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quarta-feira, 1 de abril de 2015

BALANÇO MENSAL - MARÇO

Nem parece que março teve apenas 31 dias. O mês demorou tanto a passar que a sensação foi de que vivemos uns 90 dias nele. Ao longo desse tempo, foram 33 filmes diante dos meus olhos, todos devidamente reunidos em mais um balanço mensal. Como sempre gosto de enfatizar diretores, alguns nomes talentosos compareceram em março com novos exemplares dignos de elogios. Eles (ainda) não figuram entre meus queridinhos, mas foram responsáveis por filmar grandes enredos protagonizados por gente talentosa. Estou falando de Joel Schummacher, que abriu o mês com uma nostálgica fantasia juvenil com pitadas de terror, Tim Burton velho de guerra em mais uma parceria com Johnny Depp em uma folhetinesca trama de vampiros, Isao Takahata no que, até o momento, é sua obra derradeira, George Lucas no início da década de 70 antes de partir para viagens intergalácticas e Barry Levinson trazendo Dustin Hoffman em um dos seus mais belos papéis. 

E ainda teve espaço para meu primeiro Jacques Tati, que chegou conquistando o primeiro lugar do pódio, tecnicamente empatado com Takahata, que só não abocanhou a posição por ter falado só um pouco menos ao coração. Vamos de uma vez por todas aos filmes desse março cinéfilo"!

PÓDIO

MEDALHA DE OURO


Meu tio (Jaques Tati, 1958)

Uma crítica esperta ao abuso da tecnologia e à vida tresloucada em meio a vários eletrodomésticos, o filme mais famoso de Tati abre com adoráveis cãezinhos à procura de algum alimento. Daí em diante, sua câmera flagra a relação de discreta ternura entre o tio do título (vivido pelo próprio Tati) e o sobrinho de uns 10 anos de idade. De tão próximos, eles causam um misto de ciúme e preocupação no genitor do garoto, que teme ver o filho sem ambição alguma devido à convivência com um homem desapegado do pragmatismo materialista. Tati investe também no visual exótico, apontando para uma série de traquitanas com que gente rica tenta impressionar os amigos e posar de bem-sucedido para a roda de amigos que frequenta sua casa. O que pode ser tão ou mais inútil quanto uma campainha que aciona um chafariz cujo jato de água sai da boca de um peixe metálico? Na conjunção do visual com o sentimental, Meu tio faz por merecer a honraria maior do balanço do mês que passou.

MEDALHA DE PRATA 

Memórias de um assassino (Joon Bong-Hoo, 2003)


Mais um mês em que um filme sobre os meandros da lei ganha um espaço especial por aqui. O inventivo Bong-Hoo rasgou a cartilha do cinema policial para entregar uma coletânea de achados imperdíveis que revela os buracos da justiça pelos quais vazam verdades inconvenientes. Concentrando seu fio narrativo na busca de dois investigadores pela identidade de um assassino, o realizador não abre mão do humor negro, que surge das situações mais inesperadas, provando que inserir um tom jocoso onde só deveria (?) haver seriedade pode ser uma eficiente quebra de paradigmas. Na verdade, é uma pratica recorrente sua, que se revelaria quase ausente em sua primeira experiência hollywoodiana e aqui ainda se mostra com eficiência. O desenvolvimento em que ele aposta reduz praticamente a zero as chances de um financiamento em solo estadunidense. No máximo, tentariam inventar uma refilmagem, mas até aqui esse filmaço tem descansado em paz e segue convidando cinéfilos atentos a subversões da arte, bem como a reflexões sobre a lei e o que se faz dela. 

MEDALHA DE BRONZE

Trovão tropical (Ben Stiller, 2008)


