0
7. Minha vida de cachorro (Lasse Hallstrom, 1985) -> 8.0 

Minha vida de cachorro (1985)
8. Deite comigo (Clément Virgo, 2005) -> 6.5
9. Go go tales (Abel Ferrara, 2007) -> 3.5
10. Procurando Elly (Ashgar Farhadi, 2009) -> 9.0
11. A entrevista (Seth Rogen e Evan Goldberg, 2014) -> 6.5
12. Dois dias, uma noite (Jean-Pierre e Luc Dardenne, 2014) -> 8.5
13. A estrada da vida (Federico Fellini, 1954)
14. A fortuna de Cookie (Robert Altman, 1999) -> 7.0
15. Cão branco (Samuel Fuller, 1982) -> 8.0
16. O buraco (Tsai Ming-Liang, 1998) -> 8.0
17. Minúsculos: o filme (Hélène Giraud e Thomas Szabo, 2013) -> 8.5
18. A outra história americana (Tony Kaye, 1998) -> 9.0

A outra história americana (1998)
19. Patrick 1.5 (Ella Lemhagen, 2008) -> 6.0
20. A onda (Dennis Hansel, 2008) -> 7.0
21. Whiplash - Em busca da perdeição (Damien Chazelle, 2014) -> 9.0
22. Cover boy - A última revolução (Carmine Amoroso, 2006) -> 7.0
23. Mônica e o desejo (Ingmar Bergman, 1953) -> 8.0
24. Da cama para a fama (Pablo Berger, 2003) -> 7.0
25. Para sempre Alice (Richard Glatzer e Wash Westmoreland, 2014) ->8.0
26. Encurralado (Steven Spielberg, 1971)

Encurralado (1971)
27. Coca-Cola Kid (Dusan Makavejev, 1985) -> 5.0
28. À beira da loucura (John Carpenter, 1994) -> 6.0
29. O acompanhante (Paul Schrader, 2007) -> 6.0
30. Filth (Ned Benson, 2013) -> 6.5
31. Lemonade Joe (Oldrich Lipský, 1964) -> 8.0
32. A cruz dos anos (Leo McCarey, 1937) -> 8.0
33. Margin call - O dia antes do fim (J. C. Chandor, 2011) -> 7.0
34. Jersey Boys - Em busca da música (Clint Eastwood, 2014) -> 8.0
35. Ocidente (Cristian Mungiu, 2002) -> 7.5
36. A bela da tarde (Luis Buñuel, 1967) -> 8.0

A bela da tarde (1967)
37. Sem destino (Dennis Hopper, 1969) -> 7.0
38. Vidas sem rumo (Francis Ford Coppola, 1983) -> 8.5
39. Cidade tranquila (Aaron Katz, 2007) -> 9.0
40. O banheiro do Papa (Enrique Fernández e César Charlone, 2007) -> 7.5
41. Os brutos também amam (George Stevens, 1953) -> 8.5
42. Um homem perdido (Danielle Arbid, 2007) -> 6.0

CURTAS

A padeira do bairro (Eric Rohmer, 1963) -> 7.5
Elefantes sonham (Bassam Kurdali, 2006) -> 6.0

REVISTOS

Shame (Steve McQueen, 2011) -> 10.0
Cópia fiel (Abbas Kiarostami) -> 10.0

MELHOR FILME: Procurando Elly
PIOR FILME: Go go tales
MELHOR DIRETOR: Ashgar Farhadi, por Procurando Elly
MELHOR ATRIZ: Julianne Moore, por Para sempre Alice
MELHOR ATOR: Miles Teller, por Whiplash - Em busca da perfeição
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Sharon Stone, por Cassino
MELHOR ATOR COADJUVANTE: J. K. Simmons, por Whiplash - Em busca da perfeição
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Azad Jafarian  e Asghar Farhadi, por Procurando Elly
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Kathleen Rowell, por Vidas sem rumo
MELHOR TRILHA SONORA: Jersey Boys - Em busca da música
MELHOR MONTAGEM: Whiplash - Em busca da perfeição
MELHOR FOTOGRAFIA: Jersey Boys - Em busca da música
MELHOR CENA: A despedida de Joey e Shane em Os brutos também amama
MELHOR FINAL: Whiplash - Em busca da perfeição

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