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quinta-feira, 17 de outubro de 2013

50 diretores essenciais (parte 3)

Mais uma leva de dez realizadores cujas filmografias valem a conferida estão disponíveis na terceira parte da lista de que considero essenciais. Embora cada um deles possa ser singularizado por suas características e idiossincrasias, também é interessante observar pontos de aproximação entre seus trabalhos. Esses diálogos, citações e homenagens tornam a aventura de conhecer diretores e seus filmes ainda mais instigante, e enriquecem o olhar cinéfilo, sempre ávido de experiências marcantes. Portanto, vamos aos ocupantes das posições 21 a 30 dessa lista dividida em cinco partes. Vale ressaltar que, exceto pelo primeiro lugar, todos os diretores estão listados em ordem aleatória e a intensidade da minha preferência pessoal por eles também varia. As outras partes estão disponíveis aqui mesmo no blog.


21. Jean-Luc Godard (1930 - )


Pensar em provocação é pensar em Godard. Esse franco-suíço octagenário se tornou sinônimo de experiências heterodoxas, de ruptura do cânone cinematográfico e de experiências sensoriais sobrepostas. A parceria com a então esposa Anna Karina na década de 60, sem dúvida, sua fase áurea, rendeu obras curiosas e questionadoras, aliada à beleza de sua pele alva e seus olhos penetrantes. Nos últimos anos, continua demonstrando inquietude em seu discurso sobre a falência do socialismo e as interdições (senti)mentais não solucionadas pela linguagem.

PRINCIPAIS FILMES: Uma mulher é uma mulher (1961), O desprezo (1963), O demônio das onze horas (1965), Alphaville (1965), Nossa música (2004), Film socialisme (2010).

22. Fatih Akin (1973 - )


O forte dos filmes dirigidos por esse alemão de raízes turcas são os roteiros, também de sua autoria, e as trilhas sonoras, intensas e hipnóticas. Amarradinhas, suas histórias passeiam pela temática da imigração europeia e trazem personagens que despertam fácil identificação por seus atos e sentimentos. O talento de Akin também está em correlacionar de modo orgânico um cinema mais alternativo e intimista com uma proposta mais comercial. Em outras palavras, sua curta filmografia já comprova sua capacidade de ir do drama pungente à comédia rasgada sem perder a sua assinatura.

PRINCIPAIS FILMES: Contra a parede (2003), Do outro lado (2007), Soul kitchen (2010).

23. Paul Thomas Anderson (1970 - )


O discurso grandiloquente e a universalidade dos conflitos psicológicos: esses dois aspectos são facilmente encontrados na produção de Thomas Anderson, que começou a carreira de diretor dando mostras de sua filiação a Robert Altman ao investir em tramas com vários personagens de caminhos entrecruzados. Com o tempo, foi enxugando a quantidade de atores e focalizando narrativas protagonizadas por homens de personalidade marcante e relação tempestuosa com o mundo e os demais indivíduos ao seu redor. Dirigiu apenas três filmes em dez anos, mas prometeu recentemente não ficar outra vez tanto tempo em jejum. Nós agradecemos e esperamos que ele consiga cumprir a sua palavra.

PRINCIPAIS FILMES: Boogie nights - Prazer sem limites (1997), Magnólia (1999), Embriagado de amor (2002), O mestre (2012).

24. Quentin Tarantino (1963 - )


Não faltam entusiastas e admiradores para esse misturador de referências pop e diálogos intermináveis revezados por ação sanguinolenta e/ou explosiva. Assim como existem os seus detratores, que chegam a acusá-lo de farsa. O fato é que, de uma lista de diretores importantes, Tarantino não pode ficar de fora. Seus filmes emulam os anos de exposição a títulos obscuros do tempo em que ele trabalhava como atendente de locadora e enriquecia seu currículo de cinéfilo onívoro. O resultado são tramas que dialogam com os longas de samurai, os faroestes e os filmes B das sessões empesteadas e mantêm seu traço inconfundível.

PRINCIPAIS FILMES: Pulp fiction (1994), Kill Bill - Volume 1 (2003), Kill Bill - Volume 2 (2004), Bastardos inglórios (2009), Django livre (2012).

25. Hayao Miyazaki (1941 - )


Há poucas semanas, esse Midas da animação tradicional anunciou que pretende se aposentar. Se realmente colocar sua decisão em prática, uma legião de cinéfilos ficará órfã de um dos diretores mais encantadores que existe. Sua habilidade e sensibilidade para criar mundos povoados por seres fantásticos e crianças absolutamente normais e verossímeis se traduz em títulos preciosos que afagam o peito e estimulam a imaginação. Não é preciso ter menos de 10 anos para se comover com os filmes de Miyazaki e mergulhar de cabeça nas suas histórias e aceitar esse convite é certeza de não se arrepender.