Tom Cruise careca, barrigudo, com óculos de aros grossos e fazendo uma dancinha muito da estranha? Até hoje, só é possível encontrar todos esses elementos juntos em Trovão tropical. Mas o quarto dos cinco filmes de Stiller na direção conta com muito mais para fazer valer um terceiro lugar no pódio de março. Mirando (inclusive literalmente) no humor politicamente incorretíssimo, o roteiro escrito a seis mãos (Stiller, Justin Theroux e um tal de Ethan Coen) tira sarro da indústria cinematográfica com a propriedade de quem a visualiza e vivencia por dentro. Dos lábios de Kirk Lazarus (Robert Downey Jr.) ecoam frases emblemáticas sobre esse universo que, entre outras coisas, parece feito de fórmulas: "Sean Peen não levou o Oscar porque seu personagem em Uma lição de amor era somente um idiota, não tinha habilidades como Dustin Hoffman em Rain man ou Tom Hanks em Forrest Gump - O contador de histórias". E Lazarus diz tudo isso do alto de uma caracterização inacreditável: com a pele enegrecida por um procedimento artificial e os cabelos encrespados para dar vida a um soldado em pleno confronto com a população vietnamita. Precisa mais?

INÉDITOS

LONGAS:

1. Os garotos perdidos (Joel Schummacher, 1987) -> 8.0
2. Pânico 4 (Wes Craven, 2011) -> 8.5
3. A teoria de tudo (James Marsh, 2014) -> 7.0
4. Rocky, um lutador (Jon G. Avildsen, 1976) -> 7.0
5. Sombras da noite (Tim Burton, 2012) -> 7.0
6. Livrai-nos do mal (Scott Derrickson, 2014) -> 6.0
7. Turistas (Ben Wheatley, 2012) -> 4.0
8. O conto da princesa Kaguya (Isao Takahata, 2013) -> 9.0


9. Os estagiários (Shawn Levy, 2013) -> 5.0
10. A outra face (John Woo, 1997) -> 8.0
11. Busca implacável (Pierre Morel, 2008) -> 7.0
12. Conduzindo Miss Daisy (Bruce Beresford, 1989) -> 8.0
13. Anjos da lei (Phil Lord e Christopher Miller, 2012) -> 6.5
14. Selma - Uma luta pela igualdade (Ava DuVernay, 2014) -> 8.0
15. Loucuras de verão (George Lucas, 1973) -> 7.5
16. Rain man (Barry Levinson, 1988) -> 8.0
17. As maravilhas (Alice Rohrwacher, 2014) -> 7.0


18. Rio, eu te amo (vários, 2014) -> 0.0
19. Um santo vizinho (Theodore Melfi, 2014) -> 7.0
20. Trovão tropical (Ben Stiller, 2008) -> 8.0
21. Memórias de um assassino (Joon Bong-Hoo, 2003) -> 8.5
22. A gangue (Miroslav Slaboshpitsky, 2014) -> 8.0
23. Meu tio (Jacques Tati, 1958) -> 9.0
24. Um ato de coragem (Nick Cassavetes, 2002) -> 8.0
25. Curvas da vida (Robert Lorenz, 2012) -> 6.0


26. Bad Johnson (Huck Botko, 2014) -> 5.0
27. Frenesi (Alfred Hitchcock, 1972) -> 8.0
28. A entrega (Michael R. Roskam, 2014) -> 7.5
29. Hoje eu quero voltar sozinho (Daniel Ribeiro, 2014) -> 7.0
30. Anjo embriagado (Akira Kurosawa, 1948) -> 8.0
31. Nós somos as melhores! (Lukas Moodysson, 2013) -> 7.0

CURTA:

A nova missão de Dug (Ronaldo Del Carmen, 2009) -> 8.0

REVISTOS:

Femme fatale (Brian De Palma, 2002) -> 8.5
Melinda e Melinda (Woody Allen, 2004) -> 8.0

MELHOR FILME: Meu tio
PIOR FILME: Rio, eu te amo
MELHOR DIRETOR: Jacques Tati, por Meu tio
MELHOR ATRIZ: Jessica Tandy, por Conduzindo Miss Daisy
MELHOR ATOR: Song Kang-ho, por Memórias de um assassino
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Dianne Wiest, por Os garotos perdidos
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Robert Downey Jr., por Trovão tropical
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Jacques Lagrange, Jacques Tati e Jean L'Hôte, por Meu tio
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Alfred Uhry, por Conduzindo Miss Daisy
MELHOR FOTOGRAFIA:  Kim Hyung-ku, por Memórias de um assassino
MELHOR TRILHA SONORA: Selma - Uma luta pela igualdade
MELHOR CENA: O nascimento de Kaguya em O conto da princesa Kaguya
MELHOR FINAL: Memórias de um assassino

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