PRINCIPAIS FILMES: Meu amigo Totoro (1988), A viagem de Chihiro (2001), O castelo animado (2004), Ponyo - Uma amizade que veio do mar (2008).

26. Stanley Kubrick (1928-1999)


Para muitos especialistas e espectadores, Kubrick está para o Cinema assim como Einstein está para a Física. Exagerado ou não, o paralelo tem algum fundo de verdade quando se entra em contato com sua obra, fruto de um perfeccionismo obsessivo (seria isso um pleonasmo?) que se estendia para os enquadramentos, a fotografia, o roteiro e a direção de atores. Pessoalmente, não cultivo um entusiasmo pelo cineasta nem sou fã de todos os filmes que fiz, mas o incluí na lista por considerá-lo de grande importância para a sétima arte e ainda ter alguns filmes seus a assistir e rever. Quem sabe esse entusiasmo não venha a nascer?

PRINCIPAIS FILMES: Glória feita de sangue (1957), Dr. Fantástico (1964), Laranja mecânica (1971), O iluminado (1980).

27. Aki Kaurismäki (1957 - )


O estranhamento pode surgir ao se ver um filme desse escandinavo pela primeira vez. Sua forma altamente peculiar de dirigir os atores, propositalmente travados, e sua composição cênica minimalista e cromaticamente berrante inquietam os olhos. Por esses e outros detalhes, Aki Kaurismäki vale a conferida, mesmo que seja para se descobrir que ele não é dos melhores. É pena que suas obras alcancem um público reduzido, seja pelo fato de a maioria não encontrar espaço no circuito comercial brasileiro, seja porque boa parte da crítica não chama a atenção para ele. Portanto, segue como um cineasta a ser descoberto e apreciado por muitos.

PRINCIPAIS FILMES: A garota da fábrica de caixas de fósforos (1990), O homem sem passado (2002), Luzes na escuridão (2006), O porto (2011).

28. Eric Rohmer (1920 - 2010)


O Cinema é a arte do olhar. Entretanto, Rohmer se utilizava dele para imprimir um selo autoral de muitos e muitos diálogos e pouquíssima ação, redimensionando o conceito de contemplação que está embutido no aforismo sobre o Cinema. Para alguns, trata-se de um diretor enfadonho, que não tem história para contar. Para outros, entre os quais me incluo e me sinto muito bem, é um cronista fascinante das incongruências sentimentais de que todos nós sofremos, em maior ou menos grau. Ele exige olhos atentos não porque uma piscadela pode fazer perder um efeito especial ou um truque de fotografia, mas porque muitas palavras podem escapar enquanto se pisca.

PRINCIPAIS FILMES: A colecionadora (1967), Minha noite com ela (1969), A mulher do aviador (1980), Noites de lua cheia (1984), Conto de inverno (1992), Conto de verão (1996).

29. Wong Kar-Wai (1958 - )


Kar-Wai é o cineasta do instante congelado. Os átimos se dilatam em seus filmes, e a experiência do amor é tudo que importa no fim das contas. Tingidos por vermelhos encarnados, azuis tristes e uma série de outros tons que compõem uma paleta embasbacante, os personagens de suas histórias frequentam os mesmos lugares e caminham entre a nostalgia de um passado idílico, um presente de oscilações do coração e um futuro tão incerto e desconhecido como o de qualquer pessoa. Mesmo em sua única experiência hollywoodiana até agora, ele não abriu mão desses valores e se manteve pródigo em sequências de marcar o espectador.

PRINCIPAIS FILMES: Amores expressos (1994), Felizes juntos (1997), Amor à flor da pele (2000), Um beijo roubado (2007).

30. Sergio Leone (1929-1989)


Em quem mais pensar quando se fala de western spaghetti? Leone é o cara que vem logo à cabeça ao se comentar sobre bons filmes desse subgênero que (ainda) não está entre os meus favoritos, mas que começou a me interessar depois que comecei a acompanhar seus trabalhos versados nessa sua especialidade. Planos bem cuidados, trilhas inesquecíveis e personagens altamente carismáticos, para além de suas morais particulares são apenas alguns dos itens a se considerar para a elaboração de um discurso em sua defesa. Mas quem disse que ele precisa? Seus belos filmes falam por si só.

PRINCIPAIS FILMES: Por uns dólares a mais (1965), Três homens em conflito (1966), Era uma vez no Oeste (1968).

